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“Nunca pensei em ficar longe da minha família, era algo inimaginável pra mim." Priscila conta como foi mudar de São Paulo para Curitiba

Já imaginou o que faria se uma das pessoas que você mais ama resolvesse morar a quilômetros de distância? Lidar com algum tipo de mudança pode ser muito difícil para as pessoas, e como consequência por não aceitar ou entender a decisão do outro, laços podem ser enfraquecidos e até mesmo quebrados. Conheça a história de uma família que passou por essa realidade.

Priscila casou-se com Marcel e foi morar em Curitiba. Agora enfrenta a distância da família
Arquivo pessoal
Priscila casou-se com Marcel e foi morar em Curitiba. Agora enfrenta a distância da família


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Ficar longe da família e de quem se ama pode trazer uma sensação de insegurança, pois trata-se de pessoas que são fundamentais em nossas vidas. Por isso a  distância  se torna algo difícil de superar, como explica o psicólogo e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental - Equilíbrio (CASME), Yuri Busin.

O diáologo é sempre a melhor maneira de contornar a situação e deixar o cenário confortável para quem se muda e parte para uma nova etapa da vida e para quem fica. “Tente entender o que o outro pensa, converse e aceite a opinião do outro, deixando de lado o ciúme e o egocentrismo”, aconselha o psicólogo.

Quem já passou por isso

Desde pequena, a analista financeiro Priscila Aparecida dos Santos Jo sempre foi caseira e muito apegada à família . No tempo livre, sempre costumava ir à casa dos parentes próximos e, todos os dias, dava uma passadinha na casa da madrinha dela, Maria Aparecida Montanhas Lima, que ela chama carinhosamente de “dindinha”.

Na faculdade, Priscila conheceu Marcel. Eles começaram a namorar e, depois de alguns anos, ele recebeu uma proposta para trabalhar em Curitiba . “Foi uma decisão ‘nossa’, na verdade meu coração não queria que ele mudasse, porém eu seria egoísta em dizer não. Eu ficaria sempre com a pergunta ‘e se tivesse ido, como seria?’ Foi uma decisão difícil, triste e dolorida”, conta.

Ela confessa que no início não acreditava que a ida de Marcel para Curitiba iria durar, pensou que logo ele voltaria para São Paulo. Porém, isso não aconteceu e o namorado de Priscila foi gostando cada vez mais da nova cidade. Os planos para o casamento começaram e, nesse momento, o casal precisou decidir onde iriam morar.

“Nunca pensei em ficar longe da minha família, era algo inimaginável pra mim”, afirma Priscila. Mas a decisão do casal foi de mudar para a nova cidade . Ela conta que nunca imaginou que a mudança iria transformar a relação com as pessoas que tanto ama. “Antes mesmo de eu ir para Curitiba, algumas pessoas já começaram a me tratar como se eu já estivesse distante. Foi complicado demais enfrentar esse obstáculo”, completa.

Como enfrentar a situação

Uma das pessoas que mais sofreu com a decisão de Priscila de mudar de cidade foi a "dindinha" Maria Aparecida. A madrinha da analista financeiro diz que foi pega de surpresa pela notícia da mudança.

Depois de certa resistência, Maria Aparecida visitou Priscila em Curitiba, com a filha Michelle
Arquivo pessoal
Depois de certa resistência, Maria Aparecida visitou Priscila em Curitiba, com a filha Michelle


Assim que soube, Maria Aparecida conta que já foi se preparando psicologicamente, pois acreditava que com a distância perderiam a convivência do dia-a-dia, as confidências, o apoio diário, o carinho e o estar presente fisicamente.

“Não foi fácil, doeu muito, em alguns momentos as lágrimas insistiram em cair, o aperto no coração e a saudade foram meus companheiros. Foi um aprendizado e hoje sei que o ser humano sempre pode surpreender”, afirma a madrinha. Priscila e Marcel já moram há um ano na capital do Paraná e Maria Aparecida segue em São Paulo. 

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Estreitando laços

Enquanto Maria Aparecida, mesmo sem querer, acabou de afastando de Priscila, a jovem estreitou os laços com a mãe, Luisa Paulo dos Santos. Mãe e filha ficaram ainda mais próximas durante os preparativos do casamento e da mudança de Priscila. 

“Eu fiquei próxima demais da minha mãe, nossa ligação ficou muito mais forte, porém o sofrimento após a mudança também foi maior com essa aproximação”, confessa a analista.

Luisa fala que ficou muito preocupada e triste porque nunca tinha imaginado que ficaria longe da filha, mas compreendeu que era para a felicidade dela e aceitou a situação. “Sinto muita saudade, estou tentando me acostumar, mas está sendo fácil. Se não existisse celular, não sei se aguentaria”, confessa.

Luisa visita a filha com frequência para matar a saudade
Arquivo pessoal
Luisa visita a filha com frequência para matar a saudade


Sem arrependimento

Mesmo com o sofrimento e a saudade, as envolvidas na história acreditam que tudo aconteceu do jeito que tinha de acontecer. Priscila diz que se adapta fácil aos lugares e às pessoas, mas ainda não se acostumou com a distância.

“Queria que São Paulo e Curitiba fosse perto, ou que todas as pessoas que amo continuassem morando por perto, de preferência morassem que aqui em Curitiba”, brinca. “Mas não faria nada diferente, inclusive acredito que faria tudo do mesmo jeito”, completa.   

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Encarando a decisão                    

Encarar uma mudança de vida é assumir também as consequências da decisão. “Não me arrependo, porém sofro com as consequências da distância. Meu sobrinho nasceu há alguns meses e não poder acompanhar o crescimento dele e nem vê-lo diariamente, ou ao menos uma vez por semana, me deixa muito triste. Hoje isso é o mais difícil pra mim”, finaliza Priscila.

O psicólogo completa dizendo que é normal a família passar por esse sofrimento no momento de mudança, já que por boa parte da vida elas permanecem unidas e são consideradas o porto seguro do indivíduo, mas chega um momento que é preciso tomar decisões difíceis e encarar desafios como esse. Com a distância, a saudade pode existir, porém o amor continua e o tempo cura as mágoas que surgiram nesse processo.

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