A 15ª turnê internacional da companhia passará por Ásia (Israel) e Europa (Bélgica, Alemanha e França) entre os meses de março e abril

A SPCD (São Paulo Cia de Dança) foi criada em janeiro de 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo. Ela é gerida pela Associação Pró-Dança e dirigida por Inês Bogéa, doutora em Artes, bailarina, documentarista e escritora.

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Bailarinos Ana Paula Camargo e Diego de Paula, da São Paulo Cia de Dança
Marcela Benvegnu
Bailarinos Ana Paula Camargo e Diego de Paula, da São Paulo Cia de Dança

A São Paulo é uma cia de dança  de repertório , ou seja, realiza montagens de excelência artística, que incluem trabalhos dos séculos XIX, XX e XXI de grandes peças clássicas e modernas a obras contemporâneas especialmente criadas por coreógrafos nacionais e internacionais.  A difusão da dança, produção e circulação de espetáculos fazem parte do  núcleo principal de seu trabalho.

A SPCD apresenta espetáculos de dança no Estado de São Paulo, no Brasil e no exterior e é hoje considerada uma das mais importantes companhias de dança da América Latina pela crítica especializada. Desde sua criação, já foi assistida por um público superior a 520 mil pessoas em 15 diferentes países, passando por mais 110 cidades, em mais de 580 apresentações. 

A companhia sairá no início do mês de março em sua 15ª turnê fora do País e completa em 2017 nove anos de existência.  “Dirigir a São Paulo Companhia de Dança é um grande desafio, que me move a encontrar - em diálogo com artistas, produtores, público, professores, estudantes e outros - uma identidade que seja própria e múltipla. Para mim, é um grande privilégio estar à frente deste grande projeto desde sua fundação, em 2008", comenta Inês. 

Ana Paula Camargo e Joca Antunes em The Seasons
Édouard Lock
Ana Paula Camargo e Joca Antunes em The Seasons

"As turnês internacionais para Europa tiveram início em 2011, a continuidade anual e a ampliação das cidades nas quais nos apresentamos são uma validação da qualidade do trabalho da Companhia, que disputa espaço em um mercado competitivo e com grande tradição e formação cultural, ombro a ombro com as grandes companhias de dança do Mundo”, explica a diretora.

Ela ainda completa: “Esta é nossa 15ª turnê internacional. Em 2017 passaremos pela Ásia (Israel) e Europa (Bélgica, Alemanha e França). A volta da SPCD para algumas cidades e países revela a excelente aceitação da companhia no exterior, cuja temporadas são programadas com antecedência mínima de dois anos. Em muitas cidades os ingressos já estão quase esgotados, o que nos deixa muito felizes”.

 Repertório da turnê

O repertório conta com seis obras criadas especialmente para a cia de dança: The Seasons (2014), de Édouard Lock, - que recebeu o Prix de la Danse de Montréal em 2016 pela coreografia -  Peekaboo (2013), de Marco Goecke, GEN (2014), de Cassi Abranches, Céu Cinzento (2015), de Clébio Oliveira, Mamihlapinatapai (2012) e Ngali... (2016), ambas de Jomar Mesquita com colaboração de Rodrigo de Castro. A última recebeu o prêmio de Melhor Espetáculo de Dança na escolha do público em enquete promovida pelo Guia da Folha de S. Paulo, em 2016.

Completa o programa internacional quatro remontagens:  Indigo Rose (1998) e Petite Mort (1991), ambas de Jirí Kylián, e Gnawa (2005), de Nacho Duato.

Bailarino Yoshi Suzuk
Marcela Benvegnu
Bailarino Yoshi Suzuk


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Roteiro e apresentações

A turnê começa em Israel, em Herzliya, onde a SPCD esteve em 2014. Depois é a vez cidades de Yagur e Jerusalém, que receberão a Companhia pela primeira vez. Lá, o repertório é composto pelas coreografias Indigo Rose, Petite Mort, Céu Cinzento e GEN.

A Companhia sempre recebe convites internacionais para se apresentar, onde essas turnês são custeadas pelo conjunto de contratantes do mercado de cultura internacional. “Ao longo dos anos a Companhia tem sido selecionada pelos programadores e agentes internacionais e convidada a participar das prestigiosas temporadas em diferentes países (Alemanha, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Holanda, Israel, Itália, Luxemburgo, Paraguai, Suíça, Uruguai)”.

Com renome internacional, Inês ressalta a importância de dançar em outros países, mas também em sua casa, porém o maior objetivo é levar a dança para todos os lugares, a nossa dança. “Dançar no Brasil e especialmente no Estado de São Paulo é como dançar em casa, pois o público conhece muito do trabalho realizado e reconhece os artistas e suas particularidades. Quando voltamos a uma cidade, temos a chance de reencontrar não só o público, mas também outros artistas, diretores e produtores, ampliando assim o diálogo já existente", detalha.

As turnês também são fundamentais. "Dançar em um novo país ou em uma nova cidade traz a alegria de novos encontros e possibilidades. O sentimento de levar a dança para os mais diversos espaços, seja no Brasil ou fora dele é sempre especial. Queremos dividir a nossa dança, revelar o Brasil em Movimento”, ressalta Inês.

E para ela, ainda há a paixão pelos passos: "Dança é a forma que eu me conecto com o mundo. Danço com o corpo, com as palavras e com as imagens”.

Duas em uma

A Companhia estará de volta no mês de abril, porém parte dela continua na capital paulista com ensaios e apresentações que se junta a outra parte dela assim que a turnê acabar. “Na volta da turnê teremos a preparação para a temporada do Teatro Sérgio Cardoso, que envolve as estreias de Suíte Raymonda, pelo Ateliê de Coreógrafos Brasileiros, de Guivalde de Almeida, Primavera Fria, de Clébio Oliveira, 14’20” do mestre tcheco Jiri Kylián e de Pássaro de Fogo, - que dá nome à nossa temporada de 2017 - , do alemão Marco Goecke. O público também poderá rever Pivô de Fabiano Lima e Ngali..., de Jomar Mesquita que foram obras premiadas pelo Guia da Folha de S. Paulo no ano passado. Também compõem o repertório Suíte para Dois Pianos, de Uwe Scholz; Indigo Rose de Kylián e La Sylphide, de Marcio Galizzi", lista a diretora.

Luiza Yuk e Vinícius Vieira em Céu Cinzento, de Clébio Oliveir
Juliana Hilal
Luiza Yuk e Vinícius Vieira em Céu Cinzento, de Clébio Oliveir

"É importante dizer que enquanto parte da SPCD está na turnê internacional, outra está aqui com diversos programas e espetáculos. Iremos dançar em Centros Culturais da Prefeitura de São Paulo, Fábricas de Cultura. Iremos à Paraíba, pela primeira vez. Também teremos ações educativas com palestras e oficinas na Companhia e também atividades do projeto Meu Amigo Bailarino, que leva dança para dentro de instituições como asilos e ONGs, entre outras”, completa.

Audições e uma chance na SPCD

Para quem pensa em ingressar na companhia, Inês explica: “A audição é a porta de entrada do bailarino na SPCD. Este processo envolve algumas etapas: envio de material (CV, foto, vídeo e ficha de inscrição) diretamente pelo site da Companhia, para a primeira seleção. A segunda etapa é presencial e envolve aula de balé clássico, dança contemporânea, repertório da Companhia, avaliação médica e entrevista. Além dos selecionados, temos alguns suplentes que podem receber uma proposta de trabalho”.

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A SPCD possui também projetos educativos e de incentivo que fazem parte do programa da cia de dança. “Os projetos educativos assim como os de memória são parte integrante do programa da companhia. Na área educativa oferecemos Palestras para Professores, Oficinas para Bailarinos, Espetáculos Abertos para Estudantes e Terceira Idade, Seminário de Dança, Ateliê Internacional; na área de memória documentários como os Figuras da Dança que contam a história de personalidades da dança do Brasil, a série Canteiro de Obras, que abordam o dia a dia da Companhia, livros de ensaios com autores de diferentes áreas do conhecimento e programas de espetáculos.  Sempre encontramos formas diferentes para que a dança dialogue com outras áreas do conhecimento.

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