A veterinária Carolina Arruda , de 28 anos, voltou a se pronunciar sobre o tratamento a que foi submetida na Santa Casa de Alfenas (MG) para aliviar a neuralgia do trigêmeo, condição neurológica rara e considerada uma das mais dolorosas do mundo . O procedimento realizado na última semana não trouxe o resultado esperado e, segundo a paciente, ela não pretende mais passar por novas cirurgias .
“Realmente a dor não mudou. A expectativa era congelar o nervo e sair de lá com mínimo de dor. Mas não deu certo. Eu sabia que podia falhar e acho que já tentei muita coisa” , disse em um vídeo publicado nas redes sociais.
Procedimento sem sucesso
Durante a internação, Carolina passou por três intervenções : reposicionamento de um neuroestimulador, reabastecimento da bomba de infusão de fármacos e a chamada crioablação — técnica que consiste em “congelar” o nervo responsável pela transmissão da dor. Foi justamente este último o que não funcionou.
De acordo com os médicos, a cirurgia já apresentava baixa taxa de sucesso em razão do estado avançado de lesão no nervo. Apesar disso, não houve agravamento do quadro. Além das intervenções, a jovem recebeu infusão de cetamina e outros adjuvantes, monitorados na UTI.
Ainda assim, garantiu que manterá o tratamento com o eletroneuromodulador e a bomba de medicamentos, métodos que já utiliza há algum tempo.
Decisão de não operar mais
Após mais de uma década enfrentando crises incapacitantes, a estudante afirmou que essa foi a última tentativa cirúrgica .
“Esgotamos as possibilidades. Não faz mais sentido insistir. Essa foi uma decisão conjunta com os médicos e estou em paz com isso”, afirmou.
Carolina adiantou que pretende se afastar parcialmente das redes sociais para cuidar da saúde mental.
“Preciso de tempo e espaço. Não é que eu não queira responder, mas é o momento de me priorizar”, explicou.
Uma década de luta contra a dor
A primeira crise de neuralgia ocorreu quando ela tinha 16 anos. Por anos, acreditou-se que poderia ser dengue, até que o diagnóstico foi confirmado após consultas com 27 médicos. Desde então, Carolina já passou por diferentes cirurgias — mas nenhuma foi capaz de interromper as crises diárias.
Pacientes relatam sensação de choques elétricos e facadas no rosto, que podem se repetir dezenas de vezes ao dia .
“Minha busca agora é viver com o que é possível. Estou tentando descansar, recuperar a saúde mental e encontrar um pouco de paz nesse processo” , concluiu.