Tamanho do texto

Comédia romântica e livro discutem a quantidade de homens com os quais uma mulher transa até achar o par ideal

A soma dos parceiros sexuais de uma mulher desde o primeiro namorado até o casamento varia bastante. Quem sobe ao altar com o amor da adolescência provavelmente tem um currículo sexual menor que o de alguém que passou anos beijando – e transando – com sapos. Mas existe um valor alto demais para esse total? É esse o dilema da personagem Ally Darling (Anna Faris) no filme “Qual é seu número?”, que estreou nos cinemas na última semana. Ela se preocupa quando descobre que as mulheres americanas têm em média 10,5 parceiros sexuais ao longo da vida e que 96% daquelas que já tiveram 20 namorados ou mais, não conseguem encontrar um marido.

Baseado no livro de mesmo nome (Editora Novo Conceito) o longa narra a trajetória cômica de Darling para encontrar o amor de sua vida entre os 19 homens com quem já transou anteriormente: tudo para não aumentar seu número e garantir que não deixou um bom partido escapar. Solteira, sem emprego e prestes a completar 30 anos, a personagem incorpora angústias femininas comuns em relação ao futuro amoroso e o passado sexual.

Ally está preocupada porque já transou com 19 homens e ainda não achou o companheiro ideal
Divulgação
Ally está preocupada porque já transou com 19 homens e ainda não achou o companheiro ideal


Ser “mulher de um homem só” já foi motivo de orgulho em gerações passadas, mas será que depois da revolução sexual os dígitos ainda são relevantes? “Na época de nossas avós, esperava-se que as mulheres casassem e tivessem filhos. Hoje elas estão em todas as profissões e se espera que elas sejam provedoras. Então, a mulher hoje pode ter quantos parceiros quiser, desde que se proteja”, diz Maria Helena Vilela, educadora e diretora do Centro de Estudos da Sexualidade Humana - Instituto Kaplan. Segundo ela, a emancipação feminina, a não obrigatoriedade de se casar virgem, a pílula anticoncepcional e o teste de DNA transformaram o papel da mulher.

É mais difícil para as mulheres
Para Karyn Bosnak, autora do livro que virou best-seller, o espanto de Ally ao saber que atingiu uma espécie de marca aponta outra verdade: homens e mulheres mentem sobre seus números. “Homens geralmente o aumentam, acreditando que, se as pessoas pensarem que eles dormiram com 40 mulheres, mesmo só tenham dormido com quatro, vai parecer que eles são garanhões mais bem sucedidos do que realmente são. As mulheres, por outro lado, geralmente diminuem o número, deixando de fora os homens de que elas gostariam de esquecer”, diz a personagem no início do livro.

Admitir um número de parceiros sexuais acima da média pode fazer maravilhas para a reputação de um homem entre os amigos, mas ainda é difícil para algumas mulheres que temem a fama de “mulher fácil”. Para a sexóloga e psicóloga Suely Vicino a educação desde a infância influencia na forma com a qual lidamos com a sexualidade. “Você pega os filhos de um mesmo casal e o menino pode jogar videogame de perna aberta, mas a menina eles mandam fechar as pernas. Desde criança o menino é incentivado a ser o garanhão”, explica ela.

Parceiros significativos são poucos
Se a personagem do filme americano já teve 19 parceiros perto de completar os 30 anos, ela não está longe da estatística brasileira. Segundo o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, mulheres de 18 a 25 anos tiveram em média 1,7 parceiros sexuais no último ano. “Ela troca de parceiro duas vezes por ano. Na progressão, quando chegar aos 35, já poderá ter tido 20 parceiros”, explica Carmita Abdo, coordeandora do estudo e do Programa de Estudos em Sexualidade (Prosex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Vale apontar que o número de parceiros sexuais nem sempre é o mesmo que o de parceiros marcantes na vida da mulher. Esses homens mais significativos e com os quais elas desenvolveram uma relação não só sexual ao longo da vida ficam entre dois e três, lembra Carmita. []

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.