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Condição não afeta o cérebro e tem tratamento simples, que deve ser feito precocemente para não prejudicar a criança

A plagiocefalia caracteriza-se quando um lado da cabeça é achatado e o outro proeminente
Divulgação
A plagiocefalia caracteriza-se quando um lado da cabeça é achatado e o outro proeminente

A assimetria craniana em bebês é caracterizada por deformidades de formato na cabeça da criança. Existem dois tipos principais: a plagiocefalia posicional (quando um lado é achatado e o outro proeminente) e a braquicefalia (quando há o achatamento de toda a parte de trás da cabeça do bebê).

“A assimetria é sempre causada por um apoio excessivo numa mesma região da cabeça, em uma fase em que a cabeça do bebê cresce muito rápido”, conta Gerd Schreen, médico especialista em assimetria craniana, da clínica Heads. Esta fase compreende desde a gestação até por volta de um ano e meio de idade.

Na gestação, existem alguns fatores que favorecem o surgimento da deformidade no crânio: gestação de gêmeos, oligo-hidrâmnio – que é a baixa quantidade de líquido amniótico na barriga da mãe –, e até mesmo quando o bebê se encaixa precocemente na pelve da mãe.

Bebê conforto

Segundo Gerd Schreen, 12% dos bebês saudáveis nascem com algum grau de assimetria craniana, mas como a causa da deformação é intrauterina, geralmente, o problema é sanado rapidamente após o nascimento.


“Na verdade, a maioria dos pacientes que atendemos são bebês que nasceram com a cabeça perfeitamente simétrica, ou dentro da normalidade, e desenvolveram a assimetria após o nascimento”, afirma Gerd. O apoio excessivo de uma parte da cabeça do bebê se dá principalmente durante o sono, se o bebê dorme sempre com a cabeça virada para o mesmo lado ou para cima.

Gerd ainda cita que restringir os movimentos da criança em carrinhos e outros dispositivos por muito tempo pode favorecer o aparecimento da assimetria: “O bebê conforto é um dispositivo de segurança de uso obrigatório no carro, mas fora dali, os pais não devem usá-lo porque a cabeça do bebê encaixa e não tem muito para onde se movimentar”.

Tratamento

O primeiro passo para iniciar a correção de uma possível assimetria é identificar se ela está fora da faixa de normalidade e precisa realmente ser tratada. “O perímetro encefálico, que é aquela medida que o pediatra faz, não fala nada sobre o formato”, conta Gerd. O método correto para verificar se há alguma anormalidade na forma da cabeça do bebê é o escaneamento a laser, feito em clínicas especializadas.

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O médico explica que nos primeiros meses de vida o crescimento da cabeça do bebê é muito rápido: “Aos dois anos, o bebe atinge quase 90% do tamanho do crânio adulto”, diz. Em razão deste rápido crescimento encefálico, quanto antes se inicia o tratamento, maiores as chances de correção do problema.

A primeira medida de tratamento a ser tomada é o reposicionamento. No berço, carrinho, bebê conforto e até no colo: sempre que perceber que o bebê está apoiando a região achatada da cabeça, tente mudar o apoio dele para a parte proeminente – ação que também serve para a prevenção da assimetria.

O apoio excessivo de uma parte da cabeça se dá principalmente durante o sono
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O apoio excessivo de uma parte da cabeça se dá principalmente durante o sono

O reposicionamento pode ser o único tratamento no caso de uma assimetria leve, recomenda Gerd, que completa: “Se até seis meses não conseguiu corrigir a assimetria só com o reposicionamento, é preciso mudar de tática”. Segundo ele, nesta idade, o bebê começa a adquirir força e habilidade, então a eficácia do reposicionamento se torna muito menor.

Outra tática para a correção da assimetria craniana é o uso da órtice, conhecida popularmente como “capacete”. A órtice é feita a partir do escaneamento a laser da cabeça da criança.

“A órtice apóia o tempo todo onde está proeminente e nunca onde está achatado. É apoio, não é pressão” esclarece Gerd. Segundo ele, o capacete não deve incomodar ou machucar a criança. Ela o usa 23 horas por dia, tirando apenas para limpeza da órtice e banho do bebê.

“A cada 15 dias, a criança retorno ao médico. A gente vai desgastando a órtice por dentro, dando progressivamente mais espaço onde é preciso. Vamos direcionando o crescimento para o lugar certo”, conta o médico.

O tratamento com a órtice também precisa ser iniciado cedo: entre três meses e um ano e meio, pois o alto ritmo de crescimento encefálico é necessário para que a correção da assimetria aconteça.

Consequências

Uma criança sem tratamento se torna um adulto com assimetria craniana. A primeira consequência, e mais visível, é estética. Quanto às questões funcionais, apesar de o cérebro funcionar de forma normal, Gerd destaca o fato de a estrutura craniofacial estar torcida, especialmente nos casos de plagiocefalia, pode gerar alguns problemas. O desalinhamento das orelhas que angula o conduto auditivo pode dificultar o mecanismo de autolimpeza, o que aumenta as chances de otite, por exemplo.

Além disso, a articulação temporomandibular, ATM, também fica desalinhada: “Problemas de oclusão dentária, mastigação e dor na ATM são muito mais frequentes em pessoas com plagiocefalia posicional não corrigida, quando comparadas com a população geral”, afirma Gerd. No entanto, ele ressaltou que a assimetria craniana não atrapalha o desenvolvimento cognitivo da criança.

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