A influência dos hormônios na pele vai além de questões como acne e oleosidade .
Ao longo do ciclo menstrual, mudanças naturais no organismo feminino podem interferir na aparência da celulite, fenômeno comum, mas ainda pouco compreendido por muitas mulheres.
Durante o mês, é possível perceber alterações na textura da pele, no inchaço corporal e até na resposta do organismo a fatores externos. Essas oscilações fazem com que a celulite se torne mais ou menos visível em determinados períodos, sem que isso represente uma mudança definitiva na estrutura da pele.
De acordo com a dermatologista da clínica Alpha View Star, Denise Ozores, essas variações estão relacionadas aos níveis hormonais.
“Ao longo do ciclo menstrual, o corpo passa por flutuações hormonais que impactam a circulação, a retenção de líquidos e a elasticidade da pele. Isso pode influenciar temporariamente a aparência da celulite”, explica.
Na fase pré-menstrual, por exemplo, a tendência é de maior retenção de líquidos, o que pode deixar a pele com aspecto mais irregular.
“Muitas mulheres relatam que a celulite parece mais evidente nesse período. Isso acontece porque o inchaço altera a forma como a pele e o tecido subcutâneo se apresentam”, afirma.
Em contrapartida, em momentos de maior equilíbrio hormonal, a pele pode aparentar mais uniformidade.
“Essas mudanças não significam que a celulite surgiu ou desapareceu, mas sim que a percepção visual dela pode variar de acordo com o momento hormonal”, diz.
Segundo a especialista, compreender esse processo é essencial para alinhar expectativas em relação a tratamentos estéticos.
“Muitas vezes a paciente acha que um produto deixou de funcionar, quando na verdade o corpo está em uma fase diferente do ciclo. A pele não é estática e responde ao que acontece internamente”, destaca.
Esse olhar mais atento também tem influenciado a forma como os cuidados com o corpo são conduzidos, com maior valorização do autoconhecimento e da adaptação às fases do organismo.
“A celulite é multifatorial e envolve fatores estruturais, hormonais e comportamentais. Quando a mulher entende o próprio corpo, ela passa a ter uma leitura mais realista dessas variações e consegue cuidar da pele de forma mais estratégica”, finaliza.