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O método propõe introdução dos alimentos inteiros para o bebê explorar todos os sentidos enquanto come

Ter um filho tem várias etapas difíceis, que vão desde o nascimento até a vida adulta. Uma dessas fases é a introdução alimentar. Quando a criança completa seis meses, chega a hora de introduzir alimentos no cardápio do bebê – que, até então, era composto apenas pelo leite materno.

O jeito tradicional é começar com frutinhas amassadas, papinhas batidas e suquinhos, mas um outro método que surgiu a há algum tempo prega que a introdução dos alimentos seja feita de forma mais natural. Como? A ideia é oferecer as frutas, legumes e até carnes separadamente e em seu formato natural, deixando que a criança inicie a alimentação sozinha.

No BLW as crianças lidam com os alimentos inteiros
Arquivo pessoal
No BLW as crianças lidam com os alimentos inteiros

O método chama-se BLW, a sigla para o termo em inglês baby led weaning, que significa desmame guiado pelo bebê, em português. Mas a pediatra Kelly Oliveira afirma que, apesar do nome, o método não indica que a mãe pare de amamentar: “A criança vai passar a comer gradualmente os alimentos e mamar menos, mas, em menores de 1 ano, o leite ainda é o principal alimento”.

“No BLW o bebê se autoalimenta, descobre por ele mesmo como segurar o alimento, com levar à boca e a deglutição”, explica a pediatra, que ainda ressalta que essa forma de introdução alimentar explora todos os sentidos do pequeno.

Na prática

Caroline Trugillo é mãe de Valentina, de 1 ano e 10 meses, e Raphael, que acabou de completar seis meses. Caroline ouviu falar sobre o BLW no fim da gestação e decidiu pesquisar: “Li bastante a respeito e adorei”, conta.

Ansiosa para testar o método com a filha Valentina, a mamãe começou um dia antes que a pequena completasse seis meses: “Na primeira refeição, cozinhei uma cenourinha, mas errei no ponto e estava meio dura. Ela ficou chupando, mas não comeu. Então, dei uma banana inteira na mão dela e ela comeu todinha. Fiquei surpresa!”. Aos 10 meses, valentina já comia o cardápio da família e, agora, só falta aprender a comer com faca, pois garfo e colher já acompanham o prato dela.

Valentina se deliciando com uma manga
Arquivo pessoal
Valentina se deliciando com uma manga

Valentina começou a comer logo depois de ter sido apresentada aos alimentos, mas Kelly alerta que nem sempre isso acontece: “Cada bebê tem seu ritmo. Às vezes, no começo, pode não comer nada, mas em algum momento vai começar, é preciso respeitar esse ritmo”.

Além da paciência com o tempo que o bebê vai demorar para de fato comer  – e parar de apenas interagir com a comida – é preciso não se importar com a bagunça que a criança vai fazer. Ele vai se sujar e provavelmente sujar o lugar em que está.

O método pode fazer muita sujeira. Olha a Valentina logo depois de comer um prato de macarrão!
Arquivo pessoal
O método pode fazer muita sujeira. Olha a Valentina logo depois de comer um prato de macarrão!

Os pais têm muitas dúvidas sobre o método e, para esclarecer, perguntamos para a pediatra Kelly Oliveira, que recomenda o auxilio de um pediatra antes de começar o método. Segundo ela, um especialista vai ajudar com as possíveis dúvidas que surgirem.

A criança está preparada para começar a comer alimentos inteiros aos seis meses?

De acordo com as últimas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a alimentação complementar ao leite deve ser introduzida a partir dos seis meses de idade. “Com essa idade a criança consegue sentar sozinha, tem controle do tronco, pega os objetos com a mão e leva à boca, começa a mastigação e perde o reflexo de protusão da língua – colocar a língua para fora quando em contato com alimento”, explica Kelly, que também alerta que essas habilidades podem ser adquiridas um pouco antes ou um pouco depois por cada criança.

Com a coordenação nesse nível, o bebê já está pronto para interagir com os alimentos inteiros, e passar a comer depois de algumas tentativas

O bebê pode engasgar?

Alguns confundem o engasgo com o “gag reflex”, um reflexo natural da criança. “O gag reflex é uma defesa, não é engasgo. A criança tem uma ânsia quando o alimento atinge a base da lingua, então, o bebê volta o alimento para a boca, ou joga para fora”, esclarece a pediatra. No bebê, esse reflexo está exacerbado e diminui com o tempo. Já o engasgo é quando o alimento vai para o local de passagem de ar: “Se tem orientação correta, não tem risco maior de engasgo do que com a papinha. É raríssimo”, diz Kelly.

Que alimentos posso oferecer?

Todos os alimentos naturais, que iriam na papinha do bebê, estão liberados. Mas deve haver acompanhamento atento para verificar se o bebê é alérgico ao alimento oferecido.

Como fazer a transição de comer com a mão para o prato com garfo e faca?

A transição deve acontecer de forma natural e tranquila e o segredo é oferecer cedo, de acordo com a pediatra, aos nove ou dez meses, já é possível entregar a colher ou garfinho para a criança. “Basta a gente dar a oportunidade para que ela surpreenda a gente. Ela vai ver os pais comerem com talheres e começa a comer também”, diz a pediatra


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