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"Pensei que era o fim da linha", diz Alcione Silva, que encontrou a solução na comunidade feminina Clube Superela

Uma tristeza desencadeada por um amor não correspondido de longa data somada a um histórico de bullying e isolamento na escola desde a adolescência deixaram a autoestima de Alcione Silva, 24 anos, cada vez mais baixa e fizeram-na querer se matar várias vezes.

Alcione com os seus dois cachorros: Ciço e Menina
Arquivo pessoal
Alcione com os seus dois cachorros: Ciço e Menina


“Eu convivi e cresci com as mesmas pessoas a vida toda e era gordinha, rejeitada, isolada”, desabafa a mineira. Mesmo fazendo terapia com psicólogos há quase 10 anos, ela conta que no começo de 2015 não via mais saída em sua vida e pensou em se matar pela quarta vez. Mas se deu mais uma chance: “Eu digitei no Google ‘procurar conselhos grátis’, e entre cartomantes, videntes e outras pessoas que prometiam mil coisas, eu encontrei o Clube Superela”.

O Clube Superela é uma comunidade online em formato de fórum, onde pessoas perguntam e aconselham sobre os mais diversos assuntos relacionados ao universo feminino.

“As pessoas chegaram como verdadeiras mães, como se fossem pessoas que estavam ali para me dar a mão”, lembra Alcione sobre a repercussão do texto que compartilhou no site.

Arquivo pessoal
"Estou na praia, gosto demais dessa foto", diz Alcione

Em seu pedido por conselhos, contou todo seu histórico de bullying, amor não correspondido por cinco anos, e os vários desejos de se matar - que, segundo ela, existiam apesar de sua fé em Deus - e recebeu conselhos de todos os tipos: bons e ruins.

“Argumentos do tipo ‘Isso é falta de Deus na sua vida’ não ajudam em nada. Porque você tem fé, mas pensa: por que está acontecendo isso na minha vida? Por que eu? Por que eu fui sorteada na loteria do azar?”

Mas entre os diversos comentários e até sugestões de leituras, a jovem encontrou a solução para a tristeza profunda que estava vivendo em algumas companheiras. Entre os conselhos mais úteis para ela estavam: pensar mais nas qualidades do que nos defeitos e focar no que estava dando certo na vida dela; além de refletir sobre quem precisava dela, e não em quem a rejeitava: “Pensar em quem precisava de um sorriso meu”.

Outra atitude que ajudou Alcione a superar o amor não correspondido foi parar de idealizar o amado nos sonhos: “Às vezes a gente cria coisas que não são verdade, e você fica naufragando no sonho que não é capaz de ser realizado.”

“O que mais me ajudou foi uma frase que ouvi: ‘quem olha para dentro, sonha; quem olha para fora, acorda'. Eu passei a olhar mais para fora, passei a olhar para as coisas que eu tenho para fazer e que eu posso fazer algo para mudar.”

Atualmente ela trabalha como secretária no Sindicato dos Professores de sua cidade e nutre dois sonhos que tem muita esperança de conseguir realizá-los: cursar uma faculdade de contabilidade e ter um programa de rádio na emissora local.

Depois de ter superado a vontade de por fim à própria vida com ajuda dos conselhos obtidos pelas usuárias do Superela, Alcione está muito mais focada em lutar pela realização dos sonhos: já está juntando dinheiro para conseguir cursar a faculdade e colocando no papel a ideia de seu programa de rádio para apresentar para a emissora de sua cidade.

Enquanto traça seu futuro que não foi interrompido graças às muitas amizades que fez no site, Alcione conta que a aproximação com as garotas do Clube Superela não foram passageiras: “Até hoje eu converso com a Juliana, todos os dias. A gente mantém nossos assuntos fora do site”, diz sobre um de seus anjos da guarda. 


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