Em um ano, berços terão certificação obrigatória do Inmetro. Até lá, aprenda a observar você mesma a segurança da peça

Segurança: enquanto a certificação do Inmetro não se torna obrigatória, pais devem observar cantos e medidas
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Segurança: enquanto a certificação do Inmetro não se torna obrigatória, pais devem observar cantos e medidas
Dentro de um ano, os berços infantis fabricados no Brasil ou importados precisarão de certificação do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). A decisão do órgão, anunciada em julho deste ano, prevê dezembro de 2012 como prazo para adequação do mercado.

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Atualmente os fabricantes de berços infantis podem obter o certificado caso cumpram com as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), mas somente de forma voluntária – o selo não é uma regra.

“Tem pouca gente realmente preocupada com segurança. Querem vender o mais bonito, com mais detalhes, e é aí que mora o perigo”, diz a pediatra Renata Waksman, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). De acordo com Aline Oliveira, da Diretoria de Qualidade do Inmetro, as 11 marcas disponíveis no mercado brasileiro foram reprovadas em análise feita em 2007, e por isso será exigida uma certificação compulsória.

“No programa de análise, encontramos berços que não tinham manual de instruções, com madeira frágil demais e espaçamento entre as ripas dos estrados desobedecendo às normas. Encontramos até cantos pontiagudos que podiam machucar o bebê”, recorda Aline.

Susto com o berço vazio


Antes da certificação entrar em vigor, os pais devem observar alguns pontos essenciais de segurança. “Mesmo que a nova regra ainda não esteja vigente, os pais podem buscar produtos com as características que deverão ser seguidas”, recomenda Alessandra Françóia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura. Assim, eles podem evitar o susto pelo qual passou a psicanalista Beatriz Mecozzi Moura, de 56 anos.

Enquanto recebia a visita da mãe, Beatriz deixou a filha Veridiana dormindo no berço. Em pouco tempo, a filha começou a chorar e a avó subiu ao quarto para acalmá-la. Surpreendentemente, o berço estava vazio e o choro continuava. Minutos depois, Beatriz descobriu que a filha havia escorregado pelo canto direito do berço. O pino de suporte do estrado havia estourado e o fundo do berço pendeu. “Confesso que nem pensei em reclamar do produto, o que fizemos foi chamar um marceneiro”, conta. Como nada de grave aconteceu, hoje Beatriz se lembra da história com graça. Mas o perigo da situação é indiscutível.

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De acordo com Aline Oliveira, do Inmetro, a segurança do berço começa pelas bordas e partes salientes, que devem ser arredondadas e isentas de quaisquer rebarbas e arestas. Além disso, os rótulos e decalques colados ao berço não podem estar situados nas superfícies internas das laterais e extremidades do berço, pois a criança pode retirá-los e colocá-los na boca.

A madeira deve ser forte, estável e estar isenta de apodrecimento e ataque de insetos. As partes de metal – incluindo molas e parafusos – também devem ser resistentes e protegidas contra corrosão.
Todos devem estar marcados com informações sobre razão social, nome ou marca registrada do fabricante, distribuidora ou varejista, e meios adicionais de identificação. O manual de instruções também é imprescindível.

Abaixo, veja as principais qualidades que os berços devem ter , além, é claro, da necessidade de manejo responsável pelos pais:

- A pintura do berço não deve ser feita com tinta tóxica, ou seja, não pode conter chumbo.

- O berço não pode ter relevos muito altos: O bebê pode se bater e se machucar.

- As grades, que costumam poder ser reguladas em diferentes níveis de altura, precisam ter travas – e os pais não devem deixar as grandes completamente abaixadas em nenhuma hipótese.

- É ideal que o estrado debaixo do colchão seja uma única placa de madeira.

- Os pais devem lembrar que a posição mais baixa do estrado é a mais segura: caso o berço tenha regulagem de altura, assim que o bebê completa seis meses, é importante manter o estrado na posição mais baixa, com as grades sempre elevadas.

- As grades laterais devem ter, entre elas, um espaço entre elas de no máximo seis centímetros. Já a altura ideal das grades é de 60 centímetros.

- Protetores acolchoados de grades devem estar bem presos ao berço. A criança não pode conseguir passar braços ou pernas pelo espaço entre as grades, nem escalar o berço com a ajuda dos protetores.

- A posição mais baixa que a grade lateral deve ter em relação à superfície superior do estrado é de aproximadamente 23 centímetros.

- O colchão deve ser plano e sem possibilidade de deformações, e deve se ajustar ao berço perfeitamente. Não pode haver fresta alguma entre o berço e o colchão.

- O ideal é comprar todos os produtos que compõem o berço no mesmo lugar.

- A roupa de cama utilizada também deve estar bem firme, se prendendo ao colchão firmemente pelas laterais e pés.

- Os berços que tiverem rodinhas devem ter travas, impreterivelmente.

- Ainda, é importante que os berços não sejam colocados perto de janelas ou cortinas e os pais nunca deixem as grades abaixadas, mesmo com o bebê bem pequenininho.

- A criança não pode ser capaz de levantar a base do colchão ou do berço de dentro do próprio berço.

- Não pode haver nenhum móbile perto o suficiente para a criança conseguir se pendurar e subir – e, assim, cair do berço.

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