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Marcela Zarif conta detalhes da trágica madrugada de maio e diz que foi difícil se reconhecer no espelho por causa das queimaduras no rosto

As queimaduras no rosto mudaram os traços da funcionária pública Marcela Zarif e são elas que não a deixam esquecer do pior dia de sua vida. Mas apesar das marcas doloridas espalhadas pelo corpo, a mãe de Samuel, de 10 anos, Damião, de 6, e Gaia, de 1 ano e 10 meses, só tem a agradecer que a família voltou a ficar unida depois daquela trágica madrugada de 3 de maio deste ano.

Marcela Zarif posa com a caçula Gaia  e mostra as marcas da queimadura pelo corpo
Arquivo pessoal
Marcela Zarif posa com a caçula Gaia e mostra as marcas da queimadura pelo corpo

Marcela ganhou o noticiário como a mãe que salvou os três filhos do incêndio em casa , na Grande São Paulo, e chegou a ser desenganada pelos médicos por causa das graves queimaduras que sofreu.

Em entrevista ao iG, a funcionária pública lembra os detalhes da madrugada que começou como uma noite rotineira de quem tem filho pequeno. Gaia acordou e Marcela acabou pegando no sono enquanto fazia a caçula voltar a dormir no andar superior da casa. "Acordei com um barulho, era a janela estourando com o incêndio. Quando desci para ver, o fogo já tinha se instalado pela sala inteira.”

Diante das labaredas, Marcela só pensava em salvar os três filhos que dormiam no andar de cima: “Não passou mais nada pela minha cabeça, só entrei em desespero pensando que o fogo ia subir e não teria como ninguém sair dali”.

Ela teve a ideia de pegar uma escada no quintal para resgatar as crianças pela varanda. Passar pela sala foi o momento mais difícil. Diante do ambiente todo tomado por fogo, ela teve de se esgueirar por um canto para conseguir chegar até o quintal: “Mas já estava muito quente, foi aí que eu me queimei bastante”.

“Quando cheguei no quintal, minha cunhada, que morava na edícula, já tinha chamado o vizinho.” Os três posicionaram a escada na direção da varanda para a retirada primeiramente da caçula e depois dos dois meninos. “A última coisa que lembro foi quando estava encorajando eles a descer pela escada.” Depois do resgate, Marcela desceu pela escada e só tem a lembrança de sentir seu corpo arder, sem saber muito bem onde estava.

Longe dos filhos e cirurgia espiritual

“Eu senti muita saudade, foi a parte mais difícil da internação”, lembra Marcela sobre seu período de mais de dois meses no hospital sem ver as crianças. “Teve vários dias em que chorei de saudade. Tinha dia em que eu passava mal, a pressão caía só de ouvir falar neles”, emociona-se. 

A funcionária pública passou um mês em coma induzido por causa do estado grave do pulmão, com pneumonia e fibrose tomando grande parte do órgão. Os médicos achavam que ela não sobreviveria: “Já tinham preparado a família”, conta ela.

Marcela atribui parte de sua rápida recuperação a um cirurgião espiritual que seu marido consultou. “No dia seguinte da cirurgia (espiritual), fizeram raio-x e meu pulmão estava limpo”, relata. 


Ela diz que a maior dificuldade longe do hospital foi se reconhecer na frente do espelho. “Foi bem difícil, eu queimei bastante o rosto, então meus traços mudaram.” Marcela conta que só foi olhar seu reflexo quando estava prestes a deixar o hospital. Ela também evitou a perna queimada enquanto passava por tratamento e só conseguiu encará-la após passar por enxerto.

Família em campanha para recuperar a casa

A mãe lembra que os filhos reagiram de formas diferentes ao momento mais aguardado por todos: sua volta para casa. “A minha bebê ficou muito feliz, ela ria muito”, conta. Já Damião, o filho do meio, estranhou no começo e ficou assustado com os machucados da mãe, e Samuel, o mais velho, já entendia o que havia acontecido.

Completa e fortalecida, a família agora está empenhada na campanha de financiamento coletivo Ação Entre Amigos  ( https://www.sibite.com.br/campanhas/acao-entre-amigos ) para recuperar a casa e outros itens perdidos no incêndio. Parte do dinheiro também será destinada para pagar alguns tratamentos de Marcela. A meta é atingir R$ 200 mil até 25 de setembro. Até a data da publicação da matéria, o valor arrecadado passava de R$ 155 mil. 


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