João Bidu

Você é pipoca ou piruá?
Renata Prado
Você é pipoca ou piruá?

Toda dificuldade traz sempre uma grande lição. 

Embora a gente procure remédios para as dores do mundo, é preciso coragem para encarar o fogo (dor e desafio) que algumas vezes se coloca à nossa frente. 

Nos momentos de medo, quando a oportunidade de sair do casulo se apresenta, é preciso humildade para admitir que não é o dono da verdade, ter a coragem para libertar-se de velhos hábitos e de dar um salto no vazio rumo à transformação, para que se possa nascer de novo para a verdadeira natureza e para quem, realmente, se é.

A transformação do milho duro em pipoca macia é o símbolo da grande transformação pela qual deve passar o ser humano, para que ele venha a ser o que deve ser. 

O milho da pipoca não é o que deve ser, porque, na verdade, ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. 

O milho da pipoca é o ser humano: duro, quebra dente e impróprio para comer, mas, pelo poder do fogo pode, repentinamente, se transformar em outra coisa – voltar a ser criança. Por outro lado, o milho que se recusa a sair da casca e estourar (mesmo sob fogo ardente) fica piruá – duro e triste, como a pessoa inflexível que se recusa a mudar e permanece igual à vida inteira, por ter a convicção de que o jeito dela é o melhor jeito de ser. Mais cedo ou mais tarde, todo ser humano passará pelo fogo, cabendo, no entanto, a cada um decidir viver como pipoca ou morrer como piruá. 

A escolha é de cada um.

Conforme trecho do conto de Rubem Alves, que relato abaixo, somente o milho duro que passa pelo fogo se transforma em uma flor branca macia: “A transformação só acontece pelo poder do fogo. 

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca para sempre”.

Assim acontece com a gente. 

As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. 

Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira, são pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem, pois acham que o seu jeito de ser é o melhor do mundo. Mas, de repente, vem o fogo: é quando a vida nos lança numa situação que nunca se imagina e, então, vem a dor. 

Pode ser fogo de fora, como perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre etc. ou pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão – sofrimento cuja causa se ignora.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, ficando cada vez mais quente lá dentro, pense que a sua hora chegou – vai morrer. 

De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente, não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece. ‘Pum’! E ela aparece como outra coisa, completamente diferente, de um jeito que ela mesma nunca havia sonhado. 

Você viu?

A presunção e o medo de cada um são a dura casca do milho que não estoura e o destino dela é triste – vai ficar dura a vida inteira. 

Não vai se transformar na flor branca e macia e não vai dar alegria para ninguém. 

Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada e o seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram: são adultos que voltaram a ser crianças e sabem que a vida é uma grande brincadeira.

E quanto a você, já estourou ou o seu destino é ser um piruá? O que você escolhe.

Esse texto pertence a Rubem Alves, decidi trazer aqui justamente para que você perceba o que quer ser para sua vida, tudo depende de você.

Texto:  Renata Prado | Terapeuta e Taróloga

Instagram: @r enataprado.terapeuta

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