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Babás falam sobre a obrigatoriedade do uso de roupas brancas após polêmicas envolvendo a atriz Fernanda Lima e internautas

Babás que tomam conta de crianças numa praça do bairro Jardim Paulistano, em São Paulo, falam sobre o uso do uniforme: 'A roupa não muda o caráter'
Amanda Garcia
Babás que tomam conta de crianças numa praça do bairro Jardim Paulistano, em São Paulo, falam sobre o uso do uniforme: 'A roupa não muda o caráter'

A roupa branca usada por muitas babás virou alvo de polêmica em junho, quando a advogada Roberta Loria fez uma denúncia de discriminação contra o Esporte Clube Pinheiros , de São Paulo, alegando que a funcionária que cuida de sua filha foi impedida de entrar no estabelecimento por não estar devidamente uniformizada.

O traje branco voltou à discussão pública nesta semana depois que a apresentadora Fernanda Lima compartilhou em seu perfil do Facebook uma foto das duas babás de seus filhos com roupas da moda e escreveu na legenda da imagem: “Aqui em casa não tem essa de babá vestida de branco! Ó o grau das mina!”.

Fernanda Lima divulgou foto das babás nas redes sociais e o fato gerou discussão
Reprodução/Facebook
Fernanda Lima divulgou foto das babás nas redes sociais e o fato gerou discussão

A publicação rendeu centenas de críticas favoráveis e negativas ao posicionamento de Fernanda. Em meio aos comentários, uma internauta divulgou uma foto em que a apresentadora aparece com as crianças e as mesmas funcionárias vestidas de branco em uma praia e a contradição gerou ainda mais discussão no perfil de Fernanda.

O que as babás pensam

Cuidadoras que costumam levar os filhos dos patrões a uma praça de um bairro nobre paulistano falaram ao iG sobre usar ou não o traje branco e até onde a prática afeta a moral das trabalhadoras. Para Vera Lúcia Ferreira, o uniforme é uma forma de "manter a limpeza". Ela conta que quando começou a trabalhar na atual residência recebeu quatro conjuntos e que usa um por dia para estar "sempre limpa". A família que contratou Vera é sócia de outro conhecido clube de São Paulo e ela fala que lá as babás só podem entrar usando o uniforme branco. Ainda assim, ela considera a prática positiva por diferenciar os sócios dos funcionários. "Para mim não tem problema, o importante é fazer o que gosto e ser bem tratada por isso."

Assim como ela, outras babás também alegam que sempre usam uniforme e até preferem colocar a vestimenta a ter de usar as próprias roupas no horário de serviço. Babá há 18 anos, Leide Mendes diz que não se incomoda em usar as peças brancas, mas abre mão delas ao acompanhar a família para quem trabalha em eventos, clubes e viagens. "As patroas pedem: 'ah, não usa não, para ficar mais arrumadinha'.” E ela afirma gostar da atitude. “A gente fica menos destacada. Por exemplo, agora a gente foi para o Caribe. Eu nem sabia quem era babá lá porque ninguém estava de branco. Se você usa branco, você se destaca. Fora do Brasil a gente não usa uniforme, a gente usa roupa normal.”

Santa Maria Ferreira cuida de crianças há dois anos e meio e conta que na casa em que trabalha atualmente os patrões "são bem liberais" e a deixam escolher se quer usar uniforme ou não. Ela opta por usar as próprias roupas. "Já fui a clubes e outros passeios com eles sempre com as minhas roupas, nada de uniforme, e nunca tive problemas. Acho que o critério é a pessoa se sentir a vontade." Em um emprego anterior, a profissional era obrigada a usar branco, mas em uma circunstância desagradável. "Me davam uns uniformes que já estavam em más condições e eu me sentia mal. Uma vez eu coloquei uma calça jeans e me disseram que eu não poderia usá-la, que só poderia ser roupa branca", lembra.

A babá diz que considera o uso de uniforme uma prática normal e que não vê ofensas, mas não pensa o mesmo sobre a exigência da vestimenta branca em clubes, por exemplo. "Eu considero preconceito porque é uma forma de não confundir quem é a mãe e quem é a babá. Ou então para excluir quem é babá e quem não é. Eu acho isso chato, muito preconceito. A roupa não muda o caráter."

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