Tamanho do texto

Segundo ginecologista, a região é "menos aceita" por especialistas do que o ponto G pois não se diferencia anatomicamente do resto da vagina. Ainda assim, ele afirma que vale a pena aprender a estimular a área onde ele fica

Apesar de as mulheres estarem cada vez mais confortáveis em falar abertamente sobre questões que envolvem a intimidade feminina e o sexo, o assunto ainda é considerado um tabu. Por isso, o medo e a vergonha em tocar em certos tópicos faz com que muitas fiquem cheias de dúvidas. E não é para menos; a sexualidade feminina é um bocado complexa e, até hoje, alguns aspectos dela dividem a opinião de especialistas. É o caso da “ejaculação feminina” – popularmente chamada de “squirt” –, do famoso ponto G e também do ponto A.

Leia também: Conheça o ponto G e veja posições sexuais para estimular a região

Segundo ginecologista, há divergências quanto ao tal ponto A, já que, anatomicamente, não há nada que o faça diferente
Shutterstock
Segundo ginecologista, há divergências quanto ao tal ponto A, já que, anatomicamente, não há nada que o faça diferente

Apesar de o ponto A (também conhecido como AFE, sigla que significa Anterior Fórnix Erótico) não ser tão discutido e conhecido quanto o ponto G, muitas mulheres e especialistas afirmam que, quando estimulada, essa região pode proporcionar um prazer incrível. Mas, afinal, ele existe mesmo? De acordo com o ginecologista e obstetra Élvio Floresti Junior, a questão é controversa por diversos motivos e a região pode, sim, proporcionar sensações diferentes, mas não por ser mais irrigada ou ter mais terminações nervosas como ocorre, por exemplo, com o clitóris.

“O ponto A, na realidade, não é uma coisa comprovada. A vagina é toda bem irrigada, bem vascularizada e não existe nada melhor que a região clitoriana em termos de sensibilidade. Anatomicamente, não se vê diferença entre essa parte e as outras”, afirma o ginecologista, ressaltando que, enquanto para algumas mulheres a estimulação dessa região proporciona um prazer diferente, para outras é algo incômodo.

Onde fica o ponto A?

De acordo com Floresti, a região a que as pessoas se referem quando estão falando desse ponto é uma espécie de “dobrinha” formada entre o canal vaginal e o início do colo do útero, área circulada em rosa na imagem a seguir:

Leia também: Você conhece sua pepeca? Saiba tudo sobre a região íntima feminina

A região apelidada de ponto A é uma
Shutterstock
A região apelidada de ponto A é uma "dobrinha" entre um recuo no canal vaginal e o início do colo do útero

O ginecologista explica que, apesar de ser mais  distante da entrada da vagina do que o ponto G, por exemplo, é, sim, possível alcançar o tal ponto A com os dedos. “Colocando, de preferência, dois dedos na vagina, você vai sentir uma coisa mais endurecida no fundo, que é a ponta do colo do útero. Você vai ver que a vagina não tem nada, só é um pouquinho enrugada, enquanto o colo do útero parece a ponta de um nariz”, afirma.

Prazer x incômodo

Ainda que não haja nada especial na região em termos anatômicos – como quantidade de terminações nervosas, irrigação, etc – essa é a área em que muitas mulheres sentem incômodo e até dor quando o pênis vai muito fundo durante a relação sexual. De acordo com Floresti, a região não é responsável por dar mais prazer que outras áreas da vagina; ela é apenas mais um local que, assim como os grandes lábios, a entrada do canal vaginal e o ponto G , tem suas particularidades e proporciona sensações diferentes.

Floresti justifica isso com o fato de que, quando a mulher passa por uma histerectomia – ou seja, tem o útero retirado – e deixa de ter a tal “dobrinha”, não se queixa de diferenças no prazer que sentem quando estimuladas nessa região mais ao fundo da vagina. O especialista afirma que alguns médicos até optam por deixar apenas o colo do útero quando faz esse tipo de cirurgia, mas que nunca viu um caso sequer em que a mulher passou a se queixar de falta de sensibilidade ou prazer.

Conforme explica o ginecologista, o prazer que muitas mulheres sentem não vem de um ponto específico, e sim da estimulação do fundo da vagina e da “movimentação” do útero proporcionada pelo pênis, pelos dedos ou por um brinquedo erótico. Dependendo da posição do casal (e também do útero da mulher), o pênis pode “passar em frente” ao colo do útero, gerando uma sensação que, para algumas mulheres, é boa.

Em algumas posições, porém, o pênis pode se “chocar” com o colo do útero, gerando o desconforto que faz muitas mulheres evitarem posições que permitem uma penetração mais profunda.

Posições para alcançar a região

Conforme explica o ginecologista, as melhores posições para quem curte a estimulação dessa área são as que envolvem a penetração profunda, mas as mais apropriadas dependem da posição em que o útero da mulher está. Imagine esse órgão como uma pêra de cabeça para baixo, com a parte mais "fina" da fruta representando o colo. Segundo Floresti, a maior parte das mulheres têm o útero antevertido, cuja parte maior da "pêra" é inclinada na direção do umbigo da mulher. Algumas, porém, possuem o chamado útero retrovertido, cuja parte maior da "pêra" é inclinada para o lado contrário.

Em cada uma dessas posições em que o útero pode estar, o colo também se localiza em um ponto diferente e, sendo assim, as posições sexuais que funcionam para algumas mulheres podem não funcionar para outras. O importante, de acordo com o médico, é conhecer a própria anatomia e testar as posições com o parceiro para decidir quais são mais confortáveis e prazerosas.

Leia também: Medo de ir ao ginecologista é comum, mas pode afetar a saúde e a vida sexual

Útero antevertido

De acordo com Floresti, as posições que costumam agradar a maior parte das mulheres que curtem penetração profunda são aquelas em que a mulher e o parceiro ficam frente a frente e, de preferência, deixam as pernas dela erguidas.

  • Papai e mamãe (e variações)
Para quem acha a papai e mamãe sem graça, é possível incrementar a posição levantando as pernas e flexionando-as
Renato Munhoz (Arte iG)
Para quem acha a papai e mamãe sem graça, é possível incrementar a posição levantando as pernas e flexionando-as

Para muitos, a clássica posição é sem graça, mas ela pode ser incrementada; para garantir uma penetração mais profunda, a mulher pode apoiar as pernas nos ombros do parceiro ou os pés no peito dele, mantendo os joelhos flexionados.

  • Pernas esticadas
Para ter uma penetração mais profunda, o ginecologista afirma que o ideal é a mulher manter as pernas erguidas
Renato Munhoz (Arte iG)
Para ter uma penetração mais profunda, o ginecologista afirma que o ideal é a mulher manter as pernas erguidas

De acordo com o ginecologista, todas as posições em que a mulher ergue as pernas deixam tudo mais propício para uma penetração. Nesta, por exemplo, ela ergue um pouco o quadril, mantendo as pernas bem retas e apoiadas no parceiro.

  • Ela por cima
Aqui, é ela quem fica por cima, ditando não só o ritmo da transa como a profundidade da penetração
Renato Munhoz (Arte iG)
Aqui, é ela quem fica por cima, ditando não só o ritmo da transa como a profundidade da penetração

As posições em que a mulher fica sobre o parceiro também funcionam bem para as mulheres que gostam de penetração profunda, já que, dessa forma, são elas que controlam o ritmo e o ângulo.

Útero retrovertido

Para as mulheres que têm o útero posicionado de outra forma, as posições sexuais que mais favorecem a estimulação com penetração profunda são aquelas em que elas ficam de costas para o parceiro.

  • De quatro
Dependendo de como o útero da mulher for posicionado, esta posição pode ser incrível ou incrivelmente desconfortável
Renato Munhoz (Arte iG)
Dependendo de como o útero da mulher for posicionado, esta posição pode ser incrível ou incrivelmente desconfortável

Esta é uma das opções preferidas por quem gosta de penetração profunda, mas, justamente pela variação de posições que o útero pode ter, ela é desconfortável para algumas.

  • De lado
Aqui, a penetração não é tão profunda quanto na posição anterior e o casal deve adaptá-la conforme preferirem
Renato Munhoz (Arte iG)
Aqui, a penetração não é tão profunda quanto na posição anterior e o casal deve adaptá-la conforme preferirem

De lado, a penetração não é tão profunda quanto a proporcionada pela posição anterior, mas, dependendo de como o casal se posicionar e do tamanho do pênis do parceiro, ela também funciona bem.

  • Cavalgada invertida
Para as mulheres que têm o útero retrovertido, esta é uma ótima posição para que elas tenham o controle
Renato Munhoz (Arte iG)
Para as mulheres que têm o útero retrovertido, esta é uma ótima posição para que elas tenham o controle

Aqui, a mulher fica por cima e controla tanto o ritmo quanto o ângulo e a profundidade da penetração.

Leia também: É normal não ter orgasmos só com penetração? Especialista explica

Sem obsessão

Apesar de muitas mulheres relatarem um nível superior de prazer quando estimuladas em algumas regiões do canal vaginal – seja ela o ponto G, o ponto A ou qualquer outra área específica –, o ginecologista afirma que não é uma boa ideia focar tanto em encontra-los. Segundo ele, para que a mulher sinta prazer durante a relação sexual, é necessário investir em um conjunto de práticas e adaptá-las ao gosto de cada casal, mas, acima de tudo, ela precisa conhecer bem o próprio corpo e relaxar.

“A mulher tem de se conhecer. Mexa, sinta, não tenha vergonha, não tenha medo. Ela precisa estar sem vergonha na relação, aí se solta. Isso com estímulo oral, manual ou peniano, tanto faz, é um conjunto”, explica Floresti. O ginecologista também explica que, de forma geral, a parte anterior da vagina (a "frente" do canal) é uma região mais sensível a estímulos que a posterior, mas reforça que, mesmo que a mulher sinta prazer com a estimulação do ponto G ou do ponto A, a penetração não costuma ser suficiente. De acordo com o médico, o orgasmo feminino tem mais relação com o quão tranquila ela está e com a estimulação do clitóris de forma simultânea a outras práticas.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.