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A fotógrafa Gracie Hagen registrou por dois anos o drama de mulher que passou por dupla mastectomia e reconstrução dos seios; as imagens são impactantes

Ao mostrar a jornada de uma paciente dignosticada com câncer de mama, a fotógrafa quis ir além das histórias de superação e das fotos de antes e depois
Gracie Hagen/Divulgação
Ao mostrar a jornada de uma paciente dignosticada com câncer de mama, a fotógrafa quis ir além das histórias de superação e das fotos de antes e depois

As fotos podem causar desconforto. Mas foi dessa forma que a fotógrafa americana Gracie Hagen  decidiu chamar a atenção para o câncer de mama. Ela acompanhou e clicou por dois anos o processo de uma mulher que passou por dupla mastectomia e reconstrução dos seios. A ideia dos registros foi da própria fotografada. 

“Eu sabia que isso mostraria o câncer de mama de forma mais real”, diz Gracie sobre o ensaio “Processing the Destination” , lançado nesta quinta-feira, 1º de outubro, mês de conscientização e prevenção do câncer de mama. Ao documentar a dura jornada pela doença, a fotógrafa quis ir além do marketing dos objetos cor de rosa, das histórias de superação e das fotos de antes e depois. 

iG: Qual é a importância de registrar esse processo?
Gracie Hagen: A jornada de cada uma é diferente, isso não é um guia de instruções para ninguém. É informação que nós estamos trazendo à tona para que as mulheres fiquem mais informadas de suas decisões. Quando minha fotografada foi diagnosticada com câncer de mama e teve de decidir pela dupla mastectomia e reconstrução dos seios, ela viu poucas imagens de como o processo seria. Ela só viu fotos de antes e depois. Então, ela investiu nesse projeto porque queria que outras mulheres que passavam pela mesma situação ou pensavam sobre o assunto vissem como era.

iG: Como foi fotografar momentos tão íntimos de uma mulher?
Gracie Hagen: Sinto que foi um privilégio vivenciar a história de outra pessoa. Uma história que geralmente é mantida apenas entre os amigos mais próximos e familiares. Eu me sinto extremamente agradecida por ela ter permitido que eu documentasse isso.

iG: Teve alguma preparação para as fotos? Ela sentiu-se desconfortável?
Gracie Hagen: Foi ideia dela registrar esse processo, então, não achei que ela precisaria de preparação e não acredito que ficou desconfortável em momento algum. Como fotógrafa, me comportei da mesma forma quando fotografamos nudez.

iG: Qual é o significado da criança no ensaio?
Gracie Hagen: A criança está lá para ajudar a mostrar visualmente a passagem do tempo. Todo processo afetou também como ela seria como mãe, então ter a criança nas fotos era pertinente. Quando ela foi diagnosticada, o bebê tinha seis meses. Durante o procedimento, ela passou longos períodos sem poder segurá-la no colo. Ela teve que reavaliar como iria conectar-se com sua filha sem dar colo. Ela teve ainda de lidar com as questões da imagem de seu corpo antes e depois das cirurgias e como isso afetaria na criação de uma menina. Como essas coisas afetariam o crescimento de sua filha, suas experiências de vida e a própria imagem de seu corpo?

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