Pretos-velhos: conheça a história das entidades ancestrais da Umbanda
Equipe João Bidu
Pretos-velhos: conheça a história das entidades ancestrais da Umbanda

Os Pretos-Velhos e Pretas-Velhas são entidades ancestrais típicas da Umbanda, religião brasileira fundada em 1918 e marcada pelo forte sincretismo cultural. Enquanto encarnados na vida aqui na Terra, foram seres humanos como todos nós. Descendentes dos africanos traficados e trazidos para o Brasil, a maioria foi escravizada. Após sua morte, os Pretos e Pretas-Velhas se tornaram espíritos evoluídos e hoje voltam para ajudar e orientar todos que a eles recorrerem.

A principal lição que nos passam é a sua humildade, simplicidade e generosidade. Inclusive, são uma das entidades mais carismáticas da Umbanda . Estar diante deles nos dá a sensação de paz, de abrigo, amparo e carinho. São espíritos que curam, fazem milagres e dão alento, nos ensinando sobre o amor, a fé na humildade e na esperança, bem como a festejar a vida enquanto estamos vivos. Mas, a trajetória destas entidades não para por aí. Conheça a história dos Pretos-Velhos

História dos Pretos-Velhos 

Já dizia o samba “Nas veias do Brasil”, de Luiz Carlos da Vila: “Os negros/ Trazidos lá do além- mar/ Vieram para espalhar/ Suas coisas transcendentais.Tantos o Preto-Velho já curou/ E a mãe preta amamentou/ Tem alma negra o povo.”

Os africanos chegaram ao Brasil na condição desumana e cruel do tráfico de pessoas durante a escravidão. Pessoas negras de várias etnias foram sujeitas a viajar em um mesmo navio negreiro, em uma mistura forçada de Bantos, Congos, Angolanos, de Luanda, da Guiné e por aí vai. Destituídos de seus títulos por conta das guerras territoriais do seu continente, a população negra em nenhum momento foi fraca. Entre eles haviam reis, rainhas, guerreiros e sábios, espalhados não apenas no solo brasileiro, mas por toda a Europa e Américas.

Quando chegaram ao Brasil, foram vendidos e escravizados. As mulheres tornavam-se amas de leite e cozinheiras na Casa Grande, enquanto os homens mais fortes eram tratados como reprodutores para manter a linhagem da escravidão. As senzalas onde viviam acabaram por se tornar o berço da resistência negra . Nelas, africanos das diferentes etnias eram obrigados a compartilhar um único ambiente, assim como nos navios negreiros.

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Os senhores brancos acreditavam que o fato de não falarem a mesma língua e serem considerados inimigos em sua terra natal impediria qualquer motim ou rebelião. Mas não foi o que aconteceu. Os africanos, percebendo que independente do que eram em sua África Mãe estavam todos na mesma situação, pouco a pouco foram dialogando. Passaram a compreender e aceitar a cultura regional um do outro, seus costumes e crenças, achando semelhanças nas diferenças e tornando a união cada vez mais forte.

Aos poucos foram surgindo os levantes pela liberdade, os quilombos, as fugas. Muitos mantinham seu temperamento e sua fé e eram lenhados no tronco. Outros tantos davam guaridas e orientavam os mais fortes e jovens a buscarem o caminho para a libertação do povo. Assim, diretamente da resistência da população negra, surgem os Pretos e Pretas-velhas, entidades sábias, ancestrais, que voltam à Terra para guiar e amparar seus descendentes.

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