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Ter ídolos na adolescência é comum, mas é preciso saber quando eles não são uma boa influência; psicóloga fala sobre quais os limites que um fã deve ter

Adolescência é tempo de mudanças, conquistar a confiança dos pais , primeiro amor e paixões platônicas. É muito comum ter um ídolo, ou vários, e se esforçar para explicar que o artista é importante para você, mesmo que ele nem te conheça. Essa é a vida de fã. 

Qual tipo de é você? Daqueles que faz de tudo por seu ídolo ? Já passou noites em claro para comprar ingresso para aquele show e ficou horas - ou mesmo dias - na fila para garantir o melhor lugar? Isso sem contar os plantões em porta de hotel em busca de uma foto, um aceno, um beijo. Tudo isso é normal?

Fãs de Luan Santana colecionam pôsters e produtos e fã de Calypso possui vários CD's e DVD's
Arquivo pessoal
Fãs de Luan Santana colecionam pôsters e produtos e fã de Calypso possui vários CD's e DVD's


Meus pais não entendem

Já deve ter passado por sua cabeça por que os pais criticam tanto e falam que é exagero ser fanático por alguém se eles também já foram jovens. A psicóloga Sonia Regina de Araújo explica que a adolescência é uma fase na qual o jovem se entrega a tudo com muita intensidade, como na paixão pelos ídolos

Também este é um momento de troca de referências. Até então, os jovens tinham, por exemplo, os pais como seus maiores heróis. Agora, segundo a psicóloga, esse sentimento de admiração passa para os ídolos. “Toda vez que gostamos e somos fã de uma pessoa, uma música ou um filme estamos identificando características que nos preenchem e nos fazem descobrir quem somos”, completa Sonia.

Loucuras de fãs

A estudante Larissa Santos Cunha, 15 anos, é fã do cantor sertanejo Luan Santana, ela conta que começou a se interessar pelo ídolo quando a música “Meteoro” explodiu nas rádios. Ela participa de vários grupos de “Luanetes” – forma como as fãs de Luan se intitulam – nas redes sociais. Para chegar mais perto do cantor, a jovem já passou 12 horas, em um dia de chuva, esperando uma apresentação. Também ficou um dia inteiro na fila para ficar colada na grade na hora do show.

Tem mais. Ela usou o dinheiro da avó para colocar crédito no celular e mandar mensagens de texto para ganhar ingressos para um show e também fez vários familiares ficarem ligando para a rádio para participar de promoções para conhecer o ídolo no camarim. “O Luan representa alguém muito especial pra mim, uma pessoa que não conheço, mas que amo muito e seria capaz de fazer loucuras para um dia ter seu abraço. Para mim, ele significa muito mais do que as pessoas pensam”, conta a estudante.

A paixão por Luan Santana rendeu uma grande amizade para Larissa. Michelly Pereira Torres, 16 anos, já passou por situações similares para encontrar o cantor sertanejo e participa do grupo “Luaneets perfeitas”. Ela diz que seu maior sonho é abraçar o artista e dizer o quanto admira o trabalho dele. “Ah, o Luan é tudo! As músicas dele são as melhores pra mim. Ele é simplesmente perfeito”, fala Michelly.

Michelly e Larissa foram juntas a um show de Luan Santana
Arquivo pessoal
Michelly e Larissa foram juntas a um show de Luan Santana


A psicóloga conta que as pessoas sempre tiveram ídolos . Antigamente, eram personagens ou entidades religiosas e, atualmente, com a evolução e popularização dos meios de comunicação, as referências aumentaram.  

Sonia diz que os ídolos acabam influenciando no comportamento dos jovens e eles acabam copiando roupas, gestos e palavras, pois estão buscando sua verdadeira identidade. “A vinculação com ídolos externos dará posse às máscaras que estes nossos ídolos usam, pois na vida particular eles são diferentes do que mostram nos palcos e shows”, comenta a especialista.

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Seguindo o ídolo

Muito além do trabalho artístico, os fãs buscam saber tudo da vida de quem eles idolatram. Gustavo Mota Souza, 17 anos, tinha adoração pela Banda Calypso. Ele acompanhou todas as notícias envolvendo a separação do grupo e, levando em consideração tudo o que aconteceu, ele acredita que a Joelma tomou a melhor decisão e continua fã da cantora.

Gustavo conseguiu uma foto com Joelma em uma tarde de autógrafos
Arquivo pessoal
Gustavo conseguiu uma foto com Joelma em uma tarde de autógrafos


Gustavo conta que foi a uma gravação de um programa de televisão para ver Joelma se apresentando em carreira solo e, chegando lá, o segurança não o deixou entrar, pois estava atrasado. A solução que encontrou foi ir para outra portaria e se passar por convidado, com a ajuda de outro fã da cantora. Com toda a artimanha ele conseguiu entrar, passar no camarim da Joelma e assistir ao programa nos bastidores antes de ser descoberto pelo segurança.

“A Joelma representa amor, como minha própria mãe, ela tem uma conexão incrível com os fãs e sempre nos dá conselhos e retribui nosso carinho. Eu me inspirei nela para cantar e dançar e, por isso, enfrento muita discórdia com quem tem preconceito com o estilo de música que ela canta”, afirma Gustavo.

Por esse fanatismo , os jovens acabam se envolvendo em confusões para defender quem critica seus ídolos. Tanto o fã de Joelma quanto as fãs de Luan Santana afirmaram que já discutiram com quem falou mal de seus artistas favoritos.

Fica a dica!

É normal nesta fase se espelhar em alguém que aparenta ter uma vida perfeita, mas o papel dos pais em tentar se aproximar e dar conselhos é normal e necessário. Fica a dica! Os pais devem tentar mostrar que nem tudo o que esses artistas fazem é algo que pode ser seguido, alerta a psicóloga. Por exemplo, muitos ídolos teen estão envolvidos em problemas relacionado com bebidas alcoólicas e uso de drogas e, o fã pode entender isso como uma atitute normal que ele pode reproduzir e não terá consequências. 

Segundo a psicóloga, é preciso ter uma postura crítica para saber se o que o seu ídolo está fazendo é algo correto. Sonia também alerta que na adolescência é comum pensar que se pode fazer tudo e que nada de ruim vai acontecer (mas não se iluda!). 

Colecionar coisas, ficar na fila esperando para um show, ligar para rádios para participar de promoções é algo normal (e você vai lembrar dessas situações no futuro e dar risada). Agora mentir, entrar em locais sem autorização, fazer as coisas escondidas dos pais, tentar invadir um lugar para chegar perto do artista ou brigar para defender o ídolo é algo demais, na opinião de Sonia. 


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