Considerado um dos maiores do mundo, Thiago Soares, primeiro bailarino da Royal Ballet de Londres, se apresenta a preços populares no Rio até domingo

Em meio a toda essa correria de final de ano e temporadas no Brasil, o bailarino brasileiro Thiago Soares nos reservou um tempinho em sua agenda. Em um lobby de hotel em São Paulo, o primeiro bailarino da Royal Ballet de Londres falou um pouco sobre a rotina de exercícios, rituais e parcerias, pois ao final desse mês volta para a sua outra rotina em Londres, onde reside há alguns anos. E ainda terá muito trabalho pela frente, com agenda cheia o semestre todo não só na Inglaterra, mas também na Austrália.

Thiago Soares e Danilo Dalma em 'Roots'
Carlos Galvão
Thiago Soares e Danilo Dalma em 'Roots'


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Thiago Soares começou no circo ainda criança e descobriu a dança clássica aos 15 anos. É dono da primeira e única medalha de um brasileiro no Ballet Bolshoi , da Rússia, e coleciona títulos. Hoje, é referência no universo do balé no mundo, é solista em diversos espetáculos e ainda tem uma série montagens feitas especialmente para ele. 

Veja o papo exclusivo de As Flávias com Thiago:

As Flávias: O que você costuma comer e como faz para manter a forma?
Thiago Soares: Como de tudo, mas evito gorduras. Diminui bem os alcoólicos, como carne vermelha, e não excedo no açúcar. Faço pilates, aulas na companhia, complemento com professores - inclusive quando estou fora também, pois me olham de uma forma particular. Faço musculação e vou me moldando também com os trabalhos que realizo.

Thiago Soares
Divulgação
Thiago Soares

As Flávias: Ritual antes do palco, você tem?
Thiago: Vários! Se eu sinto que estou muito cansado, negativo, ansioso, faço algo mental, como ouvir música e fazer exercícios. Tomo café antes de entrar no palco, troco de sapatilha no último momento, vou ao banheiro... Muitas coisas (risos).

As Flávias: Como você vê o cenário da dança no Brasil hoje?
Thiago:  Houve uma melhora muito grande na parte artística: mais talentos, desenvolvimento de ideias, professores gerando artistas melhores, enfim, por esse lado a indústria da dança está muito bem. Mas a parte que gera trabalhos e paga para sustentar projetos está em um momento muito difícil, acredito ter piorado muito. As pessoas estão com mais dificuldades, sem apoio, menos dinâmica e poder para caminhar. É o que eu vejo e sinto hoje!

As Flávias: Você pensa em voltar de vez para o Brasil?
Thiago:  No futuro, sim. Tenho casa, família, tudo aqui no Brasil. Mas hoje ainda não penso em voltar. Minha base está em Londres, minhas responsabilidades artísticas estão todas lá. No futuro nada impede de eu vir, pois eu amo o meu País. Hoje estou vivendo esse sonho de estar lá. Você vai almejando, construindo projetos de vida e eles vão acontecendo. Eu me sinto um grande privilegiado.

Você dançou depois de muitos anos no Brasil o espetáculo ‘O Quebra Nozes’ . Como foi?
Thiago: A Dona Hulda Bittencourt, diretora e fundadora da Cisne Negro Cia de Dança, me chamou para dançar o espetáculo e, após oito anos da última vez que dancei como convidado, conciliamos as agendas e consegui participar. Ela queria muito que eu fizesse e dançasse, apesar de toda essa crise no Brasil. Também gostaria que eu dançasse com a Svetlana, do Ballet do Canadá, com quem eu já queria dançar antes. Aí fiquei sabendo que ela viria e dançamos juntos, foi ótimo. Foi uma grande celebração para Dona Hulda, ela deu e dá muito para a dança do País. "O Quebra Nozes" é um presente de Natal para as pessoas todo o final de ano, todos trabalham tanto e esse balé é para toda a família. Celebramos todos juntos os 33 anos de apresentações desse espetáculo que todos adoram.

 As Flávias: Você agora está em cartaz com o espetáculo "Roots"...
Thiago: Estou com a segunda temporada de "Roots" agora - termina no dia 22 de janeiro. Hugo Alexandre me inseriu na dança e ele sempre quis me “devolver” para a dança de rua, pois o "Roots" é uma conversa de onde eu vim com onde estou agora. É um espetáculo de rapazes, é um diálogo de dois amigos falando do clássico, do urbano e do erudito. Fala das minhas lembranças, e veio em um momento muito bom e especial para mim. É quase uma terapia e caiu muito bem. É uma hora com dois artistas no palco, estou muito feliz!

Thiago Soares na preparação para 'Roots'
Divulgação
Thiago Soares na preparação para 'Roots'


De menino do circo a bailarino renomado - quem é Thiago Soares

Thiago Soares viveu a infância e a adolescência na cidade do Rio de Janeiro. Nascido em São Gonçalo e criado no bairro de Vila Isabel, aos nove anos começou a frequentar a uma escola de Circo , onde encontrou na acrobacia e na atuação as primeiras experiências. Vivendo um momento de proeminência ainda no circo, Thiago foi encorajado a buscar uma escola de dança para aperfeiçoar seus movimentos no breakdance e no hip-hop.

O início da carreira na dança clássica foi aos 15 anos, quando começou os estudos no Méier. Ao se destacar por suas habilidades e por ter um biotipo ideal para a dança, passou a integrar, aos 17 anos, o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro .

Nesse mesmo ano, conquistou a Medalha de Prata no Concurso Internacional de Dança de Paris. Em sua trajetória no Rio de Janeiro, interpretou os papéis principais em 'O Quebra-Nozes', 'Don Quixote', 'Floresta Amazônica', 'O Lago dos Cisnes' e em 'Tome Valsa', criado por Tindaro Silvano especialmente para ele e a bailarina Cecília Kerche.

Primeiros títulos

Em 2001, participou do Concurso Internacional do Ballet Bolshoi , na Rússia, e conquistou a medalha de ouro, disputada entre mais de 270 candidatos. A vitória foi um marco na história da dança nacional, já que foi a primeira e única conquistada por um brasileiro até hoje. Após isso, foi convidado para estagiar no Balé Kirov , tornando-se o segundo estrangeiro a integrar a companhia em 100 anos de história.

No ano seguinte, foi convidado a integrar o corpo de baile do  Royal Ballet de Londres . Em 2002, foi promovido a solista; em 2004, passou a ser primeiro solista e foi premiado como a artista revelação masculina de dança clássica, pela premiação Critics' Circle National Dance Awards. E então, em 2006, conquistou o posto de Primeiro Bailarino do Royal Ballet .

Carreia consolidada

Thiago no palco de 'Onegin'
Divulgação
Thiago no palco de 'Onegin'

No Royal, o seu repertório inclui o papel-título nas produções de 'Onegin', 'A Bela Adormecida', 'La Bayadère', 'O Lago dos Cisnes', 'O Quebra-Nozes', 'Coppélia', 'Voluntários', 'Gong', 'Romeu e Julieta', 'Anastasia', 'Manon', 'Sonhos de Inverno', 'Mayerling e Las Hermanas'. Ainda tem montagens criadas especialmente para ele: 'Les Saisons', 'The Seven Deadly Sins', 'Sweet Violets and Raven Girl'.

Fora do Royal Ballet, Thiago Soares se apresentou ainda como convidado nos principais teatros do mundo como: Teatro Alla Scalla di Milano, Teatro Argentino de La Plata, Bolshoi, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Estonian National Opera, Teatro dell’Opera di Roma e o Munich National Theatre.  

Algumas premiações do bailarino:

1998: Medalha de Prata - Paris International Dance Competition

2001: Medalha de Ouro - Moscow International Ballet Competition

2004: Outstanding Male Artist (Classical) - Critics' Circle National Dance Award

2013: Prêmio especial do board - Brazilian International Press Awards

Thiago Soares segue em cartaz com o espetáculo "Roots", no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, até domingo. O ingresso custa R$ 10.

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