Gustavo nasceu com seis quilos e 54 centímetros
Após nove meses de gestação, o bebê tem aproximadamente 3,5 quilos e mede de 45 a 50 centímetros. Há muitas exceções à regra, naturalmente. Mas poucas tão impressionantes como a de Gustavo, nascido com seis quilos e 54 centímetros no fim do mês passado, em Salvador, na Bahia. O bebê quase bateu o recorde do indonésio Muhammad, nascido com 8,7 quilos e 62 centímetros, em 2009 (leia outros recordes relacionados à maternidade). O que faz com que essas crianças nasçam assim tão grandes?
O obstetra Frederico Peret, especialista em gravidez de alto risco de Belo Horizonte, Minas Gerais, enumera três causas principais para o bebê nascer acima do peso comum. Uma é de ordem constitucional: se a mãe e o pai forem grandes, as chances do bebê nascer maior que o esperado, com aproximadamente 4,5 quilos, aumentam. Outra é a obesidade da mãe, que também pode colaborar para a obesidade da criança, pois levanta a possibilidade de uma anormalidade em relação à glicose no corpo. E esta segunda causa pode estar associada à mais importante a ser discutida: o diabetes gestacional.
Grandes e frágeis
“Se a mãe tem um nível de glicose elevado no organismo, a criança também vai ter”, diz Peret. De acordo com a pediatra Alessandra Cavalcante, do Hospital e Maternidade São Luiz, o metabolismo da mulher pode ter uma variação em relação à produção de insulina – hormônio responsável pelo controle da taxa de açúcar no sangue – durante a gravidez e, assim, o bebê pode correr o risco de nascer com o peso acima do normal. “São os bebês que chamamos de GIG – sigla de Grande para a Idade Gestacional”, diz. Mas não é habitual uma mãe com este tipo de problema ter um bebê com mais de 4,5 quilos.
Segundo Alessandra, é possível que uma criança nascida com seis quilos – como é o caso de Gustavo – tenha alguma alteração no próprio metabolismo. Peret explica o mecanismo. “O feto entende o excesso de glicose que chega até ele como energia; isso o faz produzir mais insulina, ocasionando o maior crescimento, já que a insulina é um hormônio anabólico”, diz. Com o metabolismo desregulado, estas crianças podem ser vítimas da hipoglicemia – diminuição do nível de glicose no sangue – ao nascer.
A alteração do metabolismo da criança a partir do diabetes gestacional da mãe pode até ser fatal. “Quanto mais a criança cresce dentro do útero, mais energia ela precisa. Muitas vezes a placenta não é suficiente para suprir aquela demanda”, afirma Peret. Além disso, de acordo com o ginecologista e obstetra Gustavo Kröger, especialista em reprodução humana da clínica GENICS – Medicina Reprodutiva e Genômica, nestes casos não adianta insistir no parto normal: se o bebê está acima de quatro quilos, a cesárea é a melhor opção.
Maternidade controlada
Desenvolver diabetes durante a gestação não significa ter o problema pelo resto da vida. Porém, Kröger diz que as chances existem. Há casos de mulheres diabéticas que só descobrem a doença durante a gestação, o que também traz riscos à saúde do bebê se o problema não for controlado. Por isso não se pode esquecer do exame de glicemia de jejum, normalmente realizado durante o pré-natal. O teste de tolerância oral à glicose também pode ser feito caso alguma alteração no organismo for apresentada no primeiro exame. E cuidar da alimentação é sempre altamente indicado.
Para evitar que o diabetes faça estragos durante a gestação, é preciso estar atenta aos riscos. “A mulher com histórico de diabetes na família ou com mais de 40 anos tem maiores chances de desenvolver diabetes gestacional”, alerta Peret. Se o problema já foi diagnosticado, será necessário fazer o teste de glicemia capilar periodicamente, para monitorar os níveis de glicemia do sangue. Uma consulta ao médico vai definir a necessidade de insulina e a dieta adequada.
O principal problema que o bebê costuma ter é a hipoglicemia ao nascer. “Depois da primeira semana de vida já não há tantos riscos à saúde”, diz Alessandra. Mas um quadro de diabetes gestacional não diagnosticado e, consequentemente, não controlado, segundo Peret, pode selar o destino do bebê e fazer com que ele se torne uma criança, um adolescente e um adulto obeso.
Durante o pré-natal da minha primeira gestação descobrimos o diabete gestacional. Fiz o acompanhamento com um endocrinologista e uma nutricionista, como queria muito que o parto fosse normal cuidei muito da minha alimentação, seguindo à risca uma dieta e fazendo caminhadas, resultado: engordei apenas 7 quilos, minha filha nasceu saudável com 46 cm e 2,605 kg de 37 semanas e de parto normal. Mas sem o diagnóstico, o controle e a disciplina nada disso seria possível.
Responder comentário | Denunciar comentárioExiste uma cultura de que a gestante deve comer por dois. Eu estou grávida e por diversas vezes escuto isso, principalmente das pessoas mais velhas. Se não ficarmos atentas, acabamos nos "contaminando" com esta idéia errônea, até porque comer é muito bom, e depois que passam os enjôos o apetite só melhora. Então prefiro seguir uma dieta balanceada, o mais natural possível, muitas frutas e verduras e intercalar com lanches para evitar aquela fome desesperada. Como dizem os mais sábios, o bebê deve "engordar"(com saúde) fora da barriga, e não dentro.
Responder comentário | Denunciar comentárioÉ importante lembrar dos hormonios de crescimento que vem na carne dos animais, especialmente os frangos que crescem em apenas 45 dias. Quando nos alimentamos desses animais parte dos hormonios vem junto e ai tudo cresce. \nAlém dos hormonios ainda tem os antibióticos. Quem é controla esses antibioticos e hormonios?\nIsso age de maneira diferente em cada pessoa o resultado são essas situações. Abram os olhos e tomem cuidado com a comida industrializada, incluindo a produção cruel de animais como os frangos
Responder comentário | Denunciar comentárioRenan | 07/04/2011 21:40
Bom, se o problema é o leite... parem de amamentar os bebes!!! Galera, vão ler mais e falar menos besteira!!!
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