Ele é conhecido por seus movimentos precisos e quase perfeitos e é, hoje, solista da maior companhia de dança do Brasil. Saiba mais sobre Yoshi Suzuki

Yoshi Suzuki é um dos melhores bailarinos do Brasil
Felipe Lessa
Yoshi Suzuki é um dos melhores bailarinos do Brasil

O bailarino Yoshi Suzuki não iniciou o balé  tão jovem como todos pensam, porém é considerado hoje um dos maiores talentos da dança do Brasil e tem o trabalho reconhecido no mundo. 

Conhecido por movimentos precisos e quase perfeitos, técnica impecável e leveza somados a alma que reflete nos palcos e treinos, Yoshi Suzuki  hoje é bailarino solista da São Paulo Cia de Dança, a maior do Brasil.

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Carreira na dança

Nascido em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o interesse pela dança se deu na infância durante o período escolar. Aos 10 anos começou no sapateado e aos 13, no jazz. Mas foi aos 14, quando participou de um concurso e oficina com Henrique Carvalho, que o talento para a dança se tornou ainda mais claro. A mãe, que sempre o apoiou, o matriculou em um estúdio de dança na cidade.

Aos 17 ele se profissionalizou. No ano de 2008, Yoshi se mudou para estudar no Conservatório Brasileiro de Dança. Depois, ele prestou audição para o primeiro Corpo de Baile de uma nova companhia que surgia na capital paulista, a São Paulo Cia de Dança (SPCD) onde está até hoje.

O bailarino tem fã clube e é sempre aplaudido de pé em suas apresentações. No mês de fevereiro entra em nova turnê internacional com a Cia, depois vem para São Paulo, no Teatro Sergio Cardoso.

Em entrevista para a coluna, o solista comenta sobre carreira, preferências e novos planos, além de falar sobre a dança e seu momento no Brasil. Um momento marcante de sua carreira foi uma aula seguida de apresentação que realizou no Projeto Social Novos Sonhos, que fica na região da cracolândia.

As Flávias: Porque você dança?

Yoshi Suziki:  A dança está presente em minha vida antes mesmo de me lembrar. Dizem que nós não guardamos memórias de nossos primeiros anos, mas minha mãe sempre conta que pedia a ela para dançar! Quando tinha 4 anos, minha mãe perguntou para mim e minha irmã quais atividades gostaríamos de fazer,  e disse ballet, e minha irmã, judô. Então, ela nos colocou na natação (risos). Desde então, a dança esteve presente em todos os meus desejos, tristezas e alegrias.

As Flávias: Você acha que o cenário da dança no Brasil tem mudado?

Yoshi: O mercado da dança no Brasil tem crescido muito, levando em conta que sua história no país é nova, e mais nova ainda a sua valorização cultural, porém ainda é muito frágil, política e financeiramente. Mas o povo brasileiro é muito quente, determinado e inquieto, assim como a dança que deve ser para crescer, então sempre criamos formas de manter vivo nosso desenvolvimento e assim o da dança no cenário nacional. 

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As Flávias: Há quanto tempo está na SPCD e quais as expectativas e planos para 2017?

Yoshi Suzuki é solista de uma companhia em São Paulo
Felipe Lessa
Yoshi Suzuki é solista de uma companhia em São Paulo

Yoshi: Sou bailarino da SPCD (São Paulo Cia de Dança) desde sua criação, no ano de 2008, pelo governo do Estado de São Paulo. Cresci e me desenvolvi artisticamente junto com ela. Acredito no projeto da companhia, que a dança pode nos fazer evoluir como seres humanos, que ela pode mudar a realidade de vida de muitas pessoas, e pensando nesse assunto gostaria que cada vez mais a população se aproximasse da dança, para isso temos que fazer nossa parte para aproximar cada vez mais a massa, e não apenas uma elite fechada.

As Flávias: Está com viagens marcadas?

Yoshi: Vou entrar em nova turnê com a SPCD no final do mês de fevereiro, vamos dançar em Israel, Alemanha, Bélgica e França. Sempre muita expectativa!

As Flávias: Novas coreografias e temporadas no Brasil?

 Yoshi: As temporadas de espetáculos em São Paulo contam com três estreias, sendo uma delas do coreógrafo brasileiro Clébio Oliveira, e duas outras remontagens, o dueto do Pássaro de Fogo de Marco Goecke e outro dueto 14’20, de Jiri Kilian. Aqui em São Paulo será no mês de junho no Teatro Sérgio Cardoso, e nessa temporada será apresentado também La Sylphide, um marco do balé romântico mundial. 

As Flávias: Existe “rivalidade” entre companhias no Brasil?

Yoshi: Não! Posso falar que não há espaço para isso, temos um mercado muito pequeno de companhias, procuramos nos manter unidos e auxiliando nossa classe. 

As Flávias: Um momento marcante profissionalmente para você?

Bailarinho Yoshi Suzuki no palco
Clarice Lambert
Bailarinho Yoshi Suzuki no palco

Yoshi: Em 2014 tive a oportunidade de dançar dois dos balés que eu mais sonhava, e o presente veio da diretora da SPCD Inês Bogeá e do Mario Galizzi, atualmente diretor da Companhia Nacional do México. Ele remontou essas duas peças para a companhia e me escolheu como elenco principal. Foi minha realização profissional que veio seguida de uma promoção para o cargo de solista na SPCD.

As Flávias: Você pensa em sair do País? Por quê?

Yoshi: Sim, penso! Mas aqui sou muito realizado profissionalmente, dancei muito, balés que nunca sonharia, e trabalhei com profissionais que são referência na dança mundial, então o motivo de sair seria apenas por uma realização pessoal mesmo, ter uma experiência nova em minha vida. 

As Flávias: Como foi para a dança o ano de 2016 e o que se almeja para 2017?

Yoshi: O ano de 2016 foi difícil para o Brasil todo, para a dança não seria diferente, então 2017 deve ser um ano para analisar e reestruturar nosso pensamento para ter um aproveitamento e conseguir um desenvolvimento tanto profissional, quanto pessoal, acredito que as crises existam para nos fazer mais fortes, precisamos ter barreiras para aprender a contorna-las. 

As Flávias: Um sonho na dança que ainda não realizou?

Yoshi: Não realizei e nunca vou realizar, que é o sonho de ser perfeito no que eu faço! Essa é a graça, a busca pelo seu ideal é algo utópico, isso nos faz busca por mais. Ao mesmo tempo que temos que aceitar como somos, devemos buscar sempre evoluir e nos aprofundar em nossos ideais, sem isso não há graça, a vida é melhor se existir um motivo para nos mover. 

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As Flávias: Você é muito exigente com você? O bailarino é perfeccionista ao extremo?

Yoshi: É sempre bom ter um equilíbrio, para que isso não gere frustrações internas, o bailarino tem que exigir sempre o melhor de si, mas saber se aceitar também.

As Flávias: Você é considerado hoje um dos melhores bailarinos do Brasil, a que acha que levou a isso?

Yoshi: Acredito que o trabalho, determinação e os amigos. Um trabalho bem feito sempre é notado, nem que seja por uma pessoa apenas. A determinação é o que nos faz buscar continuar mesmo nos momentos difíceis. E os amigos são as pessoas que estão a seu lado trocando energias e ajudando mutuamente o desenvolvimento um do outro.  

As Flávias: Um bailarino que adora e por quê?

Yoshi: O também brasileiro Marcelo Gomes que dança no ABT em Nova York é um dos bailarinos que mais admiro. Ele conquistou sua carreira de sucesso internacional em uma das melhores companhias de dança do mundo com muito trabalho e carisma. 

As Flávias: Que momento vive hoje e almeja para o seu futuro?

Yoshi: Estou muito realizado com a minha vida e minha carreira, e no momento procuro aproveitar o meu presente e sempre trabalhar para me desenvolver como um profissional cada vez melhor! 

As Flávias: Quando se “aposentar” o que pensa em fazer?

Yoshi: Não diria me aposentar, já que a dança nunca vai deixar de existir na minha vida, vejo mais como uma transição para um outro lado da dança. Tenho muito prazer em ensinar, talvez ser um ensaiador ou professor seja um bom caminho, mas não sei ao certo. Procuro pensar sobre esse assunto com muita tranquilidade, pois acredito que a vida acaba se encarregando de nos mostrar os caminhos.

As Flávias: Para quem quer ser bailarino... O que dá como conselho?

Yoshi Suzuki
Thomas Kolish Jr
Yoshi Suzuki

Yoshi: Meu conselho é trabalhe, trabalhe muito! Estude muito como se fosse prestar um vestibular para medicina, pois o mercado é muito competitivo e você tem que estar muito bem preparado.

As Flávias: Como foi conhecer o Projeto Novos Sonhos na Cracolândia?

Yoshi: Um dos momentos mais emocionantes que essa carreira me proporcionou! Eu acredito que a dança pode mudar a vida das pessoas, e esse projeto é a prova disso, pois toda criança e adulto merece ter uma alegria na vida que o faça se sentir vivo, a minha é a dança, é o que me faz levantar todos os dias, porém não são todos que tem esse acesso. Esse projeto leva esperança e sonhos a se realizar a crianças que tem uma realidade muito difícil, para que elas se tornem adultos preenchidos de amor, dignidade e sonhos.

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*As Flávias é uma coluna sobre o universo da dança comandada por Flávia Goldstein e Flávia Viana

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