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Como a participante do Big Brother Brasil, mulheres – e até homens – mentem durante o sexo, mas especialistas criticam a atuação constante

Talula abriu o jogo sobre seu comportamento sexual logo na primeira semana do programa
Divulgação
Talula abriu o jogo sobre seu comportamento sexual logo na primeira semana do programa
Sexo e outras intimidades são assuntos recorrentes entre os confinados de reality shows. Com câmeras espalhadas por todos os lados em busca de flagras, a teoria parece ser um alento. E na 11ª edição do Big Brother Brasil, programa exibido pela Rede Globo, não tem sido diferente. Logo na primeira semana, a participante Talula abriu o jogo e declarou que já fingiu orgasmos. "Às vezes estava tão cansada e com vontade de dormir que não tinha dúvidas. Era até um alívio", disse a modelo para os colegas.

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A “sister” não é a única que escolhe a atuação no lugar da sinceridade, nem faz parte de uma minoria. Pesquisas recentes revelam 50% das mulheres já fingiram um orgasmo. No Brasil, os números são do Datafolha, segundo levantamento divulgado em 2010. Para especialistas, o número real pode ser ainda maior. “Uma boa parte das mulheres – pelo menos uma vez na vida – já fingiu. Isso é fato se você considerar que 30% das brasileiras nunca chegaram ao orgasmo”, aponta Carla Cecarello, sexóloga fundadora da Associação Brasileira de Sexualidade (ABS) e coordenadora do Projeto AmbSex (Ambulatório de Sexualidade). Para ela, a mulher deixa aflorar um lado materno na relação sexual: “Fingem como uma forma de proteger o parceiro ou se sentem envergonhadas”, diz ela.

[] Uma encenação ocasional não é problema, segundo Nelson Gonçalves, ginecologista e sexólogo, chefe da clínica de sexologia da Santa Casa de São Paulo. “Às vezes a pessoa finge uma vez para resolver uma situação, porque está cansada ou não viu alternativa. Fingir sistematicamente é que é um problema”, alerta o especialista. Nesses casos é preciso investigar quais os motivos psicológicos ou físicos que estão impedindo o gozo. Para o ginecologista, é possível que as mulheres finjam mais em alguns períodos ou momentos de vida.

Os dois especialistas concordam que dizer a verdade é o melhor caminho não só para a relação, mas para a mulher. “O orgasmo deveria ser exposto quando acontece e quando não acontece. E se não está querendo sexo, melhor falar e não transar”, diz Carla. Segundo ela, as mulheres acham que precisam estar sempre disponíveis para o parceiro, o que leva ao sexo sem vontade em alguns momentos. Ou seja, em vez de falar a verdade, muitas mulheres arrumam uma falsa dor de cabeça ou um falso orgasmo.

Eles também fingem
As mulheres não são as únicas que simulam o clímax. A pesquisa do Datafolha mostra que 26% dos homens consultados já fingiram um orgasmo. No total, entre homens e mulheres, a amostra aponta que 38% dos brasileiros com experiência sexual já fingiram. O uso da camisinha, atitude absolutamente saudável e altamente recomendada, camuflaria a falta de ejaculação neles.

Para Talula, o orgasmo falso é um alívio
Reprodução
Para Talula, o orgasmo falso é um alívio
Para Nelson Gonçalves, o orgasmo é muito enfatizado socialmente e, embora seja uma descarga energética positiva, não é absolutamente necessária para que o sexo tenha sido bom. “O importante é sair satisfeito dos encontros sexuais, se sentindo bem. Por outro lado, quem nunca tem orgasmos pode ficar insatisfeito, porque nascemos com essa capacidade sexual”, explica.

Os dados internacionais são parecidos com os do Brasil. Uma pesquisa da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, mostra que 25% dos homens e 50% das mulheres já mentiram sobre o orgasmo para acabar mais rápido com o sexo. Entre os falsos orgasmos, 28% dos masculinos e 67% dos femininos foram em relações com penetração.

Gritos e gemidos fazem parte de um bom fingimento. Estudando a atuação das pessoas na cama, uma pesquisa da Universidade de Central Lancashire e da Universidade de Leeds mostra que mais de 25% das mulheres admitem usar recursos vocais para simular um orgasmo. E fazem isso para apressar a ejaculação do parceiro quando elas estão entediadas, desconfortáveis ou simplesmente cansadas, como justificou Talula.

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