Claudia Mota completa 10 anos como primeira bailarina no Theatro Municipal e bate um papo exclusivo com a coluna As Flavias dessa semana

Infelizmente a dança vem passando alguns momentos difíceis e delicados quando se menciona o Theatro Municipal do Rio de Janeiro , sendo ele uma das maiores companhias de balé do Brasil e da América Latina. Os funcionários não recebem há meses, e alguns inclusive buscam opções alternativas para ter uma renda mensal. Mas por trás de tudo isso, existem conquistas, felicidade, sonhos e histórias, como a de Claudia Mota, Primeira Bailarina do Theatro.

Claudia Mota em 'O Lago dos Cisnes'
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Claudia Mota em 'O Lago dos Cisnes'


Claudia Mota completou 10 anos em seu cargo no Municipal do RJ no primeiro semestre desse ano, um dos sonhos conquistados ao longo de sua carreira. Claudia conversou com a nossa coluna essa semana com muita atenção e simpatia. Ela, que renovou contrato com o carnaval carioca como coreógrafa da comissão de frente do Imperatriz Leopoldinense, escola do grupo especial, e foi embaixadora do filme "A Bailarina" no Brasil, também vem lutando contra essa crise que o Theatro vive no Rio e se junta aos seus colegas para que ela passe logo. Ela também enaltece tudo de melhor que construíram ao longo dos anos. 

As Flavias - Claudia, você construiu uma carreira no Theatro e está “fazendo aniversário” no seu cargo no Municipal, como foi e se sente?

Claudia Mota: Me sinto afortunada de ser uma Primeira Bailarina no Brasil e me orgulho muito disso! Minha carreira no Theatro aconteceu naturalmente, galgando cada passo e conquista. Estagiei, fui do corpo de baile, passei a solista até chegar a Primeira Bailarina. Vivi todas as fases e etapas da vida de uma bailarina profissional que sonha em conquistar tudo isso, com muito trabalho, dedicação, honestidade e respeito à profissão. Esse ano completo oficialmente 10 anos no cargo de Primeira Bailarina. Oficialmente porque desde o meu segundo ano de companhia, já interpretava primeiros papéis.  

As Flavias - Muitos estão abordando a crise no Theatro, porém alguns querem usar dessa fase ruim para outros fins, como você vê isso?

Claudia: É natural que queiram se aproveitar, cabe a nós saber conduzir da melhor maneira, filtrando o que é bom para a nossa imagem e a do Theatro Municipal, principalmente, e o que não é. Nesse mundo existe muitos oportunistas, temos que saber lidar com eles no dia a dia em todos os aspectos. 

As Flavias - E como está tudo no Theatro nesse momento?

Claudia: Estamos na luta! Vamos continuar o nosso trabalho na medida do possível. Estamos fazendo aulas, ensaiando e nos preparando para mais apresentações, tanto no Theatro como para o #sostheatromunicipal, que é a nossa causa, mas, infelizmente não podemos contar com todos, pois muitos não tem condições de ir ao trabalho por falta de dinheiro. Estamos recebendo doações de alimentos e dinheiro de toda a parte, fora algumas ações que estão sendo feitas para levantar apoio financeiro para os funcionários do Theatro. Estamos "sobrevivendo". 

As Flavias - Você, como primeira bailarina, como se sente?

Claudia: Me sinto "impotente" às vezes, mas existe um leão dentro de mim que urra quando é necessário! Acho que tenho essa missão como Primeira Bailarina também, pois tudo o que sou hoje, além de ter trabalhado muito por isso, foi esse Theatro que me proporcionou, e se depender de mim, farei o impossível para vê-lo sempre magnífico e eterno. 

A primeira bailarina do Municipal do RJ em cena no palco do Theatro
Divulgação
A primeira bailarina do Municipal do RJ em cena no palco do Theatro


As Flavias - Como está a rotina no Theatro?

Claudia: Estamos tentando manter a nossa rotina de trabalho na medida do possível, tanto o corpo artístico, balé, coro e orquestra, como os técnicos e administrativos. 

As Flavias - Quais os seus planos da Claudinha?

Claudia: No momento, continuar dançando no Theatro e em galas internacionais como tenho feito nos últimos anos. Esse ano, já tenho algumas agendadas e é sempre um prazer poder representar o meu país internacionalmente. 

As Flavias - Um sonho que ainda não realizou na dança?

Claudia: Vou realizar, se Deus quiser (rs)! De ser uma Maître de Ballet Internacional e poder coreógrafar as minhas próprias versões de dois Ballet que eu amo, Giselle e La Bayadere. 

As Flavias - Um repertorio que não dançou e gostaria muito?

Claudia: São dois: Manon e A Dama das Camélias. 

As Flavias - Fale um pouco do seu trabalho no Ballet de Manguinhos Comunidade do RJ.

Claudia: O convite para ser madrinha foi uma surpresa, na verdade eu ajudo muito na parte de material e quando posso assisto aos espetáculos e ajudo a divulgar. Estamos começando esse apadrinhamento e para mim está sendo maravilhoso poder contribuir com o aprendizado deles de alguma forma. Eles já foram visitar o Theatro Municipal e ficaram encantados com a sua história, pois é lindo ver nos olhinhos a ansiedade e o sonho desses meninos.  

As Flavias - Se você pudesse mudar ou acrescentar algo na dança no Brasil, o que faria?

Claudia: Mudaria muita coisa, começando com a inclusão de dança nas escolas públicas. Imagina quanto talento não deve ter? Faria mais escolas de balé onde não existe acesso e mais espetáculos de dança, sem dúvidas! Dançamos muito pouco em relação ao que acontece em outros países, isso é uma pena! 

A primeira bailarina Claudia Mota ao lado do também bailarino do Municipal Filipe Moreira
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A primeira bailarina Claudia Mota ao lado do também bailarino do Municipal Filipe Moreira


As Flavias - Fale um pouco sobre sua parceria com o Filipe, bailarino do Municipal.

Claudia Mota: Eu e o Filipe somos amigos pessoais, o que às vezes é bom e em outros momentos nem tanto (rs). Já passamos por momentos muito difíceis, até por conta da intimidade que temos como amigos e a liberdade de falar um para o outro o que sentimos de verdade, sem "firulas". Mas hoje estamos muito afinados, pois praticamente há um ano dançando juntos em todas as temporadas. Eu e Filipe temos em cena o que se costuma dizer, "química". Ele é superexperiente e muito artista, isso me completa e me ajuda muito a desfrutar o momento. Hoje acredito que achamos a nossa maturidade. Nos conhecemos muito fora e dentro do palco. Tem sido maravilhoso e espero que dure ainda por muitos anos... 

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