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"Fiquei muito feliz de poder presenciar algo tão belo! Foi um presente pra mim", diz Mariana de Oliveira que viu seu bebê nascer dentro da bolsa

Quem vê uma foto de um bebê empelicado pode ficar impressionado com a cena, mas nascer dentro de uma bolsa é algo bem tranquilo e não traz problemas nem para a mãe, nem para a criança. A consultora de gestão de empresas Mariana de Oliveira Costa Leite, de 34 anos, passou por essa experiência e conta ao Delas detalhes do seu parto empelicado. Especialistas também explicam por que isso acontece.

O parto empelicado é quando o bebê nasce dentro da bolsa, isso não causa problema algum nem para ele nem para a mãe
Divulgação/ Kate Carlton @katecarltonphotography
O parto empelicado é quando o bebê nasce dentro da bolsa, isso não causa problema algum nem para ele nem para a mãe


Mariana queria muito tentar o parto natural, então fez questão de se preparar para isso. Durante o processo, a mãe começou a participar de vários grupos de maternidade e leu muita coisa sobre o assunto – inclusive sobre a possibilidade de ter um parto empelicado . “Eu sabia que um bebê nascer dentro da bolsa era um fato extremamente raro, e eu nunca imaginei que poderia acontecer comigo”, afirma.

Mário Macoto, ginecologista e obstetra da Maternidade Pro Matre Paulista, explica que esse tipo de parto é, sim, um fenômeno raro e é caracterizado pelo nascimento do bebê com a bolsa íntegra, ou seja, o bebê vem ao mundo envolvido pelo saco amniótico. “A criança é retirada do ventre materno ainda recebendo oxigênio pelo cordão umbilical. É algo simples, mas acontece, em média, uma vez a cada 80 mil partos”, diz.

Veja na galeria abaixo alguns registros de partos empelicados:


Por mais que seja uma situação atípica ver um bebê nascendo dentro do saco amniótico, o especialista garante que isso não é um problema, “apenas demonstra que o parto correu sem intervenções desnecessárias e evoluiu naturalmente”. Como Mariana já tinha esse tipo de informação, ela não ficou assustada quando percebeu que sua bolsa não tinha estourado na fase final do trabalho e soube que seu filho, Rafael, poderia nascer empelicado.

“Na verdade, fiquei muito feliz de poder presenciar algo tão belo! Foi um presente pra mim! Um parto tão maravilhoso, ainda mais especial do que eu tinha planejado”, fala a mãe. “Acho que nenhum trabalho de parto é totalmente tranquilo (risos), mas dizem que quando ele é empelicado é menos doloroso para a mãe, pois pode amortecer as contrações”, completa.

Parto empelicado pode até ajudar 

Mariana achou lindo viver a experiência de passar por um parto empelicado e nunca imaginou que isso aconteceria com ela
Divulgação/Luciana Figueiredo
Mariana achou lindo viver a experiência de passar por um parto empelicado e nunca imaginou que isso aconteceria com ela


O obstetra Alberto Guimarães, que encabeça a criação do Programa Parto Sem Medo, explica que o saco amniótico rompe, na maioria das vezes, por uma questão de força física. “De maneira geral, na medida em que a mulher entra em trabalho de parto, a contração vai empurrando o bebê pra baixo e também empurra a bolsa, que tende a romper, assim o líquido é liberado primeiro e depois o bebê saí.”

Mário acrescenta que, em casos de fetos pequenos ou prematuros, a chance de  ocorrer o nascimento empelicado é maior. Isso também pode acontecer em cesarianas e, segundo o ginecologista, isso pode até ajudar.

“Ainda é um fator positivo quando a bolsa se mantém íntegra nas cesáreas em que pode haver transmissão de infecção materna para o bebê através do sangue, em casos de bebês que são prematuros extremos e em eventos que demandem manipulação fetal”, esclarece Mário.

Como o bebê é retirado da bolsa?

Em um parto empelicado, a imagem pode assustar, mas para tirar o bebê da bolsa é algo simples e sem riscos
Reprodução/Instagram @dr.rodrigorosa
Em um parto empelicado, a imagem pode assustar, mas para tirar o bebê da bolsa é algo simples e sem riscos


Quando o bebê nasce empelicado, o procedimento para retirá-lo da bolsa é bem fácil. “Fazemos um pequeno corte delicadamente na membrana, que parece um plastiquinho, usando a ponta de uma pinça, assim ela abre, o líquido saí e o bebê é retirado dali de dentro”, diz Alberto.

É algo simples e Mariana diz que sua experiência foi realmente bem tranquila. “Sinto que o bebê que nasce empelicado vem ao mundo de forma mais suave e serena. No meu caso, o parto foi na banheira e o bebê nasceu na água”, conta a mãe de segunda viagem.

Após vivenciar o  parto empelicado , Mariana pode ficar com seu bebê na banheira por um tempo depois que o corte do cordão umbilical foi feito. “Ele [o bebê] teve as primeiras avaliações no meu colo e os cuidados do pós-parto formam normais, igual ao de qualquer outro parto”, finaliza.