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Não se pode ignorar os pedidos da criança pelo aparelho, mas é preciso ponderar os riscos e monitorar o uso

O uso do smartphone não pode roubar o tempo das responsabilidades, brincadeiras ou relações reais da criança
Thinkstock/Getty Images
O uso do smartphone não pode roubar o tempo das responsabilidades, brincadeiras ou relações reais da criança


As crianças estão começando a usar casa vez mais cedo tablets e smartphones, que geralmente pertencem aos adultos. Diante dessa nova realidade, os pais se perguntam qual o momento certo para dar um smartphone ao filho. Mariuza Pregnolato, psicóloga clínica com especialização em análise comportamental cognitiva, afirma que não há idade certa para a criança possuir o próprio o aparelho: “Depende do contexto da família, da criança, e do desejo dos pais”.

Veja algumas dicas antes de presentar seu filho com smartphone:

- Se a criança não pedir, não ofereça

Antes dos 7 anos, as crianças, em geral, ainda não pedem pelo celular, como conta Marta Ramos Cesaro, coordenadora pedagógica do Colégio Madre Alix, em São Paulo. Ela acredita que, em qualquer idade, se o filho ainda não sente necessidade e não pede pelo aparelho, o melhor é não oferecer. “Não adianta entrar em um assunto que ainda não está na realidade dele. Oferecer sem que a criança peça é se precipitar, levantar expectativas que não cabem naquele momento”, diz.

- “Todo mundo da minha sala tem um smartphone!”: leve a frase em consideração

Luisa Voiciechovski, de 10 anos, enteada de Márcia Fróes, pedia muito por um celular, alegando que suas amigas tinham. Há alguns meses, Márcia e os pais de Luísa decidiram finalmente dar um smartphone a ela. "Levamos mais de um ano para entregar o aparelho depois do primeiro pedido, pois a achávamos muito novinha. Mas a gente tinha a  preocupação de estar acessível a ela."

Mariuza diz que não se deve ignorar o famoso pedido alegando que todos os outros colegas já têm smartphone: “Os pais precisam ficar bem ligados nos ambientes que a criança frequenta e no que acontece ao redor dela, para que ela não se sinta um E.T.” Segundo a psicóloga, os pais devem começar a pensar em dar um smartphone para o filho quando ele pede e avaliar prós e contras.

- Monitore o conteúdo acessado 

“O desafio é monitorar sem invadir”, diz a psicóloga. Um smartphone na mão de uma criança pode expô-la a alguns riscos. O primeiro e mais conhecido é o fato de uma criança estar exposta à internet e às redes sociais, junto com os consequentes perigos que elas podem apresentar. 

Marta recomenda controle das páginas acesssadas: “É preciso fazer o acompanhamento do uso do celular, assim como se acompanha as atividades do colégio. Com cuidado e zelo, é preciso trabalhar a confiança e a segurança com a criança.”

- Controle o tempo de uso

A nova telinha não pode roubar o tempo que a criança se ocuparia com as responsabilidades dela, o que é muito difícil, como lembra a psicóloga. “Se a gente se distrai com o celular sabendo de todas as nossas responsabilidades, imagina uma criança?”, compara.

Não é só com as responsabilidades que os pais devem se preocupar. O smartphone pode competir com o tempo das outras brincadeiras, que são muito importantes para o desenvolvimento geral da criança.

“Ela precisa desenvolver a coordenação motora fina, como o touch do celular, mas também pegar o lápis e escrever, por exemplo, que é uma atividade que exige mais musculatura” explica Mariuza. Além disso, assim como a televisão, o smartphone não deve ficar sempre à disposição da criança porque pode interferir na capacidade de ler, de aprender e até mesmo nas horas de sono.

- Ensine a se comportar nas redes sociais

Márcia conta que depois da enteada começar a usar smartphone, ela se deparou com um novo desafio. "O uso do smartphone gerou outros problemas, como o excesso de contato entre amigas e amigos, o que requer um ensino sobre como se comportar diante das redes sociais."

- Incentive a relação com pessoas reais

A coordenadora pedagógica salienta ainda a importância das relações reais da criança, não só com a família, mas também com os mesmos amigos que ela costuma conversar pelo celular. “É interessante que a família propicie um tempo para mexer nessas ferramentas, mas é importante que a criança tenha comunicações reais, com pessoas concretas.”

- Celular longe da escola

A coordenadora pedagógica acredita que a criança não deve levar o smartphone para o ambiente escolar. Além de tirar a atenção da aula, ela pode deixar de se relacionar com os colegas pessoalmente e também existe o risco de acontecer algum problema com o próprio celular, como perder ou quebrar. “É um meio de comunicação, mas não deve ser um meio de distração.”

- Quando liberar o uso?

Esta é outra pergunta que não tem uma resposta exata: “É o caso de ir acompanhando e percebendo a responsabilidade da criança. É uma construção gradativa”, diz Marta. Ela sugere ainda que se perceba como está a relação do filho com os amigos e como está a reação dele às ordens.

Mariuza tem a mesma opinião. “Pode levar na escola, por exemplo, depois que ela compreendeu e consegue seguir regras. É preciso fazer um equilíbrio entre o contexto da criança e a visão de mundo dos pais, o quanto ela obedece e merece essa confiança.”

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