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Com o slogan "omi estranho em casa nunca mais", Ana Luisa Correard oferece mão de obra para diversas manutenções domiciliares a mulheres que moram sozinhas em São Paulo

Depois do boom dos maridos de aluguel, que salvou muita mulher que mora sozinha de perrengues como chuveiro quebrado e pia vazando, um novo serviço de reparos domiciliares começa a chamar a atenção desse público.

Incomodada com a presença de homens estranhos fazendo serviço em casa, a cineasta Ana Luisa Correard colocou suas habilidades em ação e passou ela mesma a atender mulheres com seu perfil.

A mineira Ana Luisa Correard criou o M'Ana para oferecer à outras mulheres serviços domiciliares
Lucas Carvalho
A mineira Ana Luisa Correard criou o M'Ana para oferecer à outras mulheres serviços domiciliares


Há alguns meses, uma saia-justa foi o pontapé que precisava para criar o próprio serviço de consertos, o M'Ana, um trocadilho com o próprio nome e uma forma carinhosa de chamar as outras mulheres de irmãs.

"Sozinha em casa, liguei para a entrega de botijões de gás e já na minha cozinha o entregador começou a me fazer perguntas como: 'E aquele moço que morava aqui, não está aí? Você está sozinha?'. Isso fez com que eu me sentisse totalmente invadida dentro da minha própria casa", lembra Ana, que concilia seu trabalho como editora e produtora de vídeos em São Paulo com os reparos elétricos e hidráulicos básicos, manutenção em paredes e pisos, montagem de móveis e pequenas instalações.

Foi observando o avô que ela colocou as técnicas em prática quando foi morar sozinha. A mineira não deve nada a seus pares masculinos. Uma das primeiras adeptas do serviço, Larissa Crantschaninov conta que achou o M'Ana incrível, em primeiro lugar, por ser uma alternativa feminina para realizar o trabalho, em vez dos homens que vêm à casa dela fazendo com que ela se sinta insegura. Outro temor é de que eles se aproveitem do seu desconhecimento em mecânica e elétrica para passá-la para trás, muitas vezes cobrando a mais por um serviço simples.

"Já aconteceu comigo algumas vezes: eles inventam que é um problema qualquer e cobram mais caro pelo serviço, sem nem resolvê-lo direito. Logo que descobri a M'Ana, percebi que ela [a Ana] não iria me passar pra trás", desabafa.

Aceitação imediata

Ao divulgar o M'Ana em sua página do Facebook e em alguns grupos da rede social com o slogan “omi estranho em casa nunca mais!”, Ana teve uma repercussão além da esperada: foram mais de mil compartilhamentos em menos de 24 horas da publicação. Para ela, o grande interesse das mulheres tem dois motivos: o primeiro é que muitas podem ter se identificado com o desconforto de receber um homem desconhecido em casa e também a consciência da necessidade de incentivar as mulheres a atuar em áreas rotuladas como masculinas.

Desde que divulgou o serviço, Ana não para de receber propostas: "Esta semana está praticamente lotada. Estou muito animada. Ter contato com tantas mulheres com as quais posso compartilhar conversas, histórias e ideias está sendo uma das experiências mais incríveis da minha vida."

Ana concilia o trabalho como editora e produtora de vídeos em São Paulo com os reparos elétricos e hidráulicos básicos, manutenção em paredes e pisos, montagem de móveis e pequenas instalações
Lucas Carvalho
Ana concilia o trabalho como editora e produtora de vídeos em São Paulo com os reparos elétricos e hidráulicos básicos, manutenção em paredes e pisos, montagem de móveis e pequenas instalações


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