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Mulheres preocupadas com a quantidade do alimento que oferecem aos seus bebês podem adotar medidas simples para resolver o problema. Veja sete dicas de especialistas

Chás ou alimentos “milagrosos”, remédios sem prescrição médica, cerveja preta. Por acharem que têm pouco leite durante o período de amamentação, muitas mães topam tudo para tentar aumentar a quantidade de alimento que disponibilizam para seus bebês nos peitos. Mas nenhum desses truques é realmente eficaz. Para os médicos, não passam de mitos que, inclusive, podem prejudicar a mulher (ingerir medicamentos sem orientação profissional traz o risco de reações adversas perigosas) e a criança (no caso da cerveja, principalmente, pois o álcool será ingerido através do leite).

“Amamentar é um ato natural, mas que muitas vezes precisa de orientação, até para evitar um desmame prematuro”, alerta enfermeira pediátrica
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“Amamentar é um ato natural, mas que muitas vezes precisa de orientação, até para evitar um desmame prematuro”, alerta enfermeira pediátrica

As soluções para produzir mais leite estão no corpo e na mente da própria mulher, de acordo com a pediatra Ana Heloísa Gama, fundadora do projeto SOS Mamãe e Cia, e da enfermeira pediátrica Natália Turano Monteiro, da maternidade do Hospital Israelita Albert Einstein. E quem se sente com esse problema não deve ter vergonha de procurar ajuda. “Amamentar é um ato natural, mas que muitas vezes precisa de orientação, até para evitar um desmame prematuro”, alerta Natália.

A pediatra e a enfermeira pediátrica dão sete dicas para ajudar as mães que passam por dificuldades.

1. Aprenda a pega correta do peito
Quando o bebê mama apenas pelos bicos dos seios da mãe, suga pouco leite – o que passa ao organismo da mulher a mensagem de que há excesso de alimento ali. Resultado: para não haver mais desperdício, seu corpo passa a produzir menos leite. Por isso é essencial colocar em prática a pega correta do bebê: boca bem aberta, abocanhando os mamilos e as auréolas. Dessa forma, ele esgotará (ou quase) o alimento a cada mamada, estimulando a produção de mais e mais leite. “Se não conseguir fazer isso sozinha, a mãe pode procurar um Banco de Leite para que lhe ensinem”, sugere Ana Heloísa.

2. Esvazie as mamas após cada refeição do bebê
Caso o bebê esgote todo o leite na mamada, ótimo. Como não é sempre que isso acontece, a mãe pode dar uma forcinha à natureza esvaziando as mamas com as mãos ou com bombinhas – as elétricas de duplo bocal são as que mais estimulam, segundo Natália – logo depois da refeição do filho. Percebendo o vazio, o organismo entenderá que precisa produzir mais leite para encher o “reservatório” novamente.

3. Diminua os intervalos entre as mamadas
Quanto menor o tempo entre uma mamada e outra (e o consequente esvaziamento das mamas), mais rápido o organismo age para produzir um novo estoque de leite para o bebê. O corpo se adequa à alta demanda e nunca deixa faltar alimento. O intervalo máximo para as mães que querem aumentar a produção de leite deve ser de duas horas.

4. Amamente sempre que o bebê demonstrar estar com fome
É o que as especialistas chamam de “livre demanda”. O intervalo de duas horas mencionado no item anterior é recomendado para quando o bebê não demonstra fome, mas se ele quiser se alimentar novamente em menos tempo, permita. O organismo manterá o ritmo acelerado de produção de leite.

5. Durma bem
O pico de ação da prolactina, hormônio que estimula a produção de leite pelas glândulas mamárias, se dá de madrugada, durante o sono. Noites bem dormidas, portanto, são imprescindíveis para amamentar bem seu filho ao longo do dia seguinte.

6. Alimente-se e hidrate-se bem
Tudo que a mãe come e bebe é levado ao organismo do bebê por meio do leite. Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes, significa proporcionar uma nutrição de qualidade para a criança. De igual maneira, beber bastante água, leite, sucos e chás garante a hidratação adequada da mãe e do bebê.

7. Evite situações de estresse
Os hormônios do estresse podem inibir a produção da prolactina e da ocitocina (hormônio responsável por contrair os músculos dos peitos para que o leite chegue aos mamilos). Trocando em miúdos: podem levar o organismo a produzir menos leite e a não conseguir fazer esse alimento chegar em sua totalidade ao alcance do bebê. Pelo menos nos meses em que estiver amamentando, procure dar menos importância a problemas externos.

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