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Mulher, negra, mãe, bissexual e, como se apresentava, “cria da Maré”, a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro foi assassinada nesta quarta-feira

A vereadora Marielle Franco (Psol) foi morta a tiros na noite desta quarta-feira (14) no Rio de Janeiro . Ela tinha 38 anos e foi a quinta vereadora mais votada nas eleições de 2016. E não foi apenas a brutalidade do crime que chocou pessoas em todo o Brasil, mas também a perda de uma mulher que inspirava tantas outras como ela.

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Marielle Franco, a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro nas eleições de 2016, foi morta a tiros nesta quarta-feira
Divulgação/PSOL
Marielle Franco, a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro nas eleições de 2016, foi morta a tiros nesta quarta-feira

Socióloga pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e mestra em Administração Pública pela UFF (Universidade Federal Fluminense), Marielle Franco era também mulher, negra, mãe, bissexual e, como se apresentava, “cria da Maré”, favela da Zona Norte do Rio de Janeiro. Ainda assim, ocupou espaços normalmente preenchidos apenas por homens brancos. Sendo assim, listamos algumas lições da vereadora que nenhuma mulher pode esquecer com sua morte. 

Socióloga e mestra

Foi com uma bolsa integral, após ser aluna do Pré-Vestibular Comunitário da Maré, que a vereadora conseguiu se formar socióloga pela PUC, uma das universidades mais reconhecidas do país. A situação da educação pública no Brasil ainda é precária, mas Marielle conseguiu superar este problema com a ajuda de outras pessoas que, assim como ela fazia após se formar, se importavam com as crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. 

E ela foi além. Mesmo se tornando mãe ainda jovem, com apenas 19 anos, ela não largou os estudos e conquistou o título de mestra em Administração Pública pela UFF. As mulheres que têm filhos ainda têm menos oportunidades no mercado de trabalho, mas isso não barrou as conquistas de Marielle.

Uma entre as sete de 51

Marielle havia sido nomeada como relatora da comissão da Câmara que vai acompanhar a intervenção federal no RJ
Renan Olaz/CMRJ
Marielle havia sido nomeada como relatora da comissão da Câmara que vai acompanhar a intervenção federal no RJ

Marielle fazia parte de um grupo de 51 vereadores do Rio de Janeiro, sendo que apenas sete eram mulheres. Ao chegar na Câmara, ela mostrou que as mulheres podem, sim, ocupar esses espaços e fazer diferença, mesmo que apenas expondo a realidade por trás da vida de uma brasileira. Homens podem fazer uma ideia do que é ser mulher e criar projetos que nos beneficiem, mas só uma mulher sabe realmente o que é ser mulher e o que precisamos.

Lugar de mulher

Ativista pelos direitos humanos, principalmente em defesa dos direitos das mulheres negras e moradores de favelas e periferias, Marielle também nos ensinou sobre compaixão. A vereadora ouvia aqueles que precisavam de ajuda e não tinha medo de denunciar os casos de violência que presenciava. Dias antes de ser morta, vinha questionando na internet a violência policial.

“Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”, escreveu na terça-feira (13) em seu Twitter.

Quando foi assassinada, voltava para casa de uma roda de conversa intitulada “Mulheres Negras Movendo Estruturas”. No encontro, ela lembrou de uma das frases da escritora Audre Lorde: "Não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas.”

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Vereadora era ativista em defesa, principalmente, dos direitos das mulheres negras e moradores de favelas e periferias
Divulgação/PSOL
Vereadora era ativista em defesa, principalmente, dos direitos das mulheres negras e moradores de favelas e periferias

“Vamos que vamos, vamos junto ocupar tudo”, completou Marielle Franco, com um sorriso no rosto e aplaudida pelas mulheres presentes, ao final da roda de conversa.

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