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Entenda por que a participação dos homens na vida dos filhos traz vantagens para as duas partes

Alfredo faz questão de participar da vida de Nathalia, 15 anos, e de Maria Eduarda, oito anos:
Arquivo pessoal
Alfredo faz questão de participar da vida de Nathalia, 15 anos, e de Maria Eduarda, oito anos: "Faço por prazer”

A sociedade vem mudando e muitos homens, hoje, fazem questão absoluta de participar cada vez mais da rotina dos filhos. “O homem tem investido na relação com o filho, tem participado e gostado de fazer isso”, afirma a psicóloga e psicoterapeuta Andreia Calçada, que acredita que os pais estão começando a entender a função e a importância deles na vida das crianças.

Um exemplo de pai que participa da vida das filhas com grande prazer é Alfredo Faria Pessoa Moreira. Padastro da Nathalia, de 15 anos, e pai de Maria Eduarda, de oito anos, ele conta que sempre compartilhou, com a mãe das meninas, tarefas como dar banho, comida ou trocar a fralda e que adora fazer parte da vida delas nos pequenos feitos: “Eu fazia e faço por prazer”, comenta empolgado.

“Tanto o pai quanto a mãe são estruturantes da personalidade da criança. É a partir destas relações que os filhos criam relações de segurança para o desenvolvimento psicológico”, afirma Andreia.

A presença do pai na vida de uma criança, segundo a psicóloga, é importante porque o homem pode ser uma referência de segurança diferente da mulher.

Proximidade

Para Umile Calasso, diretor do Colégio Internacional Ítalo Brasileiro, falta de tempo não pode ser uma desculpa. Ele defende a paternidade qualitativa ao invés de quantitativa: “Eu acho que as oportunidades de participação estão em todo canto. Não precisa ter um momento especial para que o pai demonstre sua presença”.

Se o pai participa ativamente da vida dos filhos, o benefício é dele também já que consegue ver mais de perto o desenvolvimento dos filhos e criar vínculos. “O amor vem da convivência. Se tem mais contato, o afeto que se desenvolve será mais profundo”, explica Umile.

Até para dar bronca a proximidade entre pai e filho é necessária. “Se é próximo, o pai pode dar bronca e depois de um tempo, brincar de novo. Quando a relação não é forte, fica só a punição. O filho pode ter dúvida se o pai realmente gosta dele”, ressalta Andreia.

Experiência especial

Daniel Hirata tem dois filhos ainda pequenos. Clara de quatro anos e Theo de dois. Ele acredita ser importante para o desenvolvimento dos filhos a participação ativa dos pais, mas afirma que esta experiência é especial também para ele. “A criança cresce muito rápido, e se você não participa, não vê as coisas boas, como aprender a andar falar”.

Andreia destaca que a contribuição nas tarefas com os filhos também é importante para a mãe. “Quando o pai é presente e divide as tarefas, tudo fica mais leve”.

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Sushiman, Daniel trabalha em um restaurante no horário do almoço e do jantar. Ele aproveita o horário alternativo de trabalho para levar e buscar diariamente as crianças na escola.

“Acho importante também para a mãe. Casamento é uma sociedade e tem que estar todo mundo trabalhando junto para uma mesma coisa, principalmente quando tem criança envolvida”, conta o pai.

“A criança cresce muito rápido, e se você não participa, não vê as coisas boas, como aprender a andar falar”, diz Daniel Hirata, pai de Clara e Theo
Arquivo pessoal
“A criança cresce muito rápido, e se você não participa, não vê as coisas boas, como aprender a andar falar”, diz Daniel Hirata, pai de Clara e Theo

Vida escolar

“Há muito tempo, foi passada para a mãe a tarefa de cuidar da vida escolar do filho. Isso é muito ruim. Para ser completo, os dois, pai e mãe, têm que participar”, afirma Umile. Além de incentivar o cumprimento das normas escolares, Umile acredita que para exercer uma “paternidade qualitativa” é importante ir a reuniões, eventos culturais e festinhas da escola.

“Um pai mais presente influencia a vida escolar do filho. A participação do homem faz com que o crescimento e desenvolvimento escolar da criança seja muito melhor”, diz Umile, que repara isto com clareza na escola em que trabalha.

Alfredo diz que sempre acompanhou a vida escolar de Nathália e de Maria Eduarda. “Ajudo a fazer lição de casa, pergunto sobre notas, mas não fico olhando muito. Fico aberto para quando elas têm dúvidas”. Ele diz que em relação à escola, sempre foi ele que as crianças procuraram ao invés da mãe.

Daniel conta que sua filha mais velha está começando a ter deveres de casa para fazer. Quando está ajudando a Clara, Theo, de apenas dois anos, também quer participar da lição. Daniel então cria lição de ‘brincadeira’ para o pequeno se sentir inserido na tarefa.

Adolescência

Na adolescência, a relação com os filhos, tanto para pais quanto para mães, tende a ficar mais difícil, já que é a fase da rebeldia. Na opinião de Umile, dosar a participação nesta fase é importante. “Acho importantíssimo que o pai participe e também, à medida que o filho vai crescendo, saiba desatar os laços aos poucos. Tem que ficar como uma retaguarda, sem ser invasivo”.

Segundo ele, com uma participação mais intensa na infância, os filhos vão saber ter as pernas firmes para seguir mais independente na adolescência.

Um pai mais presente tem o poder de influenciar até a vida adulta do filho. A boa relação se estende e um pode ajudar, no futuro, a resolver problemas do outro.

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