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Premiado por seus projetos com forte apelo sustentável, o arquiteto Mario Cucinella veio ao Brasil para discutir como tornar as construções menos degradantes ao meio ambiente

A 10ª edição da Bienal de Arquitetura de São Paulo já está aberta na cidade e o italiano Mario Cucinella foi um dos primeiros a começar os debates. Com trabalhos marcados pela grande eficiência energética, o arquiteto de destaque internacional ainda esbanja criatividade em suas construções. Ele busca alternativas no próprio meio ambiente para aumentar o índice de sustentabilidade dos projetos. A nova sede da agência de telecomunicações argelina é um exemplo. Cucinella usou as dunas da região como referência para projetar um edifício de formato aerodinâmico, que conseguiu aproveitar os ventos do local para criar um sistema interno de ventilação natural. “A forma convexa do prédio permite capturar o ar fresco noturno e dispensar o uso recorrente de ar-condicionado”, afirma.

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O arquiteto italiano, que já recebeu diversos prêmios ligados à sustentabilidade, entre eles o MIPIM Green Building Award e o Energy Performance+Architecture Award, também recorre à tecnologia em suas criações. Mas garante não haver milagre. “Uso sistemas como placas fotovoltaicas e vidros eficientes. No entanto, o caráter sustentável está muito mais ligado à forma de usar materiais simples do que a processos tecnológicos”, diz.

Cucinella explica ainda que os ganhos com eficiência energética são conseguidos durante análises criteriosas de aspectos como geografia e clima do lugar . “Observar a natureza é fundamental antes do início das projeções. Cada obra é impactada de maneira diferente”, afirma. A adequação do projeto foi justamente o ponto de partida para desenvolver a sede da 3M na Itália. O edifício apresenta blocos alongados sobrepostos que permitem a melhor captação de luz solar e correntes de ventos. Além da funcionalidade, o arquiteto buscou inspiração estética no formato das geleiras para decidir a melhor maneira de sobrepor os blocos.  

Mas investir em arquiteturas que impactem pouco a natureza não é um trabalho fácil, garante Cucinella. “Procuro encontrar sempre a melhor alternativa e faço diversas tentativas. O importante é obter, no final, um projeto bonito e funcional, que atenda a todas as expectativas”, diz.

Professor da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, Cucinella também não hesita em opinar sobre o urbanismo de São Paulo. “Faltam espaços públicos e áreas verdes, algo muito importante na melhoria do bem-estar da população. A cidade é caótica, talvez pelo crescimento pouco planejado, e sem grandes expoentes na arquitetura”, afirma. A saída para tirar a cidade do caos? Discutir e planejar. “Pensar nos impactos urbanos em longo prazo é uma das formas. Além disso, estratégias que minimizem os problemas devem ser traçadas. O trânsito, por exemplo, pode ser diminuído com a criação de pequenos núcleos repletos de habitações e trabalho nos bairros”, diz.


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