Tamanho do texto

Um estudo recente contou os orgasmos masculinos e femininos mostrados nos 50 vídeos mais assistidos do "PornHub" e, além de mostrar uma grande diferença, concluiu que isso pode influenciar a atitude das pessoas no sexo

De acordo com levantamentos realizados pelo “PornHub” – um dos maiores sites de pornografia do mundo – desde 2013, o número de mulheres entre os usuários ativos no site só aumenta . Além disso, em 2017, o termo que mais cresceu em quantidade de buscas foi “porn for women” (pornô para mulheres), mostrando que elas não só estão acessando mais esse tipo de conteúdo, mas procurando aqueles que sejam especificamente voltados para o público feminino.

Muito do que a pornografia mostra não deve ser levado a sério, mas, como o sexo ainda é considerado tabu por muita gente, há quem use esse tipo de material como
Shutterstock
Muito do que a pornografia mostra não deve ser levado a sério, mas, como o sexo ainda é considerado tabu por muita gente, há quem use esse tipo de material como "guia" e acabe se decepcionando um bocado na hora de fazer sexo

Conforme explicam especialistas , a pornografia pode ser algo bastante útil para despertar novas fantasias sexuais, mas, quando usada para fins “educacionais”, os falsos cenários mostrados nos filmes atrapalham muito mais do que ajudam. Quando as pessoas consideram real aquilo que veem no pornô, acabam desenvolvendo expectativas que não se cumprem entre quatro paredes e, de acordo com um estudo recente, o universo da pornografia pode contribuir para a propagação de ideias erradas até sobre o orgasmo feminino.

Orgasmo masculino em foco

No estudo em questão – “Consumindo ecstasy: Representações do orgasmo masculino e feminino na pornografia de massa”, publicado no periódico “Journal of Sex Research” em 2017 – os pesquisadores analisaram os 50 vídeos mais assistidos do “PornHub” para estipular a frequência com a qual orgasmos femininos e masculinos são mostrados. Para isso, porém, eles não levaram em consideração a autenticidade dos orgasmos, e sim a representação deles, estabelecendo indicativos físicos de que eles estavam sendo retratados (como gemidos, respiração acelerada, entre outros).

Como resultado, os pesquisadores notaram que, enquanto 78% dos homens que aparecem nos vídeos foram mostrados chegando ao ápice do prazer durante relações sexuais, o mesmo ocorreu com apenas 18,3% das mulheres. Na hora de contar os orgasmos, a equipe também os dividiu entre “ambíguos” e “claros”, e os orgasmos femininos e masculinos retratados nos vídeos também diferem nesse ponto. Enquanto oito de 20 orgasmos femininos foram considerados ambíguos (ou seja, não foram representados com sinais tão claros de que as mulheres chegaram ao clímax), isso não ocorreu com nenhum dos masculinos.

Outro dado encontrado pela equipe é o de que, entre os 50 vídeos, apenas um era finalizado com um orgasmo feminino. Nos filmes restantes, o “ponto alto” era sempre o orgasmo masculino, com casos em que o vídeo havia sido cortado antes de mostrar a ejaculação masculina e exigia que o usuário fizesse o download do material para ver o momento do ápice – mostrando-a, portanto, como a mais importante.

Clímax de procedência duvidosa

Além de contar a quantidade de orgasmos femininos e masculinos nos vídeos, a equipe também analisou quais práticas levaram as pessoas – especialmente as mulheres – ao ápice do prazer. O que acontece nos vídeos, porém, vai contra outros estudos e até contra a própria biologia feminina.

Enquanto  especialistas afirmam que o orgasmo pela estimulação do ponto G (ou seja, por penetração) é mais difícil de se atingir do que o decorrente da estimulação do clitóris, 45% dos orgasmos femininos dos vídeos foram induzidos única e exclusivamente pelo sexo vaginal, 35% pelo sexo anal e apenas 5% pelo sexo oral.

De acordo com um estudo publicado em 2017 , a combinação de beijos profundos, sexo oral e manipulação genital é a que mais faz com que mulheres cheguem ao clímax, mas, nos vídeos analisados, apenas 25% dos orgasmos femininos foram gerados por estimulação direta ou indireta do clitóris e 15% vieram de práticas combinadas.

Influência negativa?

Na vida real, especialistas afirmam que as mulheres realmente demoram mais que os homens para “chegar lá” e não é muito difícil encontrar aquelas que têm dificuldades reais em fazê-lo . Por um lado, a pornografia mostra algo parecido ao apresentar mulheres gozando menos que homens, mas, por outro – e levando em consideração a conclusão dos pesquisadores de que o retrato do sexo feito pela mídia e pela pornografia pode afetar as expectativas e atitudes das pessoas –, é possível que esse material “incentive” mulheres a se contentarem com a falta deles e com o prazer masculino sendo mais importante. 

Além disso, os pesquisadores também concluíram que a pornografia cria uma espécie de “script” para o homem real, colocando na mão dele o papel de fazer a parceira gozar. Segundo eles, isso pode fazer com que as mulheres se esforcem menos para conhecer o próprio corpo e acostumem-se a apenas aceitar o que o parceiro faz como a única forma de “chegar lá”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.