A modelo e estudante carioca, apaixonada por todas as modalidades de folia, põe na ponta do lápis os custos da festa e conta os dias para entrar na avenida

Enquanto caminha usando um microvestido de malha de ferro e sapatos de saltos altíssimos cobertos de cristais pelo Forte de Copacabana, Suelen Carvalho, 25 anos, vibra: “Estou me sentindo que nem criança! Não quero tirar o vestido nunca mais”. A cena, atípica no cenário rotineiramente calmo do Forte, chama a atenção dos frequentadores do local, que costumam ir até lá justamente para curtir a paisagem, o silêncio e, muitas vezes, fugir do que Suelen mais ama: o carnaval.

Para a modelo e estudante de moda a folia vai muito além da euforia dos blocos carnavalescos que se espalham pelo Rio nessa época do ano. Nascida na Tijuca e criada em Madureira, bairro considerado o berço do samba, Suelen se recorda de ir aos bloquinhos de rua fantasiada de odalisca e, mais tarde, já adolescente, se tornar frequentadora assídua de micaretas. “Sempre amei o carnaval em si, não importa qual estilo, do Rio ou da Bahia”, lembra ela. Mas a história mudou quando uma amiga, passista da Acadêmicos da Rocinha, a convidou para experimentar a sensação de participar do carnaval na Marquês de Sapucaí, em 2009.

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“Foi o maior barato porque ali me apaixonei pelo carnaval de avenida. Saí no abre-alas, então comecei bem, né?”, conta Suelen. “Acho lindo aqueles carros, a preparação o ano inteiro para fazer aquilo tudo. Quem é da comunidade dá a vida por aquilo. É bonito ver aquele carro luxuoso entrar na Avenida, as pessoas com aquelas fantasias sorrindo. Tem uma energia indescritível”, afirma a morena.

Depois de desfilar na Rocinha a carioca não parou mais. Através de um ex-namorado ela conheceu a Mocidade Independente de Padre Miguel e passou a frequentar todos os ensaios da escola. Na verde e branca, ela também saiu no abre-alas e, para o carnaval 2013, recebeu o convite para desfilar como musa.

“Fiquei muito feliz! É a escola que eu abracei, que passei a frequentar sempre e que amo. Não piso em outra quadra”, diz a musa, que está se preparando para fazer bonito.

Samba no pé

Apesar de apaixonada pela folia, Suelen confessa que seu forte nunca foi o samba no pé. “Eu sou péssima!”, conta aos risos. Desde que recebeu o convite para ser musa, a morena passou a fazer aulas com o coordenador dos passistas da Mocidade, George Louzada. Suelen optou por aprender passos de samba para desfilar com leveza, já que irá carregar uma fantasia de 9 kg. De tanto treinar, emagreceu dois quilos: dos 55, passou para 53 kg distribuídos pelos seus 1,64 m.

A rotina regrada não exige um sacrifício apenas pela força de vontade de Suelen. O carnaval também mexe com o bolso da modelo, que emenda um trabalho no outro para poder bancar a rotina que envolve vestidos novos para os ensaios, cabelo, maquiagem e a tão sonhada fantasia para o dia do desfile. Suelen conta que cada vestido custa em média R$ 700.

Quando o assunto é o preço da fantasia que usará no dia do desfile, Suelen tenta desconversar, mas acaba deixando escapar que o traje custou aproximadamente R$ 40 mil – depois que a modelo pediu desconto. Apesar dos valores astronômicos, Suelen defende o sonho. “Você entra poderosa, tipo Cinderela. Chega brilhando e é o seu momento. Estou contando os dias, ansiosa, com aquele nervosismo”.

Sobre o carnaval que se aproxima, ela dá o recado: “Fiquem de olho na bateria da Mocidade porque é excepcional. Não existe mais quente! Mesmo quem não sabe sambar não consegue ficar sem se mexer”. Mas certamente a professora de inglês Carolina Ferrari discorda: paulistana de 39 anos, ela odeia carnaval .

Agradecimentos: maquiadora Karla Castro e Forte de Copacabana

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