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Professora carioca decidiu trocar a bronca por um abraço toda vez que um aluno bagunceiro a desobedecia. A ideia deu certo

Carolina Barra, professora do Rio de Janeiro
Reprodução/Facebook
Carolina Barra, professora do Rio de Janeiro

Carolina Barra, de 25 anos, é professora em uma escola no Rio de Janeiro e não sabia mais o que fazer com um aluno, de quatro anos, que, segundo ela, “era muito difícil de lidar”. 

"Ele está o tempo inteiro batendo nos amigos, perturbando a aula, mexendo onde não deve, destruindo as coisas. E ele é realmente desrespeitoso com todos", desabafou ela, em seu perfil no Facebook.

O relato da experiência gerou curiosidade em muita gente e o iG Delas procurou a jovem professora para saber detalhes sobre o processo.

Menino difícil x carinho

Carolina conta à reportagem que era difícil até mesmo fazê-lo ouvir alguma bronca ou qualquer coisa que ela tentasse falar: “Ele parecia não se importar”.

Para ajudá-la na missão de encontrar uma alternativa para disciplinar o aluno, Carolina recorreu à mãe, e escutou um conselho valioso: aquela criança precisava de carinho.

A professora decidiu dar esse carinho ao pequeno. Refletindo sobre o comportamento da criança, ela percebeu que ele gostava de fazer coisas que chocassem os outros e ela pensou: “Como deixá-lo surpreso também?”. E, unindo essas duas demandas, surgiu a ideia da pedagogia do abraço.

Abraços ao invés de broncas: foi o que fez uma professora carioca
Thinkstock/Getty Images
Abraços ao invés de broncas: foi o que fez uma professora carioca


O que é a pedagogia do abraço?

Toda vez que o aluno não se comporta, Carolina dá um abraço. Como esperado, nas primeiras vezes, ele ficou sem reação: “Ele achou que ia levar uma bronca”.

“Desde que eu comecei isso, ele parou de fazer coisas mais graves”. Ele não se tornou uma criança calma, e nem era a intenção de Carolina. “Cada criança é de um jeito, elas têm características pessoais e eu não queria que ele virasse um robô; ele é uma criança agitada”, explica.

Foi fundamental perceber que as broncas eram uma perda de tempo, porque tentavam transformá-lo em uma pessoa que ele não era: “Ele precisava de alguém que o aceitasse”, conta. A intervenção funcionou com ele, mas Carolina alerta que pode não funcionar com todo mundo.

Reflexo na turma

Ao conhecer essa história, será que outras crianças também não poderiam começar a fazer bagunça só para ganhar um abraço? Carolina não teve esse medo. Ela sempre deixou claro para todos os seus alunos que eles podiam abraçar a professora quando quisessem.

E, na prática, houve uma mudança em toda a turma: a sala, que já era carinhosa, ficou mais aberta a demonstrações de carinho. “Acho que isso deve ter ajudado as crianças a lidarem umas com as outras. Elas, inclusive, ficaram mais abertas a vir até mim”, conta Carolina, satisfeita.

Acima de tudo, Carolina acredita que a principal mudança aconteceu nela mesma. "Se antes me estressava, saía do trabalho chateada comigo mesma, hoje, não me estresso mais! Chego e saio do trabalho feliz, com o coração aberto".


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