Beatriz Accioly é antropóloga e pesquisadora da USP
Livro sobre nudes
Beatriz Accioly é antropóloga e pesquisadora da USP

Escrito pela antropóloga Beatriz Accioly Lins, o livro “Caiu na Net: Nudes e Exposição de Mulheres na Internet” aborda as desigualdades de gênero em nossa sociedade, dando foco no aumento de denúncias de vazamentos de imagens intimas femininas e nos julgamentos que as mulheres vítimas recebem.

“Após acompanhar, para minha tese de doutorado, a rotina dentro de duas delegacias de defesa da mulher, percebi o aumento dos registros de ameaças e chantagens ligados às novas tecnologias, principalmente o uso dos smartphones”, conta a pesquisadora.

Segundo pesquisa da FGV, o Brasil possui mais de um aparelho celular por habitante (são 234 telefones para 211 milhões de pessoas). Assim, temos um ambiente em que não há mais sentido discutir o porquê da vítima tirar uma nude, mas sim o crime de vazamento e os desdobramentos dele. 

Em seu livro, Beatriz conduz o leitor pela trilha dessas imagens, vítimas de julgamentos morais, acusações e até perseguições. Na pesquisa acompanhou ativistas, gestores públicos, juristas, jornalistas e pesquisadores buscando elucidar as consequências dos vazamentos e como o Direito pode zelar pelas vítimas desse tipo de crime.

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Divulgação

Antropóloga da USP aborda a exposição de mulheres na internet

O crescimento das redes sociais e da sociedade cada vez mais conectada se torna facilita a vida de quem tenta constranger, intimidar e até aliciar alguma mulher. O julgamento, que antes só se via em tribunais, ganhou uma nova esfera: a cibernética. A pessoa que tem a intimidade exposta é taxada como sem valor e sofre um linchamento social muitas vezes pior que o veredito de uma ação de danos morais que possa ser movido contra o divulgador das fotos.

Para a autora de “Caiu na Net”, tais fatos escancaram a desigualdade e a violência de gênero que as mulheres sofrem dentro dessa temática. Se para algumas o ‘nude’ representa novas experiências de paquera e sedução, essas imagens podem se transformar em instrumento de chantagem e vazamento.

“A tipificação penal, em 2013, quando houve o ‘boom’ dos celulares no país, dificultava o trabalho da polícia. À época, pegamos emprestado o termo ‘pornografia de vingança’ da língua inglesa, na falta de termos uma nomenclatura nossa", resume a antropóloga. 

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