Benedito Abbud

Jardins para sentir e viver

Benedito Abbud é mestre em arquitetura paisagística pela FAU-USP. Ex-presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas tem projetos no Brasil e exterior

Iniciando um jardim

Um roteiro, passo a passo, do que pensar na hora de criar um canto especial

10/02/2011 07:59

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Foto: arquivo pessoal Ampliar

Abuse do lápis e do papel para distribuir e adequar os equipamentos e plantas no jardim

Luvas, diferentes tipos de ferramentas, vasos, adubos, mudas e sementes estão longe de garantir um belo jardim se não houver um bom planejamento.

Aquela muda frágil, plantada com tanto carinho, pode se transformar numa imensa árvore que enche as calhas de folhas secas, sombreando áreas que necessitam de sol ou escondendo a vista maravilhosa que fez você comprar aquele terreno. Pior ainda, ela poderá até ser sacrificada, caso suas raízes coloquem em risco a estrutura da casa.

Depois de tanto trabalho, você também pode descobrir que áreas do jardim deveriam ter função mais útil. Sendo assim, é importante definir o uso do jardim pensando no tipo de vida, necessidades e costumes de todos os integrantes da família. Isso é um bom começo.

Tomar sol, ler, refrescar-se e cozinhar ao ar livre, por exemplo, são atividades que requerem equipamentos como espreguiçadeiras, duchas, cadeiras confortáveis, mesas, local para cocção, iluminação adequada e a infra-estrutura correspondente, como gás, energia, água e esgoto.

A dica é abusar do lápis e do papel para distribuir e adequar estes equipamentos no espaço disponível. Além do tamanho de cada ambiente, pense nas ligações entre eles. Preserve o isolamento dos locais de introspecção e facilite o acesso entre os lugares de reunião da família.

Imagine, agora, a vegetação. Não ainda as espécies, mas simplesmente os volumes vegetais. Uma cerca viva para “anular” a presença do muro próximo, a sombra de uma árvore para dar aconchego e “escala” ao lounge, um gramado central para o jardim “respirar”, uma arcada de palmeiras para ambientar a piscina, um tufo para compor esteticamente um canto da varanda, uma sequência de árvores verticais junto ao muro lateral para barrar o sol quente da tarde etc.

Em seguida, detalhe mais esses volumes vegetais, pensando nas áreas coloridas pelas folhas ou flores. Espalhe sabores e perfumes, lembrando-se das frutíferas e plantas aromáticas.

É possível até mesmo planejar caminhos com percurso agradável. Despertar as sensações humanas, organizar espaços fechados e sombreados, intercalados por outros amplos e ensolarados poderão provocar surpresas e bem-estar.

O próximo passo é pedir ajuda aos viveiristas, vendedores de mudas ou técnicos em vegetação. Nem sempre existe aquele arbusto de flores lilás para compor com aquela forração de folhas roxas. Mas talvez você encontre um arbusto de flores rosa e a forração com folhas vinho. Essa experiência poderá resultar em algo até mais interessante.

 

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Benedito Abbud - jbianchi@ig.com - Benedito Abbud é mestre em arquitetura paisagística pela FAU-USP. Ex-presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas tem projetos no Brasil e exterior

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