Tenho 24 e namoro virtualmente há 2 anos com um rapaz de outro estado. Em janeiro descobri que ele também fazia sexo virtual com outra... Fiquei arrasada, me senti muito mal. Ele nem me conhecia pessoalmente, mas fiquei super triste e terminei o namoro. Dois dias depois, voltamos a namorar. Na época eu simplesmente não consegui deixá-lo. Todos me dizem que devo sair dessa e começar a viver a vida real. Antes dele tive 3 relacionamentos reais, mas não foram satisfatórios! Por que nos tornamos dependentes de relacionamentos?
Complexos e dependências
A tecnologia vem trazendo muitas novidades, inclusive em relação aos relacionamentos. Ainda é muito cedo para que os estudiosos de comportamento possam avaliar o que é certo ou errado neste campo. Mas uma coisa já podemos afirmar: existe um complexo, uma dependência do computador, que sinaliza que algo na vida não está correndo como deveria e os afetos precisam ser mudados ou revitalizados.
Veja como você coloca em oposição o relacionamento real e o virtual. Então o virtual não é real?
Para falar um pouco mais de dependências e complexos, vou citar um trecho do meu livro, “Tocando a Vida”, Ed. Aretê:
“Complexo é toda dependência que vai na contramão das liberdades individuais. É uma distorção do amor, uma dificuldade de fazer escolhas. É deixar-se aprisionar por armadilhas pessoais e profissionais".
Seja que complexo ou síndrome for, fica claro que todo co-dependente é um ser sem limites. Principalmente porque ele se mistura muito com o outro, no seu trabalho, na sua família, na sua vida. E no fim se torna incapaz de administrar a vida de todo mundo e metade da sua própria. Ele sabe o que o outro gosta e quer se antecipar aos seus desejos. Então, para saber o que ele mesmo gosta, é muito complicado. Começa a fazer tudo por todos, tentando atender a tudo e a todos, sem limites. E o que acaba acontecendo é o “nivelar por baixo” tudo que recebe de retorno. Então, qualquer migalha, seja do feedback do chefe, submissão da família, dos relacionamentos pessoais, qualquer coisa pequena, qualquer pequeno elogio acaba sendo suficiente, porque fornece essa sensação ilusória de que conseguiu controlar o amor do outro.
São muitas as saídas desse estado. Pode ser através de ajuda profissional ou mudança de vida. Mas todos passam sempre por algum caminho que leve a liberdade real da pessoa, sem essa conexão exagerada a tudo que é fora de si mesmo. O estar ligado torna-se estar preso. Na verdade, é preciso ser mais verdadeiro, mais autêntico, mais transparente. Não ter medo de ver ao que se está preso, porque isso no fundo traz certo receio de liberdade. Porque estar preso também significa estar seguro para as pessoas que necessitam estar conectadas ou são co-dependentes.
Para essa doença há cura: substituir a autopiedade pela raiva e pela vontade de mudar. A conscientização de que os olhos negativos e críticos não estão nos outros. Descobrir o juiz implacável que está dentro de nós é a seqüência do caminho. Seguir na direção do outro, da troca e do contato íntimo abre possibilidades de uma vida muito mais plena e completa”.
Tocando a Vida é o primeiro livro de Sônia Blota. A terapeuta resume-o da seguinte forma: "Quando alguém está perdido ou sem saber muito bem aonde ir, a placa lhe diz rapidamente onde ele se encontra, para onde aquele caminho o levará e de onde vem aquela estrada. A placa não carrega ninguém, mas pode trazer um significado para aquele momento".