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Fatores culturais e dificuldade em negociar condições salariais são algumas das justificativas

A lista anual Celeb 100  da revista norte-americana Forbes, que reúne os famosos mais bem pagos do mundo, teve uma ampla gama de talentos em 2015, incluindo desde um jogador de tênis e um chef de cozinha, até um rapper canadense. Mas, apesar da variedade, apenas 16 das personalidades são mulheres. Entre elas, Katy Perry e Taylor Swift aparecem nas dez primeiras posições do ranking.

O resultado reflete a diferença salarial existente entre homens e mulheres e coloca o assunto novamente em pauta. Afinal, por que as mulheres ainda ganham menos do que os homens mesmo exercendo as mesmas funções?

Há quem defenda que, no Brasil, essa circunstância ainda exista pela herança cultural que o país carrega. “A mulher carrega todo um passado em que precisava se dedicar ao lar, ao invés de trabalhar fora de casa. Além disso, também vejo que as mulheres têm mais dificuldade na hora de negociar o salário, elas arriscam menos do que os homens”, diz Caroline Cadorin, gerente da empresa especializada em recrutamento Hays.

Mas está claro que esta é uma questão mundial, que já mereceu até mesmo discurso de repúdio da atriz Patricia Arquete durante a cerimônia do Oscar de 2015. "É nossa hora de ter igualdade de salários de uma vez por todas", disse ela, ao agradecer o prêmio de melhor atriz coadjuvante pela atuação no filme "Boyhood". 

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"Há pouco tempo o papel da mulher era o de manter a família unida. Agora é o momento de quebrar esses paradigmas", fala Caroline Cadorin

A última pesquisa sobre diferença salarial entre gêneros realizada pela Catho, site de classificados de empregos, mostra que apesar de o salário das mulheres subir em relação ao dos homens a cada ano, ainda há diferença na remuneração quando eles ocupam o mesmo cargo. De acordo com os dados levantados, os homens ganham, em média, até 30% a mais do que as mulheres e quanto menor o valor base do cargo, maior é a diferença salarial.

Para problematizar o assunto o restaurante Ramona, no centro de São Paulo, fez uma ação no mês de abril deste ano, intitulada “The Unfair Menu” – O Menu Injusto, em tradução livre –, em que o cardápio de pratos e bebidas estava 30% mais caro para todos os homens que sentavam ali. A porcentagem remetia à diferença média salarial entre os dois gêneros para desempenhar as mesmas funções aqui no Brasil.

Como parte da campanha, foi feito um vídeo onde câmeras escondidas no restaurante registraram a reação negativa dos homens ao notarem os 30% a mais nos preços para eles. “Que brincadeira é essa de cobrar mais dos homens? Um absurdo”, reclamou um dos fregueses. “Tem alguma coisa errada com esse cardápio. Subiram os preços?”, questionou outro.

A fundadora da rede Blue Tree Hotels, Chieko Aoki, conta que como mulher e em uma sociedade japonesa, ela se sentiu invisível no começo de sua vida profissional, mas que, no geral, teve muitos ganhos e ótimas experiências no mercado de trabalho. “Quando comecei como presidente da [companhia hoteleira dos Estados Unidos] Westin, eu era a única mulher. Na Blue Tree também, no início só existiam homens e hoje os números estão quase iguais”, conta.

Presidente da quarta maior rede de hotéis do país, Chieko fala sobre o modelo de negócio que a mulher deveria investir: “Eu, particularmente, gostaria de ver mulheres criando um novo modelo que combinasse seriedade e leveza. Acredito que as mulheres têm paciência para explicar. Sem falar que todo mundo gosta de ter alguém mais sensível na liderança”, completa.

Veja alguns exemplos de diferença salarial na galeria abaixo:



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