Integrante da federação de obstetrícia critica otimismo do Ministério e diz que qualidade do pré-natal precisa melhorar

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde mostram que a mortalidade materna caiu – diminuir o número de mulheres em idade fértil que morre por causa da gravidez é um compromisso assumido pelo Brasil.

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Se para a pasta a notícia da redução de 19% na mortalidade materna no primeiro semestre de 2011 (comparativamente ao mesmo período de 2010) é boa, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) prefere encarar os dados com cautela.

“Seis meses é um tempo muito curto para analisar os números da mortalidade materna. Pode ser um evento pontual”, diz o presidente da Comissão de Mortalidade Materna da entidade, Hélvio Bertolozzi Soares, acrescentando que ainda é cedo para comemorar resultados.

Em entrevista ao iG , Soares se diz cético em relação à redução das mortes de gestantes no Brasil. Segundo ele, os índices são os mesmos há muitos anos e a queda, muito lenta. Para ele, a visão dos obstetras precisa mudar urgentemente.

“Não acredito que os números tenham mudado tanto. Pode ter havido aumento no número de consultas feitas durante o pré-natal das gestantes, mas a verdade é que a qualidade do pré-natal não mudou. O perfil dos obstetras precisa mudar”, critica.

Leia: Como é o pré-natal perfeito

O médico, que é obstetra, afirma que os problemas são os mesmos na rede pública ou privada de saúde.

“Os fatores de risco que a paciente vai enfrentar durante o pré-natal, parto e pós-parto não são verificados e valorizados, encaminhados para um atendimento de risco durante toda a gestação”, explica.

Além disso, Soares critica a qualidade do atendimento de emergência obstétrica feito nos hospitais brasileiros.

“A gente vê todos os dias as dificuldades que essas mulheres enfrentam para conseguir atendimento de emergência. Isso não se muda do dia para noite. Falta atendimento especializado para as gestantes”, opina.

Causas indiretas

Para o presidente da comissão da Febrasgo o aumento das mortes de mulheres por causas “indiretas” à gestação – doenças prévias que se agravam com a gravidez – tem dois significados.

O primeiro – essa é a justificativa dada pelo Ministério da Saúde – é o de que as mortes passaram a ser investigadas e, com isso, muitos casos de doenças pré-existentes foram descobertos. O segundo é a falta orientação prévia às mulheres que querem ser mães.

“O mais importante para combater a mortalidade materna é reduzir os índices de mortes por causas diretas, porque significam melhor atendimento pré-natal. Mas não podemos nos esquecer de que falta orientação sobre risco reprodutivo, o que reduziria as mortes por causas indiretas”, diz Soares.

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