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Lilian tinha o parto todo planejado, mas sua filha não esperou, e acabou nascendo sem assistência médica, sob o chuveiro

Helena nasceu em casa, sob o chuveiro
Arquivo pessoal
Helena nasceu em casa, sob o chuveiro

Tudo tinha sido planejado: desde a gravidez até o parto. A curitibana Lilian Wiczneski, de 25 anos, sempre quis ter parto normal, mesmo antes de engravidar.

Depois de descobrir o que era o parto humanizado, teve ainda mais certeza do que queria para ela e sua futura filha. O marido, Wesley Viana, também concordava e a decisão foi tomada mesmo antes de Lilian saber que estava grávida. “Já fui atrás de um obstetra com esse viés, e troquei de médico antes mesmo de engravidar”, conta.

Tudo planejado

Apesar de todo o planejamento e vontades, com obstetra e doula acompanhando a gravidez, Lilian sempre esteve consciente sobre as necessidades de intervenção no parto. “Nem analgesia eu queria, mas tínhamos as possibilidades abertas, afinal, cada trabalho de parto é um trabalho de parto”. O que ela mais temia não era a dor de um parto natural, mas, sim, de intervenções desnecessárias.

Preaparada para horas de contrações

No dia do parto, Lilian acordou com cólicas fracas e não se preocupou. Trabalhou no período da manhã e decidiu descansar no período da tarde: “Afinal, [o trabalho de parto] poderia engrenar em breve e eu iria precisar de energia para passar por longas horas de contrações”, conta a mamãe, que mal imaginava que o processo iria ser tão rápido.

Lilian, o marido Wesley e a pequena Helena com um mês de vida
Arquivo pessoal
Lilian, o marido Wesley e a pequena Helena com um mês de vida


Nem malas prontas, nem grupo de Whatsapp e nem celular do médico

Em pouco tempo, Lilian percebeu que a hora de Helena nascer estava chegando e só deu tempo de rezar bastante: “Pedi por forças, por direção, pedi pra que Ele tomasse conta de tudo como sempre”. Ela decidiu ligar para o marido para levá-la ao hospital e entrou no chuveiro, já que a água quente caindo sobre ela amenizava a dor.

Desligaram a água, eu levantei, mas não deu. Veio outra dor e, nessa hora, já era uma contração atrás de outra. Me abaixei e berrei para ligarem o chuveiro"

“Malas prontas, caminhos para os hospitais traçados, grupo no WhatsApp com as doulas. Celular do médico salvo nos favoritos”. Lilian se preparou a gravidez toda para o momento do parto: além de pesquisa e leituras sobre o assunto, ela praticou ioga para gestantes, encontrou-se com doulas e montou até uma playlist de músicas para ouvir durante as contrações, mas o nascimento de Helena não foi como o imaginado. Para nascer, contrariando qualquer previsão, Helena não precisou de nada além da força e amor da mãe e familiares – pai e avó.

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Arquivo pessoal
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"Levantei e não deu"

“Chamamos minha mãe, que em sete minutos estava com a gente. Wes desceu a última mala e os dois foram me tirar do chuveiro. Desligaram a água, eu levantei, mas não deu. Veio outra dor e, nessa hora, já era uma contração atrás de outra. Me abaixei novamente, berrei para ligarem o chuveiro. Helena coroou. Em mais alguns instantes, ela nasceu”, relatou Lilian no seu Facebook.

Parto em casa sem profissionais

O parto não foi como o esperado, mas melhor do que ela imaginava. O sentimento que resume tudo isso para Lilian é gratidão. “Mesmo um parto domiciliar deve ser acompanhado por profissionais, aptos a intervirem quando necessário. Então, sou grata por não ter precisado de nada e porque minha filha é saudável”.

E o chuveiro?

Lilian fala que não vai mudar do apartamento dela por nada: “Dar os banhos nela hoje no mesmo chuveiro onde ela nasceu me emociona demais!”

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