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Dor de parto é ironizada nas maternidades

Pesquisa mostra que 23% das mulheres sentiram-se humilhadas na hora de dar à luz

Fernanda Aranda, iG São Paulo | 24/02/2011 20:03

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Um sintoma considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos sinais vitais do paciente é ironizado pelas equipes médicas que atuam nas maternidades do País.

Pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Sesc, entrevistou 2.365 mulheres de todo território nacional e identificou os maus tratos sofridos pelas gestantes na hora do parto.

Entre as grávidas pesquisadas, 23% afirmaram ter sofrido humilhações no momento de dar à luz. Estas sensações foram vivenciadas por meio das frases ditas por médicos e enfermeiros sobre a dor enfrentada por elas durante as contrações e na hora de parir.

Os achados divulgados nesta quinta-feira, dia 24, indicam que 15% das grávidas participantes do estudo ouviram a frase “não chora não que no ano que vem você está aqui de novo”. Além desta, 14% das gestantes ainda tiveram que engolir a seco o questionamento “na hora de fazer não chorou. Não chamou a mamãe, por que está chorando agora?”. Os maus tratos contra as grávidas também foram expressados pela sentença ouvida por 6% delas: “se gritar, eu paro que estou fazendo. Não vou te atender. Por fim, conforme mostra a pesquisa, 5% das futuras mães ouviram a frase “se ficar gritando, vai fazer mal para o seu neném. Seu neném vai nascer surdo.”

Saiba mais sobre dor:

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Grávida de sete meses, a anestesiologista expert em dor, Fabíola Peixoto Minson, "ficou arrepiada" só de ouvir os dados do levantamento. Médica coordenadora da Sociedade Brasileira de Estudos para Dor, do Centro Integrado de Estudos da Dor e do Grupo de Dor do Hospital Albert Einstein, ela lamenta que parte dos profissionais de saúde ainda esteja desprepara e subvaloriza um sintoma tão importante como a dor.

Leia a entrevista a seguir

iG: Os dados desta pesquisa podem ser interpretados de que forma?

Fabíola: Sabemos que a dor faz parte do parto, mas isso não significa que ela tem de ser considerada normal pela equipe médica. De forma nenhuma a dor deve ser subvalorizada ou negligenciada. Pelo contrário. Existe uma série de mecanismos para aliviá-la que deveriam ser adotados em um momento tão especial como o parto.

iG: Esta forma de encarar a dor das pacientes pode acarretar que tipo de consequência?

Fabíola: Os problemas são muitos. Ansiedade, depressão, sem contar que o paciente sente-se desacreditado. Por isso é tão importante que as equipes sejam capacitadas para acolher as pessoas com dor. Para a dor existir basta que o paciente a sinta. O profissional de saúde deve acolher este sintoma e nunca julgá-lo.

iG: O Brasil vive hoje uma epidemia de partos cesáreas, segundo classifica o próprio Conselho Federal de Medicina. Além da postura de alguns obstetras, que muitas vezes conduzem a futura mãe para um parto com hora marcada, as mulheres afirmam que o medo da dor também afasta esta oportunidade. É possível tratar a dor do parto normal?

Fabíola: Sim, as possibilidades são muitas. Existem técnicas de relaxamento, de respiração e de massagem que contribuem para este fim. Além disso, a própria analgesia contribui para o alívio da dor, feita de forma individual. Muitas mulheres acreditam que parto normal não pode ter anestesia. Isto é um mito.

Veja mais: Anestesia personalizada para gestante

iG: Os dados do estudo sugerem que a dor do parto é encarada como frescura ou fraqueza. O que dizer para as pessoas que enxergam a dor desta forma?

Fabíola: A dor é um limiar que precisa ser respeitado, já que é considerada o 5º sinal vital do paciente. Da mesma forma que a respiração é monitorada constantemente, a pressão arterial sempre é checada, a dor do paciente, uma sensação individual, tem de ser monitorada. A compreensão é só o ponto de partida, já que este é um sinal físico e emocional. Normalmente quem subvaloriza a dor, quando enfrenta uma, muda de postura. 
 

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    109 Comentários |

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    • Jerusa | 01/03/2011 17:51

      Essa história de menosprezo às parturientes pelos "profissionais" de saúde é mais antiga que minha avó!...Pena que só agora uns poucos esclarecidos que passaram pelas mesmas humilhações ou seus parentes, resolveram colocar de lado a posição que ocupam e denunciar. Só espero que não passem apenas de um dado estatístico, e essa barbárie continue pelos quatro cantos do país com um monte de algozes vestidos de branco rebolando de nariz em pé pelos corredores ou fazendo piadinha como se não fossem humanos!

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    • Irlanda | 01/03/2011 16:16

      Se enganda quem pensa que só em órgãos públicos as grávidas são mal tratadas. Fui funcionária da Unimed Manaus durante 15 anos e vi alguns relatos desagradaveis quanto ao atendimento às grávidas. Eu passei por isso também. Cheguei ao pronto socorro que atende grávias com sete meses onde a bolsa já tinha estourado. Sentia muita dor, e quando as atendente chamaram as enfermeira para me atender esta vei com cara feia e muito grossa, perguntando : quem esta gritando de dro ai hem ? Eu não estava gritando mas me contraia por causa das dores. Depois chamaram a Médica que estava dormindo pois meu caso sera de urgência, esta ligou para minha médica e esta disse que eu não poderia esperae pois minha gravidez era de risco e estava com presão alta. A médica insistiu com minha médica obstetra que eu poderia esperar até o dia seguinte, mas minha médica praticamente a obrigou a me operar. Ela desligou o fone e disse a seguinte frase - e pessoal só vem aqui para encher o saco - e foi para sima de mim com muita goresseria deizendo que eu ia para a sala de coirurgia. Eu fiquei com muito medo. Uma enfermera grossa e um médica grossa. O que seria de mim e de minha filha. Fiquei com muito medo . Graças a Deus e a uma anestesiologista muito carinhosa meu parto deu certo.....Hoje minha filha esta correndo pela cas e estamos bem....Eu era funcionária desta cooperativa médica. fiquei imginando em outros lugares o qeu não fazem....e o governo não esta nem ai para este profissionais que seforma apenas para ganhar dinheiro. Espero que um dia tudo mude.

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    • maria aparecida | 01/03/2011 10:15

      Tenho tres filhos nascidos de parto "normal " e é a primeira vez que leio algo a respeito de dor e humilhação em maternidades.Meu primeiro filho nasceu na maternidade Santa Joana em São Paulo e a enfermeira que me acompanhou perguntou se eu achava que estava em um pequenique e que na hora do "bembão" eu não havia reclamado! O nome dela era Geni e passei anos cantando a música do Chico Buarque em homenagem a esta louca. Meus outros dois filhos nasceram no Hospital São Luiz, e nós pagamos a anestesia e foi tudo muito diferente. Gostaria que este tema fosse abordado e divulgado para que as coisas melhorassem nessa hora solene da vida da mulher.

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    • Mariane | 01/03/2011 09:06

      Estou totalmente de acordo com o comentário feito pela Madalena. Só que é muito difícil você provar que foi maltratada, insultada porque essas ofensas só acontecem quando você está sozinha, já se preparando para o parto; nesse momento seus familiares estão do lado de fora esperando, e mal imaginam que você está sendo maltratada. Isso aconteceu comigo no hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Cheguei ao hospital com muita dor, pois, já estava com uma dilatação de 7cm., e quando chorava de dor, uma aux. de enfernagem dizia: "na hora de fazer você não sentiu dor", e ela disse isso várias vezes, pois a dor era tanta, que depois de duas horas esperando na ante-sala cheia de mofo e rachaduras no teto, comecei a gritar e, o médico anestesista estava na sala ao lado vendo tv e conversando com outros médicos. Essa aux.de enfermagem disse também: "você é muito mole, nenhuma mulher chora na hora do parto, você é molenga, na hora de fazer você não gritou". Senti-me muito mal com tudo isso. Meu filho já estava quase nascendo e a aux.de enfermagem dizia que não estava na hora de dar anestesia porque não tinha 10cm de dilatação (ela nunca me examinou para saber se já estava ou não com 10cm.). Ora, meu filho quase nasceu na sala pré-parto. Fiquei nessa sala durane 3 horas aguardando o anestesista. Foi um sofrimento muito grande. Saí do hospital traumatizada. Isso acarretou muitos problemas para mim. Nunca tive coragem de contar ao meu marido nem aos meus pais. As pessoas, em geral, não acreditam que isso acontece numa hora tão divina de dar à luz.

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    • Erika Vanessa | 28/02/2011 15:54

      Estou pensando em engravidar e, em consulta ao meu ginecologista, descobri que os planos de saúde pagam de honorários R$300,00 por parto, independentemente se normal ou cesárea. No parto normal pode levar o dia todo para a mulher dar a luz e o médico tem que ficar de prontidão, às vezes em domingos e feriados... Por isso, bons profissionais estão deixando a ginecologia e obstetrícia de lado e optando por especializações em estética, pois diminui a responsabilidade e ao mesmo tempo são melhores remunerados. Estão sobrando para este tipo de atendimento os maus profissionais, que não conseguiram se estabelecer, e os recém formados que aceitam qq tipo de remuneração... Pessoas sem comprometimento com a profissão e com os pacientes.

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    • angela silva | 28/02/2011 13:10

      Infelizmente, no Brasil, é quase praxe e não é só a DOR do parto que é subvalorizada. Muita gente da área da saúde, tornaram-se ,"meio que robores", mecanizados. Acham tudo frescura e exagero. Os pacientes são humilhados numa hora que não nos é possivel fazer muito coisa, pois quando estamos em algum procedimento nos hospitais ficamos inteiramente "a mercê" da equipe médica. Contra essa indignação, só nos resta gritar, chorar e clamar por Deus para que Ele venha em auxílio dos que nos estão atendendo. Que tenham compreesão da vocação ou profissão que ascolheram.

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    • lilian cardoso | 28/02/2011 11:16

      tenho 26 anos tive minha primeira filha com 17 anos hoje ela tem 8 anos meu parto foi normal sofri demais chequei no hospital ás 3;00 da manhã e fui ganhar ela 12:30 eu tava até passada de tanta dor por isso hoje eu tenho um grande tralma de ter mais filhos se algum dia eu mudar de ideia vou obter por cézaria

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    • Karina | 27/02/2011 22:45

      Já ouvi relatos de mulheres da minha cidade, dizendo que são maltratadas na área de ginecologia e obstetrícia, não só em hospitais, mas também em Postos de Saúde.
      Uma falta de respeito total pela mulher e pelo SER HUMANO,
      Lamentável, e deve-se sempre que possível dizer ao agressor que será dada queixa contra ele.

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    • Ronaldo | 27/02/2011 10:28

      Toda pesquisa tem ser analisada de forma mais rigorosa, pois nao é relatado as regioes do brasil aonde houve o maior numero de queixas pois como ja foi comentado as vezes expressoes regionais de certos lugares podem ofender em outros. outra questao importante é que hoje sao equipes de saude e nao apenas equipe medica pois o conceito hoje é equipe multidiciplinar composta por medico, enfemeiro e tecnico de enfermagem, que na maioria das vezes é compostas por mulheres. entao uma analise mais criteriosa é necessaria para definir o que foi constrangedor ou náo

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    • neusa maria domingues | 27/02/2011 09:49

      Isso aconteceu comigo 26 anos atrás quando não existia convênio médico, o tal do INSS,pelo médico fui bem tratada , pelas enfermeiras humilhada, chegaram a me dizer a seguinte frase, na hora de ............... foi bom né , tire suas próprias conclusões, do que ela falou, fiquei tão indignada que disse a ela, ( OLHA AQUI NÃO SOU COITADINHA , BURRINHA COMO VOCÊ PENSA , SAINDO DAQUI VOU TE DENUNCIAR, E ME FAZ UM FAVOR , NÃO TOQUE EM MIM ,SENÃO EU GRITO, RAPIDINHO ELA SAIU QUERENDO SER VITÍMA, VIERAM ME PERGUNTAR O QUE TINHA ACONTECIDO, EU DISSE A VERDADE E EXIGI QUE EU NÃO VISSE MAIS CARA DELA, PRONTO DEPOIS DESSA FOI TRANQUILO, ELES ABUSAM DE MULHERES QUE NÃO ENTENDEM QUE PODE CONTESTAR.

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