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Pressões individuais e externas fazem com que as mães não escolham o que realmente desejam, diz pesquisa

Mulheres que deixam o trabalho para cuidar dos filhos têm de redefinir quem são, é o que diz um estudo britânico, publicado no SAGE journal Human Relations . D epois de ter um filho e renunciar às ocupações profissionais, as mães enfrentam uma luta contínua entre a identidade de mãe e a de profissional, dizem as autoras da pesquisa Shireen Kanji e Emma Cahusac.

Dilema da maternidade: ter filhos causa uma mudança desafiadora a medida que a mulher pode não se encaixa mais no molde de trabalho anterior
Thinkstock/Getty Images
Dilema da maternidade: ter filhos causa uma mudança desafiadora a medida que a mulher pode não se encaixa mais no molde de trabalho anterior

“A análise revela como a escolha de deixar o trabalho e passar por camadas de pressão individual e da sociedade são carregadas de custo. Uma identidade de trabalho volátil e lutas para uma autorredefinição seguidas da saída do trabalho destacam a experiência de perda das mulheres”, explicaram as pesquisadoras.

A pesquisa foi baseada em entrevistas em profundidade com 26 mães, em Londres, na Inglaterra. Segundo as pesquisadoras, as mães deste estudo queriam trabalhar, e até poderiam pagar por babás, mas mesmo assim deixaram o trabalho:

“A história delas não corresponde ao retrato pintado pela mídia, de mulheres que optaram por trabalhar e depois perceberam que a vocação real delas era cuidar das crianças”, conta.

Ter uma criança causa uma mudança desafiadora, pois a mulher pode não se encaixar mais no molde de trabalho anterior. Assim, as mulheres experimentam uma disjunção imediata entre quem são e o que estão destinadas a ser no trabalho.

“Com o passar do tempo, a maioria das mulheres se reconcilia com sua perda, em parte por mudar as próprias prioridades. Durante esse processo, elas fazem com que a sua escolha seja a certa. Mas aceitar ou ficar feliz com o resultado final, o que pode levar anos para atingir, não é o mesmo que escolher o que elas queriam desde o início. Muitas mães em nosso estudo teriam escolhido um caminho diferente se outras opções tivessem sido ofertadas”, concluem as autoras do estudo.

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