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Qualidade de vida

Dorli Kamkhagi fala sobre amadurecimento

é doutora em Psicologia Clinica, mestre em Gerontologia e pesquisadora Do Lim 27- Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

Cuidar dos outros ou de si?

Em vez de tempo para projetos pessoais, muitas vezes a maturidade é investida cuidando de filhos e netos

22/09/2010 15:14

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É normal imaginar que, ao envelhecer, muitas questões como o trabalho e a independência da família estarão mais resolvidas. Na realidade, acabamos por nos deparar com um fenômeno novo e crescente: o número cada vez maior de avós que acabam tendo que ajudar no sustento e no cuidado de seus filhos e netos.

Embora este cuidado também possa significar uma parte do prazer dos avós, assumir responsabilidade pelo dia a dia da família acaba por gerar um alto ônus. Estes pais e mães que já vivenciaram o papel e lugar de cuidadores e tiveram muito de seu tempo investido na dedicação e no desenvolvimento de sua família. É esperado que nesta fase da vida também desejem algo diferente para si. Por que não deveriam? É difícil ter este comprometimento emocional e econômico consigo próprio na idade adulta, ao criar e encaminhar os filhos, porque outras escolhas se tornam prioridade. Na maturidade, poder decidir por uma viagem ou um tratamento que foi adiado por tanto tempo deveria vir sem nenhum sentimento de culpa.

A função dos pais tem que ser uma responsabilidade compartilhada entre eles. Se houver necessidade, pode-se contar com uma ajuda dos avós, desde que esta atitude seja fruto de conversas e das possibilidades e disponibilidade dos avós. Tornou-se um lugar comum pedir esta ajuda irrestrita e sem limites, que muitos avós aceitam como se pudessem dar conta, e acabam se esquecendo daquilo que também pode ser bom e importante para cada um. Uma das escolhas mais importantes da maturidade é saber de quem cuidar. Devemos começar por cuidarmos de nós mesmos.

Sobre o articulista

Dorli Kamkhagi - dkamkhagi@ig.com.br - é doutora em Psicologia Clinica, mestre em Gerontologia e pesquisadora Do Lim 27- Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

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    1 Comentários |

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    • Liza | 23/09/2010 09:15

      Acho que para início de conversa , ninguém tem a vida tão resolvida e a salvo de problemas que deva esquecer-se de si e cuidar da vida dos outros,muitos dizem ,justificando-se, querer"ajudar aos outros",mas o certo é que muitos ocupam-se demais nessa tarefa, par amim, intrusa, qdo não permitida, de tomar conta da vida dos outros do que da sua vida. Para mim , isto é o mesmo que uma ausência de interesses reais em sua própria vida. Significa para mim uma vida pequena, quem sabe, em casos extemos , uma fuga de seus problemas. Um não querer encará-los e, assim,cuidam da vida dos outros. Ocupadíssimos nisso,seguem suas vidas só pensam, falam e interessam-se somente pela vida de outra pessoa.
      Acho que pessoas assim, vivem uma vida sem sentido, ou deveriam canalizar essa energia que tanto empregam , com tanto empenho , em ajudar alguém que conheçam, próximo delas, talvez um familiar, um amigo esteja precisando desa ajuda, desta forma, bem vinda, não desconhecidos.

      Se nada disto é suficiente na vida de pessoas que buscam "ajudar aos outros", bem, talvez aí já seja um caso para psicanálise, ou, em casos graves onde já se caracterize uma mania doentia, um tratamento com psiquiátras.Cuidar, ao invés dos outros, de si mesmos!

      É um bom conselho!....(risos)

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