Sexóloga e colunista do Delas, Fátima Protti esclarece dúvida de leitora que, apesar da vida sexual ativa, não consegue chegar ao clímax

"Fátima, tenho 41 anos e não sei porque nunca tive um orgasmo. Com o meu ex-marido eu fingia e com o ex-namorado, que era muito carinhoso durante a transa, eu começava a me excitar. Mas na hora da penetração desanimava. Não sou feliz e preciso da sua ajuda".

Orgasmo feminino é cercado de mitos
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Orgasmo feminino é cercado de mitos


Das mulheres com dificuldades para chegar ao orgasmo, 21,7% estão na faixa entre 41 e 50 anos

Cara leitora, parece que você está à espera do orgasmo vaginal, criando um problema em sua vida sexual.

Recebo na clínica um número significativo de mulheres que apresentam dificuldades para atingir o orgasmo.

São mulheres de variadas faixas etárias, desapontadas com sua vida sexual, com seus parceiros ou consigo mesmas. Algumas apresentam ausência de libido devido ao sexo frustrante ao longo da união, sem expectativas de mudanças. Buscam na terapia sexual a solução de seu problema.

O Estudo sobre a Vida Sexual do Brasileiro (2002), coordenado pela médica psiquiatra Carmita Abdo, fundadora do ProSex – Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas, revelou que das 2.762 mulheres pesquisadas com dificuldades para atingir o orgasmo, 21,7% estão na faixa entre 41 e 50 anos.

Os fatores que dão origem a essa disfunção são diversos: falta de foco nas sensações corporais, dificuldades para manter a excitação, pouca ou nenhuma estimulação do clitóris, entre outros.

Conheci mulheres que desenvolveram, inconscientemente, um rígido controle de sua entrega aos prazeres sexuais pelo medo das reações e sensações desconhecidas durante o orgasmo.

A insegurança no relacionamento, também pode levar a mulher a ter esse controle. Nesse caso, a ausência do prazer serve para punir o parceiro, não demonstrar fragilidade ou o envolvimento de “estar na dele”. A excitação fica em um sobe e desce, impedindo que o orgasmo aconteça.

Dificuldades para explorar e sentir-se à vontade com sua sexualidade devido a crenças, questões religiosas e valores morais também podem inibir a resposta orgástica.

A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras
Edu Cesar/Fotoarena
A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras

Para algumas mulheres, o orgasmo vaginal é um desafio constante e um objetivo a ser conquistado em sua vida sexual.

Há várias discussões a respeito das diferenças entre o orgasmo vaginal e o clitoriano. Um dos estudos revela que são diferentes porque ativam áreas distintas do cérebro, apontando talvez diferenças psicológicas. Outro sugere que o orgasmo vaginal pode ser o clitoriano, pois a estimulação da parede frontal da vagina ativa partes internas do clitóris.

Muito se diz a respeito. Mitos foram criados sobre o assunto provocando dúvidas, curiosidades, expectativas e ansiedade para muitas mulheres.

A maioria tem o seu orgasmo com a estimulação do clitóris, não somente com a penetração. Isso é normal e o prazer pode ser enorme, tanto quanto o vaginal. O conjunto de estímulos presentes na transa, as fantasias, o erotismo, as práticas sexuais e o entrosamento do casal é que determinam o potencial do prazer orgástico.

Use a estimulação do clitóris com as mãos ou língua e posições que favorecem o contato do clitóris com o púbis do parceiro, durante o coito, para chegar ao clímax e se sentir feliz.

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