iG Delas

Colunistas

enhanced by Google
 

Mirna Zambrana

Construa e reforme com planejamento

Mirna Zambrana é formada em arquitetura e urbanismo pelo Mackenzie. Sócia de Aurélio Martinez Flores, tem vasta experiência em projetos residenciais e comerciais

Obras precisam ser registradas nos órgãos competentes

Queda de prédios no Rio relembra a necessidade de acompanhamento técnico e registro das reformas

02/02/2012 06:33

  • Mudar o tamanho da letra:
  • A+
  • A-
Compartilhar:

Foto: Bruna Fantti Ampliar

O que restou do edifício Liberdade, que desabou no Rio de Janeiro

Com a queda do edifício Liberdade, de 20 andares, no Rio de Janeiro, que derrubou mais dois vizinhos, vem à tona, infelizmente, apenas após essa tragédia a questão do registro, controle e fiscalização de reformas em nosso País. Sem esses dados ficará muito mais difícil submergir dos escombros a causa do acidente.

Construção é assunto – e ofício – que grande parte das pessoas conhece um pouco ou acredita que sim. Assim, acaba que o número de reformas sem responsável técnico é grande.

Nas últimas semanas a imprensa explicou exaustivamente quais são os elementos básicos da estrutura de uma edificação, que são: fundação, pilares ou colunas, vigas e lajes. Elementos sagrados para o equilíbrio das construções. É possível alterar algum desses elementos? Sim, é possível. Porém, apenas após ter completa informação de como o edifício foi construído e a cuidadosa análise de um engenheiro especializado em estrutura, para que a alteração seja feita sem riscos.

Claro que quando se trata de uma troca de revestimento um bom empreiteiro resolve o serviço. Mas em reformas maiores, com quebra de alvenaria ou acréscimo de andares é necessário um responsável técnico. A prefeitura pede para ser notificada em caso de troca de revestimentos. Em casos de aumento ou diminuição de área, um projeto completo, com plantas, cortes e fachadas, além de detalhes de degraus de escada ou claraboias, se existirem, deve ser encaminhado para aprovação da obra por esse órgão, antes de seu início.

Toda essa documentação exige a assinatura do autor do projeto arquitetônico e de um responsável pela obra, que pode ser o mesmo profissional, ou não. Esses profissionais recolhem uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) junto ao CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), informando qual será a sua atuação. Essa informação é um texto, e não um desenho (planta), onde é detalhado tudo o que está sendo proposto. Não existe um registro ou verificação do projeto em si, mas do profissional que o fez, sem a necessidade de mostrar o que foi feito. O profissional é soberano sobre sua função, para isso estudou muito e recebeu um título para exercer a profissão.


Leia mais sobre o desabamento dos prédios no Rio de Janeiro
 

No projeto enviado à prefeitura não é exigida a apresentação dos projetos complementares: estrutura, elétrica, hidráulica ou outros. Ela faz valer os códigos de obras e do uso e ocupação do solo de sua cidade, não verificando a forma como será erguida a construção – pelo menos em imóveis pequenos.

Existe ainda o CONTRU – Departamento de Controle do Uso de Imóveis – atua na prevenção e fiscalização de construções residenciais, quando novas, acima de 27 metros de altura; industriais, acima de 750 m²; e comerciais, acima 1.500 m², enfocando itens de segurança. E age também, através de denúncias.

Esse resumo é para salientar a importância do cidadão que transita e se abriga sob qualquer edificação. Carecemos de nos organizar, formar comissões de reformas nos condomínios, não para censurar as propostas, mas para registrar informações que possam ser úteis para futuras manutenções. Além da necessidade de questionamento e alertas para as más condições de conservação dos imóveis. Rachaduras, ferragens expostas ou um simples acúmulo de argamassa se esfarelando do teto podem ser indícios de que algo na saúde da estrutura não vai bem.
 

Acompanhe as novidades do iG Casa também pelo Twitter do Delas.

 

Sobre o articulista

Mirna Zambrana - jbianchi@ig.com - Mirna Zambrana é formada em arquitetura e urbanismo pelo Mackenzie. Sócia de Aurélio Martinez Flores, tem vasta experiência em projetos residenciais e comerciais

» Mais textos deste articulista

    Notícias Relacionadas


    Ver de novo