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Apresentador Felipe Andreoli se desculpou ao vivo na TV por uma atitude machista que teve - e nós achamos legal compartilhar como ele repensou seus atos: "Homens devem ajudar a dar mais espaço e oportunidade para as mulheres"

"Foi uma discussão clássica de trânsito. Eu estava na faixa da direita para virar na próxima rua quando um espertinho tentou vir por fora e entrar na minha frente. Até ali, era só alguém,  não uma mulher. Ela jogou o carro com tudo e entrou. Buzinei. Ela jogou beijinho. Aí, me descontrolei. Fiquei xingando todos os nomes, como xingaria pra qualquer um. Quando ela continuou provocando foi o problema, porque fiz uns gestos horríveis. Depois fiquei me sentindo um idiota...rs"

No relato acima, Felipe Andreoli descreve com detalhes ao iG Delas uma briga de trânsito, que, há duas semanas, foi relatada por ele na TV. Ao vivo, na Globo, ele chegou a pedir desculpas pelo que considerou "uma atitude machista" após soltar a frase "tinha que ser mulher" . Relembre o caso aqui .

'Tudo deveria ser mais equilibrado e igualitário entre homens e mulheres. Na prática, infelizmente, ainda estamos muito longe'
Arquivo pessoal
'Tudo deveria ser mais equilibrado e igualitário entre homens e mulheres. Na prática, infelizmente, ainda estamos muito longe'


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"Tinha que ser mulher"

"Já (soltei um 'tinha que ser mulher'), desculpa. Não vou mentir para a Fátima Bernardes", contou ele, em tom envergonhado, no programa de 30 de novembro.

Diante do público, em seu espaço de destaque na programação televisiva, ele fez muito. Ninguém está dizendo quem está certo ou errado no trânsito, muito menos dando razão à motorista aparentemente imprudente.   

Tudo deveria ser mais equilibrado e igualitário entre homens e mulheres. Na prática, infelizmente, ainda estamos muito longe. Ainda mais no Brasil, um país que é dos mais machistas, onde mulheres são agredidas diariamente física e verbalmente"

Andreoli simplesmente disse para pararmos de reproduzir uma frase machista, que coloca boas e péssimas motoristas no mesmo balaio por uma única razão: serem mulheres.

"Aquilo me fez refletir e pensar em alguém assistindo à cena. O cara transtornado, xingando e fazendo gestos sozinho, dentro do carro. Ridículo, né?!", pontua.

Entrevistamos o apresentador para saber o que mais ele pensa sobre o assunto:

iG: As mulheres estão mais engajadas no intuito de promover as igualdades de direitos na prática, como você vê isso?

Felipe Andreoli: Acho óbvio. Claro que tudo deveria ser mais equilibrado e igualitário entre homens e mulheres. Na prática, infelizmente, ainda estamos muito longe. Ainda mais no Brasil, um país que é dos mais machistas, onde mulheres são agredidas diariamente física e verbalmente. Ao menos elas não estão se calando mais. Isso já é um passo. Mas, além do convívio social, nas áreas profissionais tudo precisa evoluir. Os homens também podem ajudar nisso. Dar espaço e oportunidades pra elas.

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iG: No mundo do futebol, em que trabalhou durante anos como repórter, já presenciou algum tipo de situação machista?

Andreoli é casado com a repórter da Globo Rafa Brites
AgNews
Andreoli é casado com a repórter da Globo Rafa Brites

Felipe Andreoli: Olha, sinceramente, não me lembro de ter presenciado nada constrangedor, mas sem dúvida eu reagiria. Jamais deixaria uma pessoas ser desmoralizada na minha frente , nem mulher, nem homem. O que acho que é duro para as mulheres nesse ambiente é aguentar os olhares. Isso acontece e deve ser desagradável. Mas alguém falar uma besteira ou desrespeitar nunca vi.

iG: Você é casado com a apresentadora Rafa Brites. Que tipo de marido é?

Felipe Andreoli: Em casa, posso falar sem vergonha alguma que quem manda, ou melhor, quem comanda a casa é a Rafa. Em todos os sentidos. Ela trabalha igual a mim e ainda consegue resolver praticamente tudo que precisa.  Minha parte é cuidar dos cachorros e dos carros. E se alguém tiver que ir para cozinha, eu vou. E ainda sirvo e tiro a mesa... Ambos temos a liberdade de fazer o que quisermos, juntos ou com os amigos. Temos confiança e cumplicidade mútua. O que um pode, o outro pode também.

iG: Que tipo de conselho daria aos homens?

Felipe Andreoli: Acho que não é questão de feminismo e, sim, de direitos iguais. As mulheres só querem ser tratadas como iguais. Em todas áreas. Sem nos esquecermos que o cavalheirismo deve permanecer para sempre quando se trata de uma mulher. Oxalá elas dominem o mundo. Ele seria bem melhor.

Apresentador do 'Encontro' com Fátima Bernardes comenta machismo no trânsito
Arquivo pessoal
Apresentador do 'Encontro' com Fátima Bernardes comenta machismo no trânsito


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