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Invasão de hackers em site de adultério indica que em uma das maiores cidades do Canadá há 1 perfil para cada 5 habitantes

Ashley Madison
Reprodução
Ashley Madison

A invasão de hackers do site Ashley Madison - criado com o objetivo de promover casos extraconjugais - gerou burburinho em uma cidade em especial: Ottawa, a capital do Canadá, onde supostamente 1 em quase cada 5 habitantes está cadastrado no site.

Apelidada por alguns de "a cidade que a diversão esqueceu", Ottawa teria, segundo os números divulgados, uma alta taxa de pessoas com propensão ao adultério em relação às demais cidades em que o Ashley Madison atua. Foi chamada por alguns órgãos da mídia de "capital mundial da infidelidade".

De acordo com dados do site - cujo slogan é "A vida é curta. Tenha um caso" -, há 189 mil perfis registrados em Ottawa, cidade de 883 mil habitantes.

Em meados de julho, o site foi hackeado, e os invasores ameaçaram divulgar informações sigilosas dos cadastros, como dados bancários, fotos nuas e nomes dos cerca de 37 milhões de perfis do Ashley Madison.

O site diz que já retomou o controle sobre os dados e que a invasão está sendo investigada.

"Todo o mundo diz que Ottawa é uma cidade sonolenta, e eis que temos aqui 200 mil pessoas correndo umas atrás das outras", disse à Reuters o funcionário público Jon Weaks, 27.

Um detalhe curioso é que um dos Códigos de Endereço Postal (CEPs) mais citados nos perfis é o do Parlamento, o que pode ser um indício de que políticos estariam recorrendo ao site para buscar parceiros extraconjugais.

Veja 9 sinais da infidelidade:

Perfis falsos

Mas os dados não são necessariamente confiáveis: há muitos relatos de que sites como o Ashley Madison estejam repletos de perfis falsos ou inativos.

O comediante John Oliver, da TV americana, ironizou a hipótese de quase a metade dos casais de Ottawa ter, em média, um cônjuge registrado no site.

Já o investigador particular Jonh Sullivan, dono de uma agência especializada em averiguar traições conjugais em Ottawa, diz acreditar que as estatísticas são "críveis".

"Cerca de 85% de nossos negócios hoje estão focados (em casos envolvendo o Ashley Madison)", disse o detetive ao programa Newsday, do Serviço Mundial da BBC. "Pode ter gente que se cadastrou no site e não está traindo ninguém, mas não há desculpa: é um site de traidores."

Em entrevista ao jornal Toronto Sun, um usuário do site contou ter se cadastrado por "curiosidade", mas alega não ter caído em tentação.

"Às vezes você fica curioso, quer procurar os amigos, mas não é algo que necessariamente desperte seu interesse", relatou.

Outros citam o fato de a cidade ter uma combinação de vida política intensa e vida social pouco agitada como uma possível explicação para os números do Ashley Madison.

"Em cidades operárias, as pessoas não vão usar um site (para buscar parceiros sexuais), vão fazer isso num bar", disse à Reuters a moradora Kary, 38.

"(Em Ottawa) você não pode correr o risco de ser visto no bar fazendo isso. E por que você acha que todo o mundo (daqui) vai para Montreal (a 2h de distância) para se divertir? Ottawa é a cidade que a diversão esqueceu."

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