Villa Daslu, na Vila Olímpia em São Paulo
Antônio Carlos Lima
Villa Daslu, na Vila Olímpia em São Paulo


Os direitos de uso da marca de luxo Daslu foram vendidos por R$ 10 milhões em um leilão realizado pela Casa Sodré Santoro, na cidade de São Paulo, nesta terça-feira (7). O valor pago é bem maior do que o lance inicial que foi de R$ 1,4 milhão.

O comprador ainda não teve a identidade revelada e vai poder usar comercialmente o nome Daslu para vender roupas, sapatos, joias e itens para casa, entre outros produtos.

O direito de uso também inclui marcas relacionadas como Daslulu (roupas de animais de estimação), D Teen by Daslu (cosméticos e roupas para adolescentes) e Villa Daslu (decoração de festas e organização de eventos).

O comprador ainda deve desembolsar R$ 500 mil para cobrir as taxas cobradas pela empresa leiloeira.

Império Daslu: ascensão e queda

Eliana Tranchesi foi a empresária responsável por instalar um novo modelo de negócio de luxo no Brasil entre o fim dos anos 1990 e início dos 2000.

A Daslu começou como uma butique no bairro da Vila Nova Conceição, em São Paulo, em 1958, mas sua expansão se deu pela administração de Eliana, filha de uma das fundadoras.

Eliana já tinha contratos de exclusividade com marcas de luxo, mas ela sonhava alto e queria uma loja de alta costura internacional dentro da Daslu - em uma época em que grifes estrangeiras não circulavam pelo Brasil - e a parisiense Chanel foi sua primeira 'vítima'.

De tanto encurralar os executivos da grife, com jantares e reuniões opulentes, a empresária conseguiu convencer a Chanel, que com o sucesso das vendas, fez com que outras marcas chegassem ao Brasil, como Armani, Burberry, Dolce & Gabbana, Dior, Louis Vuitton, Yves Saint Laurent e muitas outras. A Daslu chegou a ter em seu espaço cerca de 150 grifes estrangeiras.

Em junho de 2005 a Villa Daslu - um prédio de 17.500 metros quadrados na Vila Olímpia - foi inaugurado e daí nasceu a queda de um império.


Em menos de um mês a loja passou a ser investigada na Operação Narciso, ação conjunta do Ministério Público, da Receita Federal e da Polícia Federal.

A empresa, nas figuras de Eliana Tranchesi e de seu irmão Antonio Carlos Piva de Albuquerque, foi acusada de operar um esquema de subfaturamento de mercadorias importadas.

Os irmãos e dirigentes da empresa foram detidos. Em 2009, Eliana foi condenada a 94 anos e seis meses de prisão por formação de quadrilha, fraude em importações e falsicação de documento.

Contudo, ficou presa apenas 12 horas após liberação via habeas corpus devido diagnóstico de câncer no pulmão - doença que a levou a morte em 2012, aos 56 anos de idade. Antonio estava foragido desde 2013 e foi preso no último dia 30.


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