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Se apaixonar sempre pela pessoa errada pode ser um alerta indicando que sua autoimagem precisa de uma revisão urgente. Saiba por que isso ocorre e como superar o problema

Dedo podre: atrair sempre a pessoa errada é um padrão que denota baixa autoestima
Thinkstock/Getty Images
Dedo podre: atrair sempre a pessoa errada é um padrão que denota baixa autoestima

Se toda vez que você se apaixona a sua razão emite um sinal de alerta e, paralelamente, seus amigos te acusam de ter o ‘dedo podre’, cuidado: enquanto você justifica a escolha por parceiros errados como falta de sorte, perdendo tempo com relacionamentos que não dão em nada, deixa de tratar a verdadeira causa do problema, sua autoimagem.

“A imagem que a pessoa tem de si mesma irá determinar a referência que ela utilizará na escolha de um parceiro. E isso é construído desde a infância, no relacionamento com os pais e com pessoas importantes para ela”, explica a psicoterapeuta Heloisa Fleury, supervisora do Programa de Estudos em Sexualidade do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (ProSex).

Portanto, quem acaba ‘aceitando a carapuça’, em geral, teve experiências de muita crítica e desvalorização enquanto ainda era uma criança.

“É uma pessoa que desenvolveu um modelo interno de relações no qual ela acredita ser pouco valorizada e que, para ser querida ou aceita por alguém que valoriza – como um parceiro amoroso – ela precisa agradar e atender a todos desejos do outro”, exemplifica a psicóloga.

Esse tipo de personalidade, em geral, acaba desenvolvendo uma tendência de escolher parceiros que precisam ser cuidados, em especial, aqueles com desenvolvimento emocional comprometido, com dificuldade para perceber/ver o outro, sem conseguir manter um relacionamento no qual há troca em pé de igualdade.

A terapeuta comportamental Ramy Arany reforça que família, escola, amigos, ambiente profissional, entre outros, são agentes formadores de nossas crenças e valores.

“Construímos nossa autoimagem e autoestima a partir de tais influências. E daí podem surgir ideias equivocadas como ‘não mereço ser feliz’, ‘comigo não dá nada certo’, ‘não sou capaz’, ‘não mereço ser amada’. Aquilo que acreditamos, muitas vezes, age contra nós. São ideias invertidas sobre nós mesmos que formam uma força antagônica”, alerta a especialista.

Para Ramy, reconhecer tais valores é o primeiro passo para tentar reverter o problema.

“A única forma de tratar um padrão mental que sempre atrai pessoas erradas é reconhecendo, aceitando e transformando isso de forma interna”, avalia a terapeuta. No entanto, Heloísa alerta que, em geral, tudo isso acontece de forma inconsciente, e a pessoa tende a arrumar justificativas para não admitir a repetição deste padrão.

Perfil típico

Na prática, as pessoas que suscitam o apelido de ‘dedo podre’ são inseguras e com a autoimagem e a autoestima baixas.  Elas normalmente não acreditam que têm potencial, capacidade e força interna,  e não se valorizam.

“Além disso, são indivíduos que alimentam a crença de que podem mudar o outro, de que o relacionamento vai ser forte o suficiente para transformar todas as dificuldades. Outro erro comum é achar que com o tempo as coisas vão mudar, aceitando qualquer coisa em nome do amor”, relata Ramy.

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Em geral, este tipo de pessoa é muito frágil emocionalmente, concentrando uma força negativa nos relacionamentos afetivos.

“São indivíduos que não conseguiram desenvolver a sensação de pertencimento e de valor. Como eles aceitam de forma natural o fato de não serem considerados, acabam escolhendo parceiros que confirmam essa sensação”, completa Heloísa.

Apesar disso, muitas vezes, estar enraizado no inconsciente, a boa notícia é de que ‘dedo podre’ tem tratamento. É possível mudar este padrão desde que a pessoa esteja disposta a uma transformação. Não é uma mudança imediata, ela vai acontecendo gradualmente, até o momento em que é possível avaliar se o candidato é alguém realmente interessante ou uma roubada.

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“Neste caso, se não valer a pena, a pessoa terá determinação para dizer ‘não quero isso para mim’. Sem receio de solidão, mantendo a consciência de ficar sozinha em favor de si e alimentando a certeza de que poderá encontrar alguém compatível com sua busca”, diz Ramy.

Tem cura sim

Segundo Heloísa, mudanças só acontecem quando conseguimos admitir o problema. “Isso é necessário para conseguir se fortalecer – investindo na autoimagem – para ir em busca de um relacionamento que acrescente”, avalia.

É claro que não existe uma receita pronta, afinal é preciso mudar internamente e apostar em outra forma de comportamento. Isso pode levar tempo, mas é possível alterar esse padrão.  Veja a seguir os passos essenciais para encarar o processo de cura de ‘dedo podre’:

1. Busque ajuda terapêutica

2. Pratique o autoconhecimento

3. Desenvolva mais sua força interna

4. Reconheça a si mesmo

5. Saiba muito bem o que quer para si

6. Seja focado e sustente sua escolha

7. Não aceite qualquer coisa ou qualquer pessoa, só para não ficar sozinho

8. Acredite que você nasceu para amar e ser amado

9. Acredite que irá encontrar uma pessoa que é compatível com seus valores

10. Não tenha medo de ser feliz

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