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O estudo também revelou que o índice de gravidez indesejada é mais alto entre jovens negras e pardas. Saiba mais

Os dados da pesquisa “Nascer no Brasil: inquérito nacional sobre parto e nascimento” apontam que mais da metade das mães brasileiras não planejaram ficar grávidas, ou seja, são mulheres tiveram uma gravidez indesejada .  A pesquisa foi realizada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ouviu 24 mil mulheres entre os anos de 2011 e 2012 em mais de 200 hospitais públicos do Brasil.

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Mais de 55% das mães brasileiras não planejaram a gravidez
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Mais de 55% das mães brasileiras não planejaram a gravidez

As entrevistadas foram questionadas se desejavam engravidar, se queriam esperar por mais tempo ou se simplesmente não queriam ser mães. Em relação ao total, foram 55,4%  mães  que não planejaram engravidar e cerca de 25% que gostariam de ter esperado mais tempo. E pouco mais de 29% das mulheres não desejavam engravidar em nenhum momento da vida.

Outro dado levantado foi que aproximadamente 2% das mulheres tentaram abortar, mas não tiveram sucesso no procedimento. O índice é maior entre as adolescentes, que chega a 3,4%. 

O número de gravidez indesejada superou a porcentagem média de outros países do mundo. De acordo com as Nações Unidas, cerca de 85 milhões das gestações são indesejadas, o que representa 40% do total. 

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Faixa etária, cor e classe social

Entre as entrevistadas, um número chega a chocar: 17% tinham entre 10 e 19 anos, e a porcentagem da gravidez indesejada atingiu 66% entre elas. No geral, as gestações não planejadas são maioria entre adolescentes pardas e negras, sem renda, que bebem, fumam e não têm um companheiro ou marido. Então, elas dificilmente terão o apoio do pai da criança. 

Por outro lado, há um grande constraste em relação às mães que puderam planejar a gestação. Essas mulheres apresentam um perfil parecido: são brancas, tem grau de escolaridade, estão em uma relação estável, não fumam nem bebem, tem mais de 35 anos e possuem renda.

Parto

A pesquisa da Escola Nacional também apresentou dados sobre os partos realizados no país. Há um alto índice de cesáreas entre as mães do Brasil. Elas representam 43% dos partos feitos no setor público e 88% no setor privado. Além disso, mais de 11% dos partos são prematuros, número bem maior que a porcentagem dos países europeus. 

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