Mirna Zambrana

Construa e reforme com planejamento

Mirna Zambrana é formada em arquitetura e urbanismo pelo Mackenzie. Sócia de Aurélio Martinez Flores, tem vasta experiência em projetos residenciais e comerciais

A cor como nossa aliada

Fatores culturais, gosto, luz e aspectos fisiológicos determinam a escolha das cores em casa

04/08/2010 14:59

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Falar de cor é sempre bastante complexo. Ainda mais para mim, que sou uma arquiteta do branco.

O branco serve de fundo para elementos coloridos, sejam naturais, objetos ou pessoas, sendo que incluo entre os elementos naturais, a sombra. Ela pode formar um desenho vivo em uma parede branca conforme o movimento do sol. Mas mesmo que eu seja praticante do branco, estou convicta de que o prazer de ver cores bem aplicadas é universal.

Foto: Reprodução

Lembre que cores nas paredes internas são de usufruto privado, na fachada o usufruto é público

A sensação de ver uma boa composição é uma explosão de felicidade. Quem foi na exposição de um grande mestre da cor o artista francês Henri Matisse (1869-1954), na Pinacoteca do Estado de SP, no ano passado, acredito que possa ter verificado essa sensação.

A natureza, seja na mata, no fundo do oceano, nas rochas ou na caatinga, tem a exuberância cromática que tanto desejamos. Na arquitetura, para a utilização da cor, considero cinco premissas básicas.


A primeira são os aspectos fisiológicos, ou seja, as reações causadas mediante a captação da cor pelo olho humano. A segunda são os fatores culturais. A simbologia que cada cor ou a união de duas ou mais cores representam. A bandeira branca da paz, o preto do luto, o verde do meio ambiente e aí afora.

A cada quatro anos presenciamos em nosso país a folia do verde e amarelo na Copa – e não nas eleições presidenciais. E será difícil esquecer o que significou o laranja neste último mundial.

Gosto pessoal, luz e soluções naturais

A terceira premissa para escolha da cor é o gosto. Absolutamente pessoal e baseado na experiência de cada um, o gosto é indiscutível, porém, nessa seara, vale abrir o baú de memórias e pinçar uma boa lembrança associada a uma determinada cor.

A quarta premissa é a luz. Sem ela nada se enxerga, mas caso você opte por aplicar uma cor em um ambiente interno é bom levar em consideração que haverá mais absorção de luz. Um ambiente com pouca entrada de luz natural pode ficar escuro e, à noite, será necessário uma boa distribuição e maior quantidade de luz artificial.

A quinta premissa é a dos materiais naturais. Uma boa alternativa quando não se quer colorir, mas ter cores naturais é utilizar materiais com cor própria como madeiras, pedras, tijolos, concreto etc.

Cores públicas

É importante lembrar que cores nas paredes internas são de usufruto privado, na fachada o usufruto é público. Sua casa contribuirá na composição da cidade. Pense nisso.

Um exemplo inusitado de cores em fachadas está nas casas populares típicas do Nordeste fotografadas pela arquiteta Anna Mariani e em exibição no IMS- Instituto Moreira Salles.

O arquiteto Luis Barragán (1902-1988), Prêmio Pritzker em 1980, que teve forte influência de suas raízes mexicanas, além dos Jardins Europeus e de povos do Norte da África e da Arquitetura Moderna, utilizou a cor com absoluta maestria.

Entre muitos ensinamentos disse certa vez: “Eu acredito que arquitetos deveriam desenhar jardins para serem usados tanto quanto as casas que eles constroem, para desenvolver um senso de beleza e o gosto voltado para as artes e outros valores espirituais”. E mais, “qualquer trabalho de arquitetura que não expresse serenidade é um erro”. Palavras de um mestre.
 

 

 

 

 

Sobre o articulista

Mirna Zambrana - jbianchi@ig.com - Mirna Zambrana é formada em arquitetura e urbanismo pelo Mackenzie. Sócia de Aurélio Martinez Flores, tem vasta experiência em projetos residenciais e comerciais

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