Terapia
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Terapia

A busca por terapia entre mulheres não é uma tendência recente, mas um padrão observado ao longo da história e em diferentes culturas.

Estudos nacionais e internacionais mostram que mulheres têm maior probabilidade de procurar atendimento psicológico ou psiquiátrico em comparação aos homens, mesmo quando os níveis de sofrimento emocional são semelhantes.

Segundo dados do National Institute of Mental Health, do IBGE e do Ministério da Saúde, essa diferença reflete fatores sociais e culturais que vão muito além do simples diagnóstico de ansiedade ou depressão.

Um dos motivos está ligado à socialização emocional desde a infância. “A terapia exige reconhecimento de vulnerabilidade, e mulheres historicamente tiveram mais permissão social para falar sobre sentimentos. Isso reduz o tabu e facilita a busca por ajuda” , explica Dra. Ticiana Paiva, psicóloga da Starbem.

Enquanto meninas são incentivadas a expressar emoções, meninos muitas vezes aprendem a escondê-las, criando barreiras para a procura de apoio psicológico no futuro.

A sobrecarga de papéis também pesa na rotina feminina. Mulheres acumulam trabalho profissional, cuidados familiares e administração do lar, o que aumenta a necessidade de suporte emocional.

Dados do IBGE indicam que mulheres dedicam quase o dobro do tempo aos cuidados domésticos e familiares, um fator ligado a maiores níveis de ansiedade e estresse.

“A terapia muitas vezes vira espaço de organização emocional para quem sustenta várias responsabilidades ao mesmo tempo”, afirma Ticiana .

Outro ponto destacado é o estigma que ainda cerca a saúde mental masculina. Homens tendem a evitar terapia por medo de julgamento ou de parecerem frágeis.

Mulheres lideram busca por terapia
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Mulheres lideram busca por terapia

“Não é que mulheres sofram mais, é que homens ainda enfrentam mais barreiras culturais para pedir ajuda”, observa a especialista.

Redes de apoio também influenciam a procura feminina. Conversas entre amigas, familiares e colegas ajudam a normalizar a terapia e reduzir o estigma.

“A recomendação de uma amiga é sempre um grande incentivo para iniciar terapia entre mulheres” , acrescenta Ticiana .

Além disso, muitas mulheres encaram a terapia como um investimento em qualidade de vida. Historicamente mais engajadas em práticas preventivas de saúde, consultas médicas e acompanhamento psicológico, elas enxergam a saúde emocional  como parte da rotina diária.

“Hoje muitas mulheres enxergam a saúde emocional como parte da rotina, assim como academia ou alimentação saudável”, afirma a psicóloga.

Para Ticiana, a lição é que o comportamento feminino não reflete fragilidade, mas consciência emocional. Mulheres foram pioneiras ao normalizar conversas sobre saúde mental e buscar ajuda antes do colapso.

O desafio agora, segundo ela, é expandir essa cultura para toda a sociedade: “Quando homens também se sentem autorizados a falar sobre sofrimento emocional e buscar apoio, a gente reduz afastamentos, melhora relações e diminui custos invisíveis para empresas e para o sistema de saúde”.

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