Vale a pena manter um relacionamento "ioiô"?

Instabilidade é a principal característica dos namoros e até casamentos "ioiô"

Mesmo que durante as festas de final de ano você tenha se ausentado das redes sociais, internet ou qualquer meio de comunicação, provavelmente agora já sabe que o casal Bruna Marquezine e Neymar está de volta. Os dois já terminaram duas vezes anteriormente, mas decidiram reatar o namoro durante uma viagem a Fernando de Noronha no Ano Novo. Até boatos sobre um possível plano de morarem juntos em Paris após a Copa do Mundo já circulam pela mídia, mas será que realmente vale a pena manter um relacionamento instável assim, com tantas idas e vindas?

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Foto: Raul | Instagram/justinbieber/Reprodução
Casais conhecidos pelo relacionamento 'ioiô' são Neymar e Bruna Marquezine e Justin Bieber e Selena Gomez

Muitas pessoas acreditam que, se terminou uma vez, esquece, já era e não tem mais volta. Entretanto, ninguém é obrigado a concordar com essa ideia. Justin Bieber e Selena Gomez, por exemplo, são outro casal que já se separou, mas, atualmente, aparecem felizes de mãos dadas. É isso que caracteriza um relacionamento “ioiô” ou “ping pong”, o junta e separa. Mas não precisa chegar no término para isso, já que os famosos pedidos de tempo também se encaixam nesse padrão.

Um dos problemas de manter um namoro ou até mesmo um casamento assim, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, Rodrigo Fonseca, é que ambas as pessoas ficam impedidas de fazer planos a longo prazo. “Isso pode acabar interferindo em outras esferas da vida do casal, como a familiar, a carreira e até mesmo a saúde física e emocional – que pode ser abalada por conta da instabilidade emocional”, explica o especialista.

“Outro ponto importante é que, quando o casal se separa constantemente, qualquer problema é motivo para terminar ou dar um tempo na relação. Essa postura acaba tornando a união superficial e imatura", completa. 

Por que a instabilidade?

Foto: Pixabay
Se o casal sente que algo não está certo, o melhor é parar para refletir sobre os sentimentos de cada um no relacionamento

Fonseca alerta que é importante entender que, quando um casal passa por problemas, a responsabilidade é sempre dos dois. As brigas e términos frequentes são resultado de um desentendimento das próprias emoções, segundo o especialista, e é preciso que cada pessoa dentro do relacionamento trabalhe essas emoções para que a instabilidade seja abrandada e até mesmo eliminada.

“São problemas emocionais que os dois, enquanto indivíduos, precisam tratar e resolver dentro de cada um. Geralmente, esses padrões são aprendidos e desenvolvidos em nossas relações primárias – pai e mãe – ou na falta delas durante a infância – quando indivíduos são criados sem o pai, a mãe ou ambos ou então não tiveram a atenção e o suporte necessário durante seu desenvolvimento. As dificuldades familiares durante os primeiros anos de vida de uma pessoa podem fazer com que o problema acabe se arrastando e impactando as relações amorosas na vida adulta.”

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Por outro lado, pode ser que o casal realmente não combine, e aí é preciso parar e refletir se realmente a relação faz algum sentido. Mas Fonseca acredita que é muito mais comum que seja um problema emocional, que, se não resolvido, pode afetar até mesmo outras relações futuras.

“Terminar um relacionamento várias vezes abala a confiança e a cumplicidade do casal. Se não existe mais confiança e respeito, e as vidas começam a tomar rumos muito diferentes, talvez seja a hora de colocar um ponto final na relação, mas com maturidade emocional, ou seja, reconhecendo as próprias dificuldades. Neste caso, pode ser que o sentimento de amor tenha se transformado em comodidade e medo de ficar sozinho.”

Como resolver o problema?

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Especialista explica que, além de conversar sobre os problemas, é fundamental apontar também as coisas boas do casal

O especialista explica que procurar a ajuda de um profissional é o primeiro passo para resolver os problemas de um relacionamento instável. Isso pode ser feito individualmente ou em casal. Mas não basta apenas apostar em um psicólogo, já que é fundamental que o casal passe a conversar um com o outro também.

“Durante os meus 20 anos trabalhando com as emoções humanas, eu nunca conheci um casal que viva feliz sem os seus momentos de diálogos e revisões dos seus ‘contratos do casal’, ou seja, o que é importante para cada um e o que jamais permitirão que aconteça dentro da relação.”

Neste caso, conversar não é apenas falar sobre os problemas. Fonseca alerta que a maioria das pessoas aprendeu a falar para a pessoa com quem se relaciona apenas aquilo que incomoda, mas se esquece de apontar os pontos positivos do relacionamento e do casal. É também importante reforçar o quanto certas atitudes e comportamentos agradam e fazem bem. Se você gosta quando a pessoa envia uma mensagem mais carinhosa, por exemplo, fale para ela.

“Conhecer a história de vida também é essencial. Procure saber como foi a infância da pessoa com quem você se relaciona e como funcionava a dinâmica familiar dela. Dessa maneira, é mais fácil perceber quando os padrões são repetidos ou então repulsados e, assim, compreender as limitações daquele que vive ao nosso lado.”

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Já para evitar as constantes separações do casal, o especialista recomenda que a pessoa faça uma autorreflexão para aprender como as próprias emoções funcionam e como interagem na vida amorosa. Segundo Fonseca, ao desenvolver sua inteligência emocional, é possível criar uma consciência maior sobre a maneira com que cada emoção faz você se sentir, pensar e agir dentro da relação.

“Assim, é possível assumir o autocontrole no relacionamento, sem deixar com que suas emoções controlem seus comportamentos, e, também, evitar uma natural ‘projeção’ daquilo que não recebemos dos nossos pais em nosso(a) parceiro(a). Ao compreender suas emoções, você naturalmente passa a viver melhor, tanto com o seu mundo interno, quanto com o da sua parceira ou parceiro”, completa.